talking

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No momento em que eu vi o carro se afastando eu senti uma dor enorme, não conseguia me mover, não conseguia parar de chorar, não sabia o que fazer...

— Vi!    — Olho para trás e vejo Lara de pé olhando pra mim e rapidamente vem me abraçar.

— Eu perdi o Victor!
Ele foi embora na primeira dificuldade, ele não pensou em nós.

— Tem calma.

— Eu preciso da minha bomba! — Entro, ignoro a presença de todos e vou até o meu quarto a correr mas a minha mãe me para pelo caminho.

— O que se passou, quem era aquele rapaz? Porque está chorando desse jeito?

— Eu não quero falar agora!

— Eu preciso saber o que se passa, quem era aquele rapaz?

— Aquele rapaz era o meu namorado, mãe... e eu o perdi, eu perdi o Victor... eu perdi a única pessoa que me compreendia, agora o resto pergunta pro teu marido! — Entro no quarto e vou até ao banheiro onde estava a bomba, sento no chão me lembrando das palavras frias que ele tinha me dito...

— Precisamos conversar!

— Sai daqui, eu não quero falar com você!

— Eu sei que está nervosa e confusa mas tem de perceber...     — Perceber? Eu já não sei no que acreditar, tem duas famílias e quer que eu perceba isso?

— Ouve, Violeta!

— Eu sempre pensei que você fosse um herói... o meu herói, o melhor pai do mundo, sempre lhe vi como um exemplo, sempre me apoiou, sempre esteve do meu lado e agora descubro que tem uma vida dupla?
Que tem um filho que tem quase a minha idade... eu descubro que esse tempo todo eu namorei com o meu irmão e você quer que eu perceba?

— Talvez isso só aconteceu para notares que ele não é rapaz para ti!

— Sabe o porquê dele ser assim? Porquê que ele faz o que faz? Porque você não lhe valoriza, porque não consegue perceber que tem um filho incrível, porque você só lhe crítica e nunca apoio como um pai, nunca está presente na vida dele...
Está sempre repreendendo a minha mãe quando ela critica tudo o que eu faço, quando ela me trata como uma irresponsável mas você faz exatamente a mesma coisa com o Victor, tudo o que ele queria era ter você mais perto, era que estivesse presente na vida dele... e você não ligou, foi preciso isso ter acontecido, foi preciso eu... eu!
E nem foi preciso eu conhecer ele por anos para notar o óbvio, que você não quer saber dele e nem da família dele... pensou pelo menos na Kataleya? Pensa o que é ter a idade dela e tentar perceber que o pai nunca está presente? Já tentou perceber se ela não sente a sua ausência? Pensou na minha mãe quando foi se envolver com outra mulher? Você pensou na nossa família ou só pensou em você mesmo?

— As coisas não são tão simples assim!

— Então explica, me diz o que se passa, qual é a desculpa para isto tudo?

— Não tem noção do quanto eu amo o Victor, eu amo aquele rapaz como meu filho!

— Como seu filho? Ele é teu filho!

— ...    — Pai, diz alguma coisa!

— ....     — Pai!

— ... o Victor não é meu filho...

— Como assim? Num momento ele é seu filho e depois já não é?
Então quem é o pai do Victor?

— Ele era meu colega de trabalho e também se chamava Victor... nós dávamos aulas numa universidade, você ainda não era nascida, o Victor tinha uma aluna... Helena, quando ele à conheceu parecia ter sido amor à primeira vista, eu avisei que isso iria dar confusão, ele estava fanático por ela mas não podia se envolver com uma aluna... ele fez de tudo para conquistar o coração dela mesmo sabendo que estava errado, mesmo sabendo que ela era mais nova e tinha um futuro a sua espera, eles se envolveram e a Helena ficou grávida, quando o Victor descobriu ele sabia que teria muitos problemas não só na sua carreira como educador mas também com a sua família, então ele desapareceu do mapa e eu nunca mais soube nada sobre ele...

— E a Helena?

— Seus pais descobriram e ela foi expulsa de casa... eu não podia ficar indiferente, estávamos falando de um bebê... um ser que necessita de cuidados, eu ajudei a Helena e cuidei do Victor como se fosse meu filho, era como se eu estivesse resolvendo os erros de outra pessoa, dei o sobrenome da tua avó... Davis e ele foi registado como meu filho!

— Mesmo assim muita coisa não bate certo, a Kataleya... o facto dele pensar que você só tem 3 filhos...

— Na cabeça da Helena você não existe... quando você nasceu, como sabes, a gente pensou que você fosse morrer, você nasceu com 7 meses, tiveste vários problemas respiratórios e tinhas poucas chances de vida, a Helena se sentia um peso na minha vida por causa das despesas e dos seus tratamentos então para que ela não se sentisse como um peso eu deixei que ela pensasse que você morreu... nessa altura o Victor tinha apenas 2 anos e mesmo assim ela desapareceu da minha vida e só voltamos a nos reencontrar 13 anos depois, ela voltou formada, com vários diplomas...

Estava extremamente transformada, depois nos reaproximamos e eu tive de tentar fazer parte da vida do Victor novamente, ele tendo 15 anos, só que ele me culpava por tudo, durante 13 anos ele achou que eu não queria saber deles, que eu os abandonei porque tinha outra família e criou esse monstro que pensa que eu sou... eu e a Helena voltamos a nos dar bem, comecei a me sentir atraído por ela e tivemos a Kataleya... 5 anos depois, cá estamos nós!

— Eu não sei o que dizer... esse tempo todo ele pensou que você não queria saber deles mas fez de tudo para os proteger, ele tem de saber disso, ele tem que ver que não é esse monstro que ele próprio idealizou!

— Ele não pode saber que não é meu filho!

— O quê? Por quê?
Essa é a única forma de nós podermos estar juntos outra vez.

— Então é este o seu plano? Nem pensar...
Tu e o Victor não podem ficar juntos!

— Me pede tudo menos isso, pai porque eu não vou ficar longe do cara que eu amo!

— Você nem sabe o que é o amor...
Vocês os dois são de mundos completamente diferentes não podem nenhum tipo de ligação!

— Você e a Helena também eram de mundos completamente diferentes e no entanto tiveram a Kataleya!

— Não é a mesma coisa, são situações diferentes... — É sempre diferente quando não é connosco, temos sempre uma desculpa quando o problema não é nosso mas eu não posso me privar de viver por conta dos seus erros do passado!

— Vocês são irmãos!

— Ele não é meu irmão... somos apenas dois jovens que foram criados pelo mesmo homem, não temos nenhum laço de sangue!

— E a sua mãe? Os teus irmãos? A Kataleya? Não está pensando nas outras pessoas, só em ti!

— Tu também não pensaste nessa família então não venha tentar me deixar com peso de consciência, ninguém aqui pensou na minha felicidade, durante o tempo que eu estive com o Victor eu vi o que é ser livre de verdade, eu vi o que é ter empatia, coisa que nunca tiveram por mim então porquê pensar na felicidade dos outros se ninguém pensou na minha?
Se eu e ele vamos estar juntos ou não cabe à nós decidir mas a verdade tem de ser dita... ou você conta a verdade ou eu conto!

FallingOnde histórias criam vida. Descubra agora