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Bianca

Eu preciso parar de ir dormir tarde, agora eu estou quase atrasada para o trabalho.

Levantei correndo da cama, fiz minhas higienes e troquei de roupa. Nem tive tempo de tomar café direito, apenas peguei o carro e dirigi até cafeteria.

- Atrasada de novo Andrade? - Droga ele já tinha chegado.

- Daniel, você sabe que eu odeio quando chama de Andrade! - Revirei os olhos.

- Temos que chegar cedo pra ver se alguém vai vir pela proposta de emprego - Daniel disse enquanto arrumava as mesas.

- Vai ser milagre se alguém vier procurar emprego nessa cafeteria falida - Falei colocando meu avental - Não sei porque minha mãe ainda não vendeu essa merda.

- Credo Bianca, isso é tudo que sobrou do seu pai!

- Como se ele tivesse se importando em deixar alguma coisa pra gente.

Faz alguns anos que meu pai morreu, eu e ele nunca tivemos uma boa relação, antes dele morrer, descobrimos que ele tinha uma amante e que deixou toda a herança pra ela, o que deixou pra mim foi a casa e uma cafeteria falida.

Como minha mãe não queria vender a cafeteria, começamos a procurar alguém para trabalhar, e é óbvio que não tinha ninguém interessado.

Enquanto eu arrumava o balcão e Daniel as mesas, ouvimos a porta abrir e uma garota loira entrar.

- Oi... É aqui que estão procurando por uma atendente? - A garota disse.

Ela era alta, tinha um jeitinho doce, sem falar que era linda demais, tanto que eu fiquei sem reação ao ver ela entrar.

- S-sim é aqui - Falei ainda sem reação nenhuma.

- Eu sou a Rafaella, estou interessada na vaga - Ela veio até o balcão e estendeu a mão.

Eu ainda estava sem reação, ela era realmente linda, mas você não curte garotas Bianca, e também não curte pessoas.

- Que bom - Apertei a mão dela por educação - Como realmente precisamos preencher a vaga, pode começar hoje.

Tirei meu avental e entreguei para ela, a moça agradeceu e eu fui para a cozinha sem dizer nada.

Eu não gosto de pessoas, prefiro muito mais ficar sozinha do que estar rodeada de pessoas inúteis.

Comecei a preparar algumas coisas para colocar no balcão para vender e logo vi Daniel entrar na cozinha.

- Quer ajuda? - Ele perguntou.

- Não! Pode ir ajudar a Marcella! - Falei concentrada em minha massa.

- O nome dela é Rafaella! - Daniel corrigiu - Você precisa ser mais simpática Bianca, desse jeito ela vai se sentir mal recebida.

- Daniel, eu preciso fazer os doces pra pôr no balcão, então se você puder me deixar em paz eu agradeço muito!

Daniel revirou os olhos e saiu da cozinha, ele era a única pessoa que eu conversava, porque ele era meu meio irmão, então eu era obrigada a falar com ele.

Durante o expediente, não troquei muitas palavras com a tal da Rafaella, eu levava as coisas para o balcão e ela atendia as pessoas com um sorrisinho simpático no rosto.

Ela tinha aquele olhar doce e o jeitinho simpático que de certa forma me encantava, MAS EU NÃO CURTO GAROTAS!

Era perto das 21:00 horas, já estava na hora de fechar, Daniel e Rafaella ficaram conversando enquanto limpavam as mesas e eu fui limpar a cozinha, sozinha como de costume.

Após tudo limpo, saímos e eu tranquei tudo, Dan e eu entramos no carro e ele insistiu pra eu dar carona para Rafaella, como ela morava perto não me importei.

- Obrigada pela carona - Rafaella disse assim que parei em frente a casa dela.

- Disponha - Daniel respondeu e eu voltei a dirigir até em casa - Porque você é tão fria com ela?

- Não enche o saco Dan!

- Você precisa parar de ser assim Bianca, por isso que você não tem amigos! - Ele disse descendo do carro e entrando em casa.

Entrei em seguida e fui direto para o meu quarto, não estava afim de conversar com ninguém e também não estava com fome.

Tomei um banho e vesti uma roupa confortável, estava me preparando pra mais uma noite de insônia.

Pode parecer estranho, mas toda noite depois que todos iam dormir, eu me tornava uma Bianca cheia de fantasias, mas nunca disse nada pra ninguém, talvez porque eu tivesse medo do que minha mãe pensaria.

Já eram 2:50 da manhã, levantei da cama, pulei a janela e comecei a correr até um lago que tinha por perto.

Eu gostava disso, eu me sentia livre, era apenas eu, então ninguém ia se importar de eu estar correndo pelo meio do mato ou sentada perto do rio as 3 da manhã.

Cheguei no rio, me sentei em uma pedra como de costume e então dei um sorriso largo, eu podia me sentir livre.

Minha mãe sempre quis que eu fosse advogada, mas eu odiava isso e sempre quis cantar, então como sempre fechei os olhos e comecei a cantar a música "This City do Sam Fisher"

No meio daquela vibe ouvi os passos de alguém, então parei de cantar e me abaixei atrás de uma pedra.

- Porque está se escondendo? - Ouvi uma voz sussurrar.

- Q-quem é você? - Me levantei devagar.

- Sou Rafaella, eu te ouvi cantando de longe - A garota disse

Rafaella? Que droga, a garota da cafeteria, porém ela não me reconheceu, talvez porque fosse noite e porque eu estava com uma máscara sobre os olhos.

- Não deveria estar aqui a essa hora - Falei.

- Falou a garota que estava cantando as 3 da manhã sentada em uma pedra - ela disse e sorriu.

- Cada um com suas bobagens - Acabei sorrindo junto.

- Qual seu nome? - Rafaella perguntou

- Eu não tenho nome - Me sentei novamente e sentei na pedra.

- Qual é? - Ela se sentou ao meu lado - Todos temos um nome.

- Eu não tenho - Olhei para ela, eu não podia dizer que eu era a Bianca da cafeteria.

- Tudo bem, você tem uma voz linda, foi isso que me atraiu até aqui, nesse caso vou te chamar de Sereia.

- Sereia... Eu gosto disso.

🧜🏼‍♀️

MERMAIDOnde histórias criam vida. Descubra agora