PDV. LETÍCIA
ReservaLR_Souza
- Vem aqui caralho - Vesgo puxa meu braço.
Medo nem de longe é o que eu sinto, tá mais pra pavor ou qualquer coisa que seja mil vezes pior que medo.
Sou piranha assumo mais, só coloco a mão onde sei que alcanço desde início eu deveria ter ficado bem longe de tudo isso mais não, tive que falar tudo que eu sabia.
Olho pra todos os lados e pra cada janela da rua atrás de uma alma fofoqueira que esteja disposta a perguntar o que está acontecendo.
Coisa que não vai acontecer né Letícia.
- Me solta Vesgo - ele segura no meu queixo com força.
- Então você estava se escondendo?- meus olhos enchem de lágrimas - Tá chorando Letícia?- tento me soltar mais é em vão.
- Me solta caralho - ele aperta com mais força.
- Vai fazer o que Letícia? Me diz que vai abrir a boca e contar tudo que sabe?- solto um gemido baixo. - Você nunca conseguiu manter sua boca fechada por muito tempo - o sorriso dele é estranho.
Vesgo nunca foi o tipo de vapor que você sentia medo, na verdade muita gente não dava nada por ele.
É desses que devemos sentir medo, Vesgo sempre se mostra muito prestativo, cuidadoso e dependendo da situação ele sabe usar muito bem tudo isso.
Ele nunca vai tá do lado que não tem vantagem pra ele, perder não está nos seus planos.
O tipo de jogo que ele está jogando tem a possibilidade de uma em um milhão, sempre foi tudo ou nada.
E Vesgo está apostando tudo que tem.
- Me solta Vesgo - ele finalmente me solta.
- Tá tudo bem aqui?- um vapor surgiu das sombras.
- Tudo sim né Letícia?- tinha lágrimas espelhadas por todo meu rosto, tá na cara que eu não estou bem.
- Tá sim - forcei um sorriso.
- Ótimo - ele deu as costas e voltou a sumir.
- Letícia, Letícia - a voz dele é assustadora - A gente poderia ter reinado juntos aqui, mas você tinha mesmo que abrir sua boca?- ele dá alguns passos na minha direção fazendo com que eu dê alguns passos pra trás.
- Vesgo...
PDV. LÍVIA
Fico um tempo deitada na cama, olho pro relógio no criado mudo e vejo que são 20hs, olho pro meu lado e vejo um emaranhado de cabelos e de lençol.
Abro um sorriso e tiro um pouco dos fios do seu rosto.
Cinthia é linda.
Me levantei da cama com cuidado e saí do quarto desde que cheguei da clínica, não comi nada, sinto uma fisgada na perna e tento ignorar.
Se alguém me dissesse um ano atrás que estaria vivendo em uma realidade alternativa e que eu seria a nova Bibi perigosa eu daria uma bela risada.
Às vezes eu espero que isso seja apenas um surto coletivo.
Mas sei que tudo isso foi graças às minhas escolhas e como tudo na vida tem conseqüências....
- Lívia, você assinou literalmente um contrato com o diabo e vendeu a sua alma - falo enquanto caminho pra cozinha atrás de alguma coisa pra comer e do remédio pra aliviar a dor na minha perna.
- Agora eu sou o diabo Lívia?- minha respiração fica presa e paro no lugar.
- Leal?- me viro pra trás e vejo ele sentando em uma poltrona na sala..
- Tem remédio e uma fatia de bolo de maracujá na mesa - olho pra mesa e vejo tudo que ele disse lá - Coma - sem falar nada, caminho até a mesa e faço o que ele disse.
Tomo o remédio e começo a comer, a casa continua em silêncio como se não tivesse ninguém aqui, se não fosse pela sensação de ter os olhos de Leal sobre mim até que eu poderia acreditar que estava sozinha.
- Então Lívia como foi esse contrato com o diabo - os polegares dele fazem movimentos circulares na minha pele. - Espero que você tenha ganhado alguma coisa com isso - seu tom de voz é baixo e grave.
Nunca dá pra entender tudo sobre Leal e todas as vezes que você acha que já pode dar um assunto como encerrado, ele vem e te mostra que as coisas não são bem assim.
- Leal - minha voz é um sussurro.
- Vamos deixar uma coisa clara aqui - balanço a cabeça, as mãos de Leal fazendo uma trilha delicada e perigosa até o meu pescoço.
Eu já sabia o motivo da sua conversa e da sua fala mansa, mesmo assim não tive força pra sair daquela situação.
As mãos deles seguram meu pescoço com força e uma delas faz com que eu olhe pra ele.
Lá estava o Leal que todo mundo conhece letal, silencioso e traiçoeiro como um verdadeiro raposa.
Seu rosto tinha um sorriso de satisfação e seus olhos brilhavam com desejo e luxúria, Leal já tinha deixado bem claro que gostava do jeito como eu olhava pra ele.
- Gosto quando você faz essa cara - seu rosto fica cada vez mais próximo. - Mais gosto ainda mais quando você geme pra mim Lívia - sua boca fica bem próximo do meu ouvido.
Leal solta meu pescoço, suas mãos trilharam um novo caminho e mais perigosos.
Solto um gemido quando uma das suas mãos aperta meu peito com força e fecho os olhos.
- Cinthia é minha filha, Lívia e nada nem ninguém vai me separar dela - toda aquela certeza me causava raiva.
- Até você ser preso de novo - tudo bem, não deveria ter dito aquilo e o olhar de Leal deixou isso claro.
- É só não sumir com a minha filha, aí eu não vou precisar matar ninguém de novo - ele me solta e some pela porta da frente.
☺☺☺☺
Quando será que ela vai descobrir tudo?
As vezes a resposta está na nossa cara e a gente que não quer ver.
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LR
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Hoje tem visita
Literatura FemininaO que leva uma pessoa a fazer visita íntima? Eu sinceramente não sei e se dependesse de mim nunca iria descobrir, até um dia que fiz minha primeira visita. Não estou nessa vida por luxo ou dinheiro... mentira talvez pelo dinheiro, eu precisava dele...
