CAPÍTULO IX

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SUA IMPORTANTE MAGIA

Conforme os anos se passavam, Babá compreendia que a gelidez interior de Malévola estava derretendo. A menina não sabia se por conta do amor de Babá ou pela coisa que vinha crescendo dentro dela já há algum tempo – a queimação terrível que às vezes sentia quando brava ou triste. Tentou bani-la de sua mente e se concentrar na magia. Sua importante magia, que estudava a cada oportunidade. Na estante de Babá, ela encontrara diversos tomos escritos pelas irmãs esquisitas, três bruxas chamadas Lucinda, Ruby e Martha. Suas páginas estavam repletas de toda espécie de bruxaria que intrigava Malévola.
Um dos feitiços, em especial, a interessou. Requeria um conhecimento superficial de ervas junto a cabelo de bruxa e instruções escritas a tinta num minúsculo pedaço de pergaminho. Esses ingredientes teriam que ser ingeridos por uma rã bem grande, a quem a bruxa ordenaria que encontrasse sua vítima. A rã então deslizaria pela boca aberta da pessoa adormecida e viveria em sua garganta, à espera de ordens vindas da bruxa por intermédio de telepatia. Malévola teve que procurar o significado de telepatia. Quando o encontrou, por fim teve uma palavra para algo que observara em Babá: a habilidade de ler mentes e de se comunicar sem falar. Pelo que Malévola lera no livro, concluiu que esse feitiço repulsivo devia ser aterrorizante para a vítima. A bruxa poderia comandar a pessoa a fazer quaisquer coisas que desejasse. A rã só sairia à noite, enquanto o hospedeiro dormisse, a fim de relatar suas descobertas à bruxa, para depois se apertar de volta pela boca aberta da vítima antes da alva matinal. A vítima tinha ciência de que existia algo morando em sua garganta, mas era incapaz de dizer qualquer coisa a esse respeito.
O livro também tinha uma variante do feitiço, no qual a bruxa tomaria algo pessoal da vítima que desejava comandar, em vez de usar uma rã. Poderia ser qualquer coisa: uma xícara de chá, uma escova de cabelo ou um anel. E parecia que algumas bruxas colecionavam tais itens para o caso de um dia necessitarem deles. Malévola não queria executar esse tipo de bruxaria. Esses feitiços, na verdade, pareciam-lhe assustadores e repulsivos. Ela apenas gostava de ler e de aprender a respeito deles. Malévola também amava ler as anotações líricas e, com frequência, hilárias nos livros das irmãs. Elas logo se tornaram suas feiticeiras prediletas e suas bruxas favoritas.
Malévola gostava de saber das coisas. Isso lhe dava poder. Dava-lhe confiança. Quanto mais lia e aprendia, menos ela temia as outras fadas. Sentia muito orgulho de, enquanto as outras fadas aprendiam a enfeitiçar vassouras, estar aprendendo feitiços e encantamentos valiosos que poderia usar quando por fim se aventurasse fora da Terra das Fadas. Malévola estava aprendendo magia de verdade.
Isso era o mais excitante de tudo.

Malévola: A Rainha do MalOnde histórias criam vida. Descubra agora