33. Eyes of the soul

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Ficamos nos olhando por vários minutos, minha mente se recusava em acreditar que estava vendo alguém que me foi dito estar morto a muitos anos atrás, mas pelo jeito que ele me enxergava, como se visse além dos meus olhos físicos, ele via os olhos da minha alma, ele desconhecia a mulher a sua frente, mas ele podia sentir a energia daquela pessoa que ele colocou no mundo.

- Você - ele disse as primeiras palavras se levantando e andando até às grades da cela - Como? Eu te conheço! Eu sinto que te conheço. Porquê... Você me chamou de pai?

Timothy tirou um molho de chaves do seu bolso e abriu a cela, ele caminhou até mim, ficamos frente a frente nos olhando, e eu não podia acreditar, eu só queria chorar.

- Sou eu pai - caiu uma lágrima do meu olho - Sou eu.

- Não pode - ele pareceu confuso - Eu tive um menino chamado... - ele engoliu as palavras como se ainda lhe doesse relembrar essa história.

- Raphael David - decidi terminar e ele começou tendo um vislumbre do que é real.

- Sim... Mas eu sinto a presença dele... Aqui - ele passou a mão no meu rosto.

- Eu sou quem você colocou no mundo. Eu sou aquela criança inocente, com disforia de gênero, que teve todo amor e apoio dos pais. Que corria pela casa brincando com o meu pai, sou eu - dei uma descarga de lágrimas.

- Agora eu sei. Eu sempre soube, eu e a tua mãe sempre soubemos que tu eras diferente - ele começou chorando - És tu - ele me agarrou - Eu sinto que és tu, aquela criança, aquele menino... Que hoje é essa grande mulher - ele me deu um abraço muito forte e eu retribui, ambos nos deixamos levar pelas lágrimas, como se estivéssemos revivendo todo momento perdido.

- Pai - fiquei chorando tanto, de emoção e tudo que eu queria era apenas a minha mãe para completar.

- Eu sempre soube que tu eras diferente, mas eu desconhecia muito sobre sexualidade, sobre identidade de gênero, mas eu sempre soube, porque eu enxergava a tua alma. Eu te amo tanto filha - realmente eu não esperava esse tipo de recepção, mas eu amava tanto - Me perdoa por não ter estado contigo, mas aquele filha da mãe do Timothy...

Assim que ele se virou e ambos olhamos de lado na esperança de ver o Timothy aí e acabar com ele, só que... Já não se encontrava lá, ele foi astuto o suficiente para fugir enquanto estávamos num clima de pai e filha, ficamos assustados o quão rápido e ágil ele foi, mas eu estava pouco me importando com ele, estava tão feliz por ver o meu pai que pela primeira vez o Timothy não se tornou uma preocupação na minha vida.

- Vou pegar esse filho da mãe - meu pai cerrou os punhos de tanta raiva que ele tinha, mas eu segurei o seu braço.

- Não agora pai - tentei acalma-lo - Ainda temos muito tempo. Por agora, eu só quero aproveitar o momento perdido.

Ele pareceu se acalmar um pouco e voltou a olhar pra mim.

- Como?... Como você chegou até aqui? Como aconteceu tudo isso... - ele pareceu confuso.

- Eu vou explicar tudo. De como tudo começou, sobre a mãe...

- Eu já sei dessa história - ele pareceu triste - Eu sei de tudo o que se sucedeu depois do meu desaparecimento, foi tudo planeado antes do golpe na sua mãe.

- Como o pai sabe de tudo isso?

- O Timothy e mais um... Homem asiático, acho que era um japonês, sei lá qual era o nome dele, me tramaram, decidiram arrumar um sequestro enquanto todo mundo achava que eu estava morto, ele deu o golpe matando a minha mulher se apoderando de toda a fortuna, da empresa, de tudo quanto tu eras a herdeira.

Trans - WeaponHistórias para pegar e não largar. Descubra agora