2 - parte 3

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— Ele é dono do Bella Itália, ele só tem um ano, mas é um sucesso — ela conta animada.

— Nunca ouvi falar, então não é um sucesso.

— Claro! Porque a medida para o mundo do que é bom ou não depende exclusivamente da sua opinião. Como alguém pode ser tão egocêntrico?

Sorrio.

— Eu sou o rei do meu mundo, tenho o direito a ser egocêntrico, Letícia.

— Anna! Meu nome é Anna, você precisa se lembrar disso ao falar com meu noivo!

— Não prometo nada.

Ela fica finalmente calada, até avistarmos o restaurante de esquina do seu noivo. Ao contrário do que ela pensa ele está longe de ser famoso ou reconhecido. Mas não digo isso a ela. Paro o carro em frente ao restaurante e espero suas instruções, ainda não acreditando que são quase dez da noite e estou em um subúrbio com uma maluca no meu carro para salvar a vida amorosa dela. Leandro vai rir disso o resto da vida.

— Sabe, é legal tudo o que você tem. Todo o dinheiro, os bens, o prestígio e as pessoas dispostas a fazer o que você quer na hora em que você quer. Mas a vida é bem mais do que isso. Um dia você vai perceber e vai olhar em volta da sua enorme mansão e entender que não tem nada. Nada disso você vai levar embora. Nada disso vai importar quando se sentir sozinho. Você pode comprar companhias, mas não pode comprar sentimentos.

— Não tenho o menor interesse em comprar sentimentos. Não os quero nem de graça.

— Ainda não. Mas você vai sentir um dia, vai ligar seu lado emocional ao menos uma vez, vai precisar de alguém que o entenda, no mínimo, que o aceite como é. Que não desista de você. E essa pessoa não poderá ser comprada por dinheiro nenhum no mundo.

Sorrio de sua ingenuidade.

— Não sei quem você é, de onde veio ou o que viveu, já que esse noivo é tudo o que você tem, mas você é ingênua, Anna. Você não sabe porque provavelmente não o tem, vestindo esses trapos e morando naquele apartamento minúsculo, mas o dinheiro compra tudo. Absolutamente tudo! Esse papo que dinheiro não traz felicidade é balela para gente pobre. Lembre-se disso. Seja mais gananciosa e menos fantasiosa, busque sua independência financeira, suas próprias conquistas e não um casamento.

Seus olhos cor de mel parecem puro fogo agora, ainda assim, ela tem um sorriso no rosto que me irrita, como se eu fosse o errado aqui e não ela a inocente.

— O nome dele é Igor, chef Igor para você. Você pode entrar.

— Espero que já esteja longe do meu carro quando eu sair.

— Prometo.

Desço do carro e entro no restaurante, olhando em volta e entendendo o quão pouco essa garota conhece da vida. Se ela acha isso aqui o auge, não consegue sequer imaginar o que é de verdade um bom restaurante. Passo direto pela funcionária que nem tenta me impedir até a cozinha, mas o chef não está lá. O que imagino ser o subchefe dele indica a direção de sua sala e entro sem bater porque não tenho esse costume, e ali está o babaca que tentou me acertar na boate, se atracando com uma funcionária qualquer. Enquanto a maluca da noiva dele chora pelos cantos achando que perdeu seu sentido na vida.

Um otário.

Ele se assusta ao me ver, se afasta da mulher tentando me intimidar na maneira como me encara, então falo antes que ele comece com uma ladainha qualquer:

— Estou aqui a pedido da Anna. Ia dizer a você que não temos nada, tudo foi uma coincidência estranha do acaso e eu nunca toquei na sua noiva mais do que o beijo que dei nela sem querer naquela boate, mas olhando você agora...

Ele veste rapidamente as calças, o rosto já atingindo uma tonalidade vermelha.

— Ela é boa demais para você, não é? Linda demais, esperta demais, delicada demais. Não, você não merece alguém como ela. Pensando bem, vou dizer a verdade. Fizemos sexo selvagem o dia todo, como é doce a Anna, como é receptiva e calorosa! O que você interrompeu naquele banheiro minúsculo, fizemos muito melhor na minha casa agora pouco. Ela nem vai sentir sua falta. Estarei disponível para ela sempre que ela quiser repetir a dose. Enfim, só queria dizer isso.

Saio de sua sala e ele vem atrás de mim praguejando algo que sequer presto atenção. Avisto Anna na porta do restaurante, os olhos esperançosos, sorri quando vê o imbecil do noivo me seguir e caminho mais rápido para alcançá-la antes dele. Seu sorriso de gratidão é tão bonito que me sinto um pouco mal pelo que fiz a ela, mas vai ser bem melhor assim para ela. Ele não a merece. Ela precisa querer mais da vida do que um homem.

— Tudo resolvido, linda — digo acariciando seu rosto e ela parece imediatamente confusa. — Me agradeça depois — completo enfiando os dedos em seus cabelos e puxando sua boca de encontro a minha para mais um beijo delicioso.

Ela é maluca, simples demais e inocente, mas é deliciosa. O beijo dela é delicioso. Há um calor nela, como um incêndio contido por sua personalidade pacata, mas esse fogo queima dentro dela e vem à tona em seus lábios. Sempre receptiva, sempre corresponde, mais uma vez me deixa duro com apenas um beijo.

A solto então, atordoada e confusa. Ela encara o noivo em choque e deixo o restaurante. Ela queria minha ajuda, minha parte está feita.

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Até sexta, amoras.

Acaso ou destino - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora