Capítulo 18: Espião

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Point of view: Bright

Depois da minha quase tentativa de homicídio contra a cobra do Khaottung eu estava na empresa agora, andava a passos largos em meio a minha putez, quando esbarrei em alguém sem querer.

— Ah meu Buda, desculpa... Você?!

— Oi Sr. Brilhante, tudo bom?

— O que você está fazendo aqui?

— Eu trabalho aqui.

— Desde quando?

— Vai fazer um mês. — Sorriu.

— Como nunca te vi por aqui antes? — Apertei meu olhar na direção daquele que eu já conhecia de certa forma.

— Eu sou do setor de administração, por isso não nos vemos muito.

— Ah... pode ser. — Ele não me convenceu, algo me cheira mau. — Como vai Frank, tudo bem?

— Tudo sim. Melhor agora na sua companhia. — Ah que brega.

Desde que esbarrei nele naquela boate achei ele uma pessoa careta, ele tem uma aparência simples, de moçinho recatado e do lar. Frank era um homem careta tradicional. Certamente sem muitas emoções em sua vida e nerd. Aposto que dá a vida pelo trabalho. Esbarrar nele pela segunda vez seguida era muito estranho. Porque ele tinha que trabalhar justamente na mesma empresa que eu?

— Ah que gentil. — Forcei um sorriso pro comentário broxante.

— Então, como vai a vida?

— Nada demais, comecei a trabalhar aqui faz alguns dias.

— Sei, você trabalhava na lanchonete. Como conseguiu ser secretário particular do chefe?

— Ah, digamos que foi sorte.

— Achei bem legal, agora você tem status dentro da empresa. Sabe de uma coisa, sempre soube que você tinha bem mais potencial pra fazer algo maior do que só ser um atendente numa lanchonete. Veja bem...

Por Buda, lembrei, ele não cala a boca. Começou a tagarelar na minha frente enquanto eu ouvia e fingia prestar atenção nas caretisses que ele dizia. Que cara chato. Lembro que no dia que ele me deixou em casa, passou o caminho todo fazendo perguntas. Ele fala tanto que me entedia.

— Ok Frank, foi um prazer te rever, saber que você trabalha aqui mas agora eu tenho que ir.

— Ah... ok, foi ótimo te rever, você está mais bonito.

— Sempre tão gentil. — Alguém tira ele de perto de mim? — Tchau.

— Tchau Sr. Brilhante.

Que chato, até o apelido que ele me dá é cafona, nossa.

O dia foi passando e não reencontrei Khaottung. Talvez tenha ido embora cuidar da própria vida. Intrometido dos infernos. Reencontrei outra pessoa três vezes naquele dia. O Sr. Chato.

Lembro de ter ido no banheiro e encontrar ele lá, fui as impressoras e lá estava ele, no refeitório na hora do almoço ele teve a ousadia de sentar na mesma mesa que eu. Que raiva. Esse cara tá me perseguindo?

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