Capítulo 6

260 19 9
                                        

Quando sentei ao lado de Kirishima novamente todos me olharam com espectativa. Sorri de canto e olhei para o ruivo ao meu lado.

- E então? - Murmurou.

- Ele vai voltar com a gente para o Japão. - Falei animado.

- Qual a sua relação com o nosso professor? - Alex perguntou, além da nossa turma estava a de casa também, todos em uma única mesa.

- Ele é o ex do meu pai. - Eijiro engasgou quando ouviu isso. O ajudei enquanto ria e ele me olhou surpreso.

- Ele? Ex do tio Masaru?! - O mais novo estava chocado, não esperava por isso.

- Sim. O casamento dos meus pais foi algo forçado, estavam sobre pressão da família. Eu nasci, continuaram juntos, mas era mais uma relação de amigos, cuidavam de mim muito bem. - Sorri de canto. - Nunca se beijavam, ao menos não na minha frente. Foi então que quando completei um ano fui apresentado ao pa... - Fingi uma falsa tosse. - Ao tio Kim. Minha mãe é homofóbica, então meu pai mentia dizendo que ele iria me levar para uma mini viajem em uma cidade próxima quando na verdade me levava para a casa do Kim. Lá eu me sentia muito mais confortável, eu via meu pai feliz, sorrindo, sem contar os gemidos, nunca vou esquecer daquilo. - Fiz careta. - Eles mantinham um relacionamento as escondidas, como eu era um bom filho escondi isso, gostava do Kim.

- E por que ele está aqui agora? - Eve perguntou.

- Quando eu tinha uns treze ou doze anos ele recebeu uma proposta de emprego aqui. Conversou com meus pais, apesar de tudo todos eram amigos desde o ensino médio. Pediu a opinião de todos, inclusive a minha. Ele foi embora enquanto minha família estava em viajem, não nos despedimos, perdemos contato e agora é isso...

- Mas você parecia muito íntimo dele, muito mesmo. - Kiara murmurou.

- Eu o considero um pai. Na verdade eu chamo ele de pai, só chamo de tio quando estou com raiva dele. - Ri um pouco alto.

- Como eu nunca descobri isso? - Ouvi Kirishima dizer.

- Naquela época você era esforçado, parecia um nerd, estudava toda hora. Estávamos em época de prova e você se desligou do mundo. - Fiz um biquinho. - Eu odiava essa sua versão. - Admiti.

- Por que? - Perguntou.

- Você não me dava atenção, sua irmã quem brincava comigo. - Cruzei os braços. - Você era muito mau naquela época. - Bufei.

- Own 'medesu'... - Senti seus braços ao redor da minha cintura e logo me vi sentado no colo do mais novo. - Você é muito fofinho irritado, sabia?

- Não. - Continuei com o biquinho e os braços cruzados.

- Não faz essa carinha... - Pediu segurando a risada. - Você gosta quando te dou atenção?

- Claro! - Quase gritei. - Mas você é um tapado, não me dá atenção. Se eu fosse um bebê? O que faria?!

- Ficaria com você no colo toda hora. Você era muito fofinho quando era um bebezinho, parecia uma bolinha. - Se aproximou mais e continuei na mesma posição. O resto do pessoal observava tudo em silêncio.

- Cala a boca. Não fale de mim, ainda lembro quando você ficava me assustando. - Falei.

- Admita, eu dou um belo tubarão. - Sorriu mostrando os dentes pontudos.

- Hunf... - Continuei do mesmo jeito. O ruivo se aproximou mais e realizamos um beijo de esquimó, involuntariamente sorri e retribuí me segurando para não beijá-lo.

- Não se irrite. - Ele pediu ainda com a ponta do nariz colado ao meu. - Apesar de ser fofinho você é cruel quando está irritado. - Ri da sua fala e afirmei. - Ótimo! - Se afastou minimamente sorrindo grande. - Já volto. - Me colocou no banco novamente e saiu correndo.

Depois da TraiçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora