XIV OS EXPURGOS REPARADORES

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Em conseqüência, o vasto continente da Lemúria, núcleo central da
Terceira Raça, afundou­se nas águas, levando para o fundo dos abismos milhões de
seres rudes, vingativos, egoístas e animalizados. Este continente, chamado na literatura hindu, antiga Shalmali Dvipa, compreendia o  sul da África, Madagascar, Ceilão, Sumatra, Oceano Índico, Austrália, Nova Zelândia e Polinésia, foi a primeira terra habitada pelo homem. Sua atmosfera era ainda muito densa, e a crosta pouco sólida em alguns
pontos. Segundo algumas tradições, o homem lemuriano ainda não possuía o 
sentido da visão como o possuímos hoje: havia nas órbitas somente duas manchas
sensíveis, que eram afetadas pela luz, porém sua percepção interna, como é natural, era bastante desenvolvida. Os lemurianos da Terceira Raça­Mãe eram homens que apenas iniciavam a
vida em corpo físico neste planeta; não possuíam conhecimento algum sobre a vida
material, pois utilizaram corpos etéreos nos planos espirituais donde provinham, com os quais estavam familiarizados. Desta forma, suas preocupações eram todas
dirigidas para esta nova condição de vida, desconhecida e altamente objetiva. Em suas escolas primárias os Instrutores desencarnados que os orientavam, se referiam às forças cósmicas que regem o Globo e fortemente os cativavam e
surpreendiam, por serem forças de um astro ainda em fase de consolidação e cuja
vida, portanto, era inóspita, perigosa; ensinavam, também, sobre fatos referentes à
natureza física, às artes e ao  desenvolvimento da vontade, da imaginação, da
memória, por serem faculdades que desconheciam. A maior parte da população vivia em condições primitivas, análogas às dos
animais, e as formas físicas que acabavam de incorporar, facilmente degeneraram
para a selvageria, muito  mais rude e impiedosa que esta que ainda hoje
presenciamos aqui na Terra junto às tribos primitivas de algumas regiões da Ásia, da
Austrália e das ilhas do Pacífico Sul. A Lemúria desapareceu 700 mil anos antes do alvorecer da Idade Terciária. Sua existência, como muitas outras coisas reais, tem sido contestada e não é
admitida pela ciência oficial, porém, ao mesmo tempo, essa ciência considera um
mistério a existência de aborígines na Austrália, a imensa ilha ao sul do Oceano 
Índico, tão afastada de qualquer continente. Esses aborígines são até hoje
inassimiláveis ante a civilização, extremamente primitivos e de cor escura como os
próprios seres que habitavam a antiga Lemúria.
O território da Austrália apresenta aspectos e condições que a Terra teria
tido em idades remotas, e os próprios animais são ainda semelhantes aos que
viveram naqueles tempos. Mas, assim como sucede em relação à Atlântida, a ciência, aos poucos, vai­  se aproximando dos fatos e aceitando as revelações e as tradições do mundo 
espiritual, sobre as quais nenhuma dúvida deve persistir a respeito destes fatos. Com este cataclismo grandes alterações se produziram na crosta terrestre:
1)  completou­se o levantamento da Ásia;
2)  as águas existentes a oeste desse continente refluíram para o norte e para o 
sul e em seu lugar se suspenderam novas terras formando:
a) A Europa
b) A Ásia Menor 
c) A África em sua parte superior.
Ao centro e norte desta ultima região, formou­se um imenso lago que os
antigos denominaram “Tritônio”, que, mais tarde, como veremos adiante, foi
substituído por desertos. Desse cataclismo, todavia, milhares de Rutas se salvaram, ganhando as
partes altas das montanhas que ficaram sobre as águas e passaram, então, a formar 
inumeráveis ilhas no Oceano Índico e no Pacífico, as quais ainda hoje permanecem, como também atingiram as costas meridionais da Ásia, que se levantaram das águas, e cujo território se lhes abria à frente, acolhedoramente, como também sucedeu em
relação à atual Austrália. Nessas novas regiões os sobreviventes se estabeleceram e se reproduziram
formando povos semi­selvagens que, mais tarde, com o suceder dos tempos, foram
dominados pelos Árias — os homens da Quinta Raça — quando estes invadiram a
Pérsia e a índia, vindos do Ocidente. Os descendentes desses sobreviventes Rutas, mais tarde, na Índia, no 
regime de castas instituído pelo Bramanismo, constituíram a classe dos “Sudras” —  os nascidos dos pés de Brama — parte dos quais veio a formar a casta desprezada
dos párias, ainda hoje existente. Outra leva de sobreviventes desse cataclismo ganhou  as costas norte­  africanas, emergidas das águas, passando aí a constituir vários povos, negros de pele
luzidia, também até hoje existentes. Após esses tremendos e dolorosos acontecimentos, os Prepostos do Senhor 
ultimaram novas experiências de cruzamentos humanos no Oriente, a fim de
estabelecer  novos tipos de transição para a formação de raças mais aperfeiçoadas, utilizando­se de novas gerações de emigrados que continuaram a encarnar nessas
regiões. Como diz Emmanuel:
Com o auxílio desses espíritos degredados naquelas eras remotíssimas, as 
falanges  do  Cristo  operavam ainda as  últimas  experiências  sobre os  fluidos 
renovadores da vida, aperfeiçoando os caracteres biológicos das raças humanas.
Formaram­se, assim, no planalto do Pamir, no centro da Ásia, os núcleos
desses novos tipos que, em seguida, foram sendo impelidos para o sul, descendo 
através da Pérsia, da Caldéia e Palestina, de onde alcançaram em seguida o Egito; e
por todos estes lugares foram estabelecendo bases avançadas de novas civilizações e
novas raças humanas. Desses é que disseram as inscrições cuneiformes babilônicas já citadas —  que eram deuses pois, realmente, em relação aos demais tipos existentes, mereciam
tal designação.

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