Rosa da eternidade

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Entrou em casa rapidamente sem nem ver Rafael dando partida no carro. Loli se sentia frustrada e seu coração ainda batia acelerado ao pensar em tudo o que tinha acontecido a alguns minutos atrás. Como Rafael tinha sido capaz de descer do carro e nem perceber que ela estava prestes a lhe beijar. No entanto, o que mais lhe incomodava era como tinha se permitido entregar ao desejo que lhe dominou naquele momento? Ela não podia colocar tudo a perder. Simplesmente não podia lidar quando estava escolhendo caminhar em direção ao caos.

Após beber uma generosa quantidade de água esperando que aqueles pensamentos simplesmente fugissem de sua cabeça o seu celular começou a tocar insistentemente em algum lugar da sala. Até que se recordou de que havia esquecido o aparelho carregando antes de sair de casa. Onde que estava com a cabeça ao ter agido tão amadoramente? Muitas vezes as demandas de trabalho exigiam dela uma disponibilidade imediata principalmente quando algum contrato estava prestes a ser firmado. O que aconteceria caso recebesse algum telefonema importante e não estivesse por perto para resolver a urgência porque foi dar uma adolescente em um jantar?

Quando pegou o celular e foi conferir as notificações por um lado respirou aliviada porque não tinha acontecido nenhum imprevisto relacionado ao trabalho. Entretanto, por outro lado se preocupou ao ver tantas mensagens e ligações de Mariana. Será que tinha acontecido alguma coisa com a amiga ou com os afilhados? Com o coração na mão retornou a chamada imediatamente.

— Chula, está tudo bem? — disse assim que Mariana atendeu a chamada. — Me assustei com a quantidade de ligações e mensagens.

— Estamos todos bem e foi você que me assustou aqui. — respondeu para Loli. — O celular é como se fosse uma extensão de sua mão e fiquei preocupada de não conseguir falar com você.

— Acredita que eu esqueci o celular em casa? — resmungou revirando os olhos.

— Eu nunca acreditaria se fosse a Loli de antes, mas a Loli de agora eu não duvido de mais nada. — comentou rindo.

— Como assim a Loli de agora? — indagou incrédula. — Estou perdendo toda a minha credibilidade.

— Essa Loli de agora que vive com a cabeça no mundo da lua. — debochou da amiga. — Ou será que vive no mundo de Rafael?

— Nem teve a ver com ele. — falou tentando mudar de assunto. — Coloquei o celular para carregar e quando saí esqueci.

— Isso nunca aconteceu antes. Mais uma vez estou provando que estou certa. — Mariana se gabou. — Mas, estou te ligando para saber como foi o jantar com o seu senhor irritante.

— Está falando igual as fofoqueiras lá do trabalho. — reclamou da amiga. — E além disso, ele não é o meu senhor irritante. Ele só é senhor irritante.

— Se querer saber de tudo o que está acontecendo nessa nova fase de sua vida é ser fofoqueira então eu sou. — Mariana riu. — Agora quero saber todos os detalhes.

— O jantar foi horrível. — falou impacientemente. — Primeiro ele fez questão de abrir a porta do carro para mim todas as vezes necessárias. Depois arrastou a cadeira do restaurante para que eu me sentasse. Sem contar que ele me acompanhou com o suco natural e até ofereceu um pouco de sua massa para que eu provasse. Apesar de ser irritante na maior parte do tempo até que a conversa foi agradável. E dividimos a sobremesa no fim do jantar.

— Se isso é a sua descrição de um jantar horrível o que você estava esperando de um bom jantar? — perguntou tentando compreender a linha de raciocínio da amiga. — Suas expectativas que deviam estar lá no alto porque ele se comportou como um gentleman a noite toda.

— Só que na hora que eu ia beijá-lo ele não percebeu e saiu do carro para abrir a porta para mim. — confessou deixando toda a frustração que sentia vir à tona.

As ondas de WaikikiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora