E se aquele pedaço de gelo que parece ser um iceberg fosse na verdade um cubo bem pequeno? Parece meio impossível mas acontece...
Com o tempo aprendi a ser dura e fria, a vida sem sentimentos era menos trabalhosa, mas eu não sou uma sem noção que br...
Dia seguinte... O barulho do despertador aumentava a minha raiva porque me avisava que um novo dia tinha começado, isso fazia a minha mente me lembrar que tenho coisas marcadas com o Victor... Preferia mil vezes passar o meu sábado decorando todos os tipos de circuitos elétricos e serviços de telecomunicações do que estar numa sala cheia de crianças correndo por todo lado mas infelizmente dei a minha palavra e não podia desmarcar do nada com uma desculpa sem sentido...
Endireito a minha calça preta e vou colocar o pullover que também era preto, a única coisa branca que habitava sobre o meu corpo eram os tênis de seguida ele manda uma mensagem avisando que chegou:
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— Estarei em casa do Ruan estudando, como sempre! — Minto usando a única desculpa que tem feito a minha mãe me deixar sair de casa a vontade nessas últimas semanas. Saio a correr e vou até a outra rua ter com ele...
— Vai pra algum enterro? — Ele pergunta me analisando enquanto eu entro no carro. — Não consegue usar outro tipo de cor?
— Você passa a vida usando rosa e eu não reclamo, réplica da "Peppa pig"! — Digo e ele abre um sorriso exibindo o aparelho que lhe dá um ar de inocente.
— "Mulher do conde Drácula"! — Diz ligando o carro, antes que eu pudesse perguntar onde estava sua irmã, uma coisa rosa grita atrás de mim e eu apanho um susto.
— Olá, eu sou a Kataleya! — Olho para ela toda sorridente, vestida de rosa da cabeça aos pés, com o cabelo divido em quatro tranças extremamente compridas e borboletas cor de rosa no final das tranças, claramente era a versão feminina do Victor.
— Oi, eu sou a Violeta!
— Você é a nova namorada do meu irmão?
— Como assim nova? — Pergunto olhando para ele.
— Antes era a Debby... agora é você! — Ela explica.
— Debby? Você nunca me falou sobre ela... — Ele aperta com mais força o volante usando as duas mãos... fica uns segundos sem responder mas sempre com os olhos fixos na estrada e depois diz:
— Não é importante, Leya o quê que a gente combinou?
— Evitar abrir a boca! — Ela diz cruzando os braços e fazendo uma cara feia.
— Isso mesmo.... — Ele diz olhando pra ela pelo retrovisor, de seguida acelera e passamos a viagem toda calados, os olhos dele não desviavam nem um segundo da estrada, pude notar que aquele nome o incomoda...
(...) Estaciona o carro, saímos e vamos até um shopping, entramos no elevador e o único barulho que se ouvia era dos pés da Kataleya batendo no chão quando ela saltava de animação, olho pro Victor e o seu semblante de sério nunca desaparecia, passamos por uma sala com senhoras fazendo yoga, outra com crianças fazendo judô, continuamos a andar e havia uma sala com uma placa que dizia: "pieds de fée ballet atelier" (atelier de ballet pés de fada- em francês), entramos e ela entrega as suas coisas no irmão e vai a correr ter com as outras meninas, Victor me leva até uns bancos de madeira cheio de pais filmando os filhos...
— Está mesmo bem? — Pergunto.
— Claro que sim, porque não estaria?
— Quando estávamos no carro e... — Esquece o que a Leya disse... Não importa! — Disse sem me deixar terminar de falar, fixo a atenção nas meninas e evito falar ao máximo.
— Estou bem... não se preocupe! — Diz abrindo um sorriso que parecia ser forçado mas eu também não iria insistir e pesar o clima...
(...) Estava sendo o momento mais aborrecido da minha vida mas ele não parava de sorrir enquanto olhava para a irmã, ela olhava sempre para ele se certificando de que ele estava presente, as vezes acenava e outras vezes só sorria para ele... estava indo tudo bem até ela se atrapalhar e cair, Victor vai correndo ter com ela e vamos até à enfermaria...
(...) — O pé dela está bem, nada demais, é só passar a pomada e depois vai deixar de doer mas da próxima vez presta atenção no que a professora está dizendo menina Kataleya! — A enfermeira diz e ela faz um sorriso envergonhado igualzinho ao do Victor...
— Não fique triste meu amor, seu pé logo vai melhorar e via poder dançar outra vez... e se a gente fosse comprar um gelado? — Ele diz tentando animar a irmã pondo ela no colo, ela sorri e aceita com a cabeça, pelo menos alguém recebe o amor verdadeiro de Victor Davis.
(...) Depois do gelado, passamos a tarde toda andando pelo shopping e depois acompanho ela até o banheiro infantil e vou até o corredor ter com o Victor a espera dela:
— Algum problema se eu beijar você aqui? — Pergunta dando uma pontada na minha cintura.
— Pare com isso! — Digo sorrindo me afastando dele.
— Só um beijinho...
— Okay, mas pare! — Vou ter com ele e damos um beijo.
— Eu sabia que vocês eram namorados! — Ela diz parada olhando para nós...
— O Victor tem namorada, o Victor tem namorada...
— Já pode calar? — Ele pergunta mas ela continuava cantando até chegarmos ao estacionamento, abro a porta para ela entrar e ela diz:
— Você pode ficar aqui comigo? Se sentar a frente vocês vão conversar só os dois e ignorar a minha existência... Por favor! — Ela faz uma carinha fofa me chantageando, claramente é a versão feminina do Victor.
— Claro! — Sento no lado dela, Victor olha para nós com uma cara de espanto mas ignora...
— Você sabia que o Victor tem um urso cor de rosa no quarto? Ele não deixa ninguém tocar nele!
— O quê? — Tento conter a minha gargalhada escandalosa.
— Leya não quer jogar "o jogo do silêncio"? Iria lhe fazer bem! — Diz envergonhado, continuei a conversar com ela até que adormece no meu colo e eu acabo por dormir também...
(...) — Gelada, acorda já chegamos! — Abro os olhos e a primeira coisa que vejo são os olhos dele fixos nos meus, deixo ela deitada no banco de trás, saio do carro e ele me puxa pela cintura... sua pegada me deixa sem chão!
— É agora que me ensina a beijar?
— Se isto é uma forma de te prender, acho que não vou ensinar agora! — Ele responde, abro um sorriso e olho pra Kataleya pela janela.
— Dá um beijinho à ela por mim... — Beijo a bochecha dele e vou para casa...