30 proposta

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Lívia🌵

— Lívia! Como é bom te ver aqui. — escuto logo que eu piso na sede onde acontece os eventos e distribuições de comida.

— Você já me conhece? — não lembro de ter visto esse mulher que fala como se me conhece-se a anos.

— Quem não te conhece? Você é a fiel do morro, as notícias aqui correm. — pelo jeito só eu que não tava sabendo desse título.

— Ok. Mas eu vim até aqui por outro motivo. — ela apenas assenti e me espera concluir. — fiquei sabendo que tá em falta cesta básica, é verdade?

— Sim! Infelizmente, desde que o Cabelinho foi preso às coisas ficaram complicadas, antes recebíamos cestas básicas e até mesmo dinheiro pra melhorias.

— Entendo, mas como vocês estão fazendo sem essa ajuda?

— No primeiro mês conseguimos manter, mas agora tá difícil já que ninguém tem condições de ajudar.

— Já tentou falar com o Jacaré? As vezes ele esqueceu que tem que dá o dinheiro. — a moça não aguenta e dá risada.

— O Jacaré? Aquele homem é o cão, tenho certeza que tirou de propósito, o único que realmente se importava era o Cabelinho.

Eu era prova viva de como o Jacaré era ruim, mas não achei que ele chegaria nesse ponto, mesmo estando muito magoada com o Victor eu sabia que ele jamais deixaria faltar algo.

Fui embora decidida a conversar com a mãe do Victor, para que ela falasse sobre o assunto com ele, mas no caminho encontra o Caveira todo machucado.

— O que aconteceu com você? — acabo assustado o coitado que estava distraído.

— Não foi nada não, tenho que ir. — fala rapidamente e tenta sair, mas eu o impeço.

— Eu não quero mais problema pro meu lado. — quando ele fala isso entendo na hora que esses machucados foram "culpa" minha.

— Foi o Jacaré que fez isso com você? Fala com o Victor isso não pode ficar assim. — Caveira gargalha e só para pela dor.

— Pode ter certeza que o Cabelinho sabe. — seu tom irônico me deixa confusa. — Foi ele que mandou, eu nem devia tá te contando isso, mas você tá no nome dele, acho melhor você se cuidar.

— Que porra é tá no nome dele? Se cuidar? Você acha que ele vai me machucar?

— Você é a fiel querendo ou não, isso te faz tá no nome dele, ninguém chega perto de você sem que ele saiba.

— Que negócio ridículo, ele acha que tá onde?

— Em uma cadeia, pode ter certeza que não tá pensando em contos de fada. — ele vê que me deixou assustada e trata logo de continuar. — Por isso acho melhor você ficar com o lado bom dele enquanto ainda dá tempo.

— O que você quer dizer com isso?

— Você vai ser dele de qualquer jeito, se eu fosse você tornava isso mais fácil, ele tá louco na sua se aproveite disso.

Caveira não me deixa responder, vira as costas e vai embora mancando, o que ele me falou fica martelando na minha mente, chego em casa e trato de ligar pro Victor.

Mas como o esperado nem chama, eu sei que aquilo tava na cara já que ainda era a tarde e ele não daria esse mole, mas também sei que na hora que ele pudesse retornaria correndo.

É! Talvez o Caveira esteja certo, é melhor ficar com a versão Victor do que conhecer o Cabelinho.

{...}

Meu celular toca escandalosamente, me fazendo acordar assustada e ver que é 3 hrs da manhã, nem preciso ler o nome pra saber que é o Victor.

Ligação on

Victor: Manda o papo, até sei do que se trata

— A sabe é? — fico irritada comigo mesma por perder a raiva quando escuto a sua voz rouca.

Victor: Claro, a rainha dos fracos e oprimidos, vai defender o amante? — dou risada por não acreditar no que ele tá falando.

— Amante? É sério mesmo, Victor Hugo? — não consigo acreditar que é isso que ele pensa.

Victor: Eu já sei que você tava com ele em uma barraco, Lívia. — fico em um silêncio por lembrar do Caveira me falando que estão me vigiando. — Vai ficar muda? Não vai nem negar?

— Eu realmente estive em uma barraco com o Caveira, mas foi pra conversar. — escuro a risada amarga dele do outro lado da linha.

Victor: É essa a merda da desculpa que você tem? Vocês não podiam conversar em outro lugar?

— Olha aqui isso não é uma desculpa, até porque eu não precisaria dar uma já que não tenho nada com você.

Victor: Isso é o que você pensa, olha Lívia, eu tô te dando todo o tempo do mundo, mas isso não vai durar pra sempre.

— Eu não tô pedindo isso, eu só quero que você me deixe em paz.

Victor: Não é o que você quer, eu sei disso por conhecer cada centímetro do seu corpo, você me ama, só não quer reconhecer.

— Você é um iludido, e meu corpo não reage mais a você porque agora eu sei que você é um traficante de merda.

Victor: Me prove, Diaba.

— Como assim?

Victor: Venha em uma visita íntima e se você realmente resistir a mim, eu te deixo em paz de verdade, nunca mais você vai me ver.

— Visita íntima? Como nunca mais ia te ver? Você ainda é o dono desse morro.

Victor: Sim, visita íntima. Você sabe que morador não fica vendo o dono nem quando todo mundo sabe quem ele é.

Fico em silêncio processando a proposta que ele me fez, eu realmente teria coragem de ir em uma cadeia e ainda mais em visita íntima? Eu sabia que não conseguiria transar naquele lugar nojento.

Isso me faria "ganhar" ele me deixaria em paz, mas a pergunta é eu realmente quero isso?

Victor: Lívia? Ta ai ainda?

— Tô sim, eu topo. — solto rapidamente e fecho os meus olhos esperando o que ele falaria.

Victor: Beleza, eu vou ver tudo com o pardal e ele te avisa. — percebo que a voz dele fica séria.

— Tudo bem.

Ligação off

Ele desliga na minha cara, fico sem entender até porque era isso que ele queria.






Vida dupla / Dono do MorroOnde histórias criam vida. Descubra agora