I shouldn't be here!- Eric Clapton (Pt_br)

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Em meio a cobertores pesados e travesseiros fofinhos despertei. Era uma cama de casal grande com edredons cinzas e travesseiros brancos. O espaço vazio ao meu lado manteve o calor do corpo de alguém que acabara de levantar. Em meio a bagunça que se encontrava no piso do quarto consegui encontrar minhas roupas e sapatos, mas... ''Que lugar é esse??' foram as primeiras perguntas que passaram pela minha mente. Observando a vista e levando em conta a iluminação, era manhã, pelo que me lembrava do dia anterior, era uma sexta feira, logo, era manhã de sábado. 

Eu realmente não me dei conta de onde estava até reconhecer o enorme painel de cortiça com tachinhas coloridas e calendários marcados: Era o apartamento de Eric. 

Afinal, como não reconheci o forte aroma de perfume? Ou indentificar o lindo abajour acinzentado ao lado da mesa de cabeceira? Ou até mesmo a pequena caderneta que sempre levava consigo?

Mas o que raios eu fazia lá? Que horas exatamente eram? Como cheguei lá e por quê? Eram perguntas demais rodeando minha mente naquele momento. Não era a primeira vez que estava lá, mas não devia ter uma segunda.

Tive certeza absoluta de que lugar estava ao abrir a porta do quarto escuro e me deparar com a espaçosa sala de estar iluminada por uma enorme janela de vidro que dava vista para a cidade. Era como uma bagunça organizada, papéis com letras de canções inacabadas sobre a mesa que pareciam colocados propositalmente naquela exata posição. O violão acomodado sobre o grande sofá de couro marrom e seus óculos castanhos pousados ao lado. O fofo tapete de pelos brancos e almofadas macias deixavam o ambiente confortável e aconchegante. Mais adiante uma peça chamava toda atenção: sua grande televisão preta com botões prateados sobre o móvel de madeira que guardava lindos livros com capas coloridas.

Caminhando a passos lentos e silenciosos, finalmente cheguei a cozinha, e lá estava ele, os cabelos bagunçados e aspecto cansado. -Bom dia- disse com a voz rouca e estranhamente animada enquanto dispunha xícaras de café sobre a reluzente mesa de vidro. 

Se existe um motivo pelo qual não consigo me irritar com Eric certamente é o fato de ser atencioso. Queria conseguir me zangar, queria conseguir sentir raiva, mas esse único fato me impede de fazê-lo.

Foi uma refeição agradável eu diria, nossos poucos diálogos se deram por músicas ou matérias reproduzidas pelo pequeno rádio preto com detalhes prateados posicionado sobre o balcão da pequena cozinha de piso quadriculado. Por mais que tranquila e sem transtornos, ainda existiam tentativas de aproximação por parte dele, seus olhos castanhos profundos e brilhantes se aproximavam lentamente, podia sentir meu coração palpitando freneticamente, minha única reação foi me levantar e perguntar onde ficava o banheiro - A primeira esquerda- respondeu com tom de decepção.

"Era apenas isso que eu queria" pensei logo ao abrir a porta. Era um banheiro pequeno, ao fundo um grande box com uma pequena janela onde estavam apoiados sabonetes e outros produtos do gênero, e a direita tudo que eu precisava: Um enorme espelho chamava atenção para a bancada com sua cuba branca.

Decidi não me aventurar em tomar um banho, seria muito longo e achei que seria inconveniente, de qualquer modo eu queria passar o mínimo tempo possível naquele apartamento. Tudo que podia fazer era lavar o rosto e encarar a situação.

Após cerca de dez minutos pensando no que fazer, resolvi que sairia, sem muita cerimônia um adeus seria dito e fim. Não era tão complicado assim afinal.

Dito e feito. Abri a grande e pesada porta maciça do pequeno banheiro e o encontrei sentado no sofá com semblante triste e preocupado. Segui firme no plano, um adeus foi dito, seco, curto e alguns diriam que até cruel. Consegui localizar rapidamente meu grande e pesado casaco pendurado ao lado da entrada. Apenas um pequeno botão metálico restava para que aquilo acabasse de uma vez.
- Isso é um adeus ou até logo?- ouvi ao fundo, e preferi apenas não responder, já tinha minhas próprias perguntas para responder, não estava com cabeça para mais delas.

Adentrei o elevador e por uma última vez, espero eu, pude olhar o caos organizado que compunha um lindo e aconchegante apartamento.

     
         Não era um adeus...

In heaven- Rock one-shotsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora