10. To Bad For You

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- Eu sempre vou te amar Raphael, não importa o que acontecer e você deve prometer uma coisa pra mim.

- O quê papai?

- Que não vai deixar ninguém te fazer desistir dos teus propósitos, e te impedir de ser quem você é.

- Porquê que o papai está me dizendo isso? - perguntei inocente.

- Porque ... - ele gaguejou e olhou para as suas mãos enquanto eu estava deitada e forrada na cama prestes a dormir - porque tu és diferente e especial, e ... Espero que saibas que eu sempre irei te amar.

- Eu te amo papai - disse olhando nos seus olhos que pareciam estar tristes.

- Eu te amo mais - ele beijou a minha testa, e a minha mãe chegou ao lado dele e pegou no seu ombro.

- Nós te amamos Raphael - disse a minha mãe - Durma bem - ela me beijou na testa, segurou na mão do meu pai e apagou a luz do candeeiro ao lado e saiu do quarto junto com o papai.

*********

Toda memória antiga foi passando na telinha da minha memória, enquanto estava de castigo já solitária com a Liz, eu fui lembrando de vários momentos bons e únicos com os meus pais, dos que eu ainda me lembrava quando tinha o meu pai em vida, eu perdi ele com os 9 anos, lembrar de tudo isso me dava aperto no coração e me deixava vulnerável, mas parece que não havia um outro remédio a não ser ter lembranças inapropriadas quando se está trancada numa sala depressiva e com campanhia desagradável.

Já havia se passado muito tempo, mas eu não fazia ideia de quanto tempo exatamente já estávamos aqui, esse lugar é aborrecido, silencioso e extremamente solitário, eu estava irritada, só me apetecia gritar, eu já não aguentava ficar aí, pareciam que já se passaram dias, eu já acordei e já voltei a dormir e voltei a despertar novamente e continuava aqui, eu estava deitada no chão apenas olhando pra cima, e a Liz estava sentada na mesma posição desde que chegamos aqui, ela parecia bem calma como se nada lhe incomodasse, eu comecei fechando os olhos devagar quase caindo novamente no sono e a porta do finalmente se abre e de lá entra o mestre Takeshi, nós nos levantamos, ele ficou a nossa frente e disse:

- Boa noite meninas, como foi a estadia aqui? Teve momento para fazerem as pazes?

- Eu só quero logo sair daqui - respondi.

- Vocês já cumpriram o tempo que eu atribuí, não se preocupem.

- Quantos minutos fizemos? - perguntou a Liz.

- Horas. 12 horas pra ser exato - respondeu o Takeshi.

- Nossa, achei que fossem apenas 5 minutos, estava achando divertido.

- Tu não enganas ninguém Liz, eu sei que o tédio tomou conta de ti - disse o Takeshi - Bom, vocês estão livres, vão tomar um duche, comam alguma coisa e depois vão para a sala de cinema, hoje é a noite do cinema.

- Achei que perdemos o cinema - eu disse.

- Ainda não, podem ir - ordenou o Takeshi.

*********

Saímos daquela sala e eu só dava aleluia e sentia um alívio enorme por ter saído daquele lugar, eu estava uma vergonha, ainda com o pijama no corpo e sem ter feito ao menos uma higiene pessoal no dia de hoje, assim que cheguei ao dormitório me despi, coloquei uma toalha em volta e fui direito para o balneário, e estava a Liz escovando os dentes com uma toalha em volta do corpo também, eu olhei pra ela e por um momento eu sentia uma certa pena dela e queria tentar me aproximar dela, mas decidi não dar esse gostinho. Fiz toda a minha higiene pessoal, me vesti e lembrei da memória que tive com os meus pais enquanto estava na sala de castigo, e decidi olhar para o rosto deles vendo a foto que tiramos todos juntos a anos atrás, abri a gaveta da banca ao lado da minha cama a procura da fotografia, e não achava, achei estranho, eu nunca ficava distante daquela fotografia, peguei no bolso da calça que usei na noite de ontem e também não estava, e eu não fazia a mínima ideia de ontem deveria estar.

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