Bifurcação

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Hyunjae, que estava sendo empurrado contra a parede úmida do beco, também se surpreendeu ao ver o rosto já conhecido de Juyeon de perto, em vez de um velho rabugento que imaginou o repreendendo por estar ali, tentando invadir a garagem. Mas ainda assim, o garoto tremeu por dentro ao esboçar seu sorriso torto, a sensação de adrenalina havia se misturado com a confusão e aquela situação continuou constrangedora mesmo quando o detetive o soltou e deu um passo para trás no beco vazio.

— O que você estava fazendo ali? — Juyeon continuou, apontando para o portão da garagem e mantendo a expressão contrariada. O castanho olhou um instante para os próprios pés antes de responder; havia chegado o momento de ser interrogado pelo homem com quem estava transando a apenas dois dias atrás. Riu, nervoso.

— Bem… Eu estou procurando algo… Alguém — corrigiu-se. Juyeon ainda não parecia satisfeito e manteve a carranca.

— Você está bem em cima de uma pista minha, preciso que seja mais específico. — O Lee mais novo olhou em volta, tentando checar se alguém havia presenciado a cena, e se aproximou novamente, tomando o ombro de Hyunjae com uma das mãos e fazendo o máximo possível para não intimidá-lo — Vamos, precisamos sair daqui antes de ambos irmos presos por isso.

— Tá me chamando de criminoso?

— Hyunjae, você é um criminoso. — O detetive passou a guiar o hacker de volta à calçada, não tardando ali sob as luzes da cidade e logo pediu que o outro Lee entrasse no seu carro estacionado.

— Está tentando me prender, Sr. Lee? — Hyunjae, que continuava com seus comentários nervosos, apenas recebeu uma encarada fria e silenciosa de Juyeon que durou por breves segundos depois que ambos fecharam as portas do carro escuro. Os sons matutinos da cidade se tornaram abafados de repente.

— Por favor, pare de tentar ser engraçadinho enquanto estou trabalhando. Você não tem ideia do tipo de coisa que eu estou lidando — disse Juyeon, com uma voz mais séria que era nova para o castanho. Hyunjae umedeceu os lábios e abaixou o rosto, se xingava mentalmente, sabendo que merecia aquela bronca.

— Então me diga com que está lidando — respondeu, evitando o olhar do detetive. Juyeon suspirou, intrigado.

— Assasinato. Você deve ter visto nos noticiários — replicou, fazendo Hyunjae erguer as sobrancelhas e retomar a atenção de seu olhar, agora profundamente espantado. O hacker havia ligado os pontos tão rapidamente que seu estômago embrulhou: se recordou das notícias sobre o caso e percebeu o timing perfeito entre isso e o novo e "ultra confidencial" contrato de Juyeon. Entretanto, esperou o detetive prosseguir — Por isso quero que você me diga o que procurava lá, pode não ser nada demais, eu só estou sendo cuidadoso… Mas como você hesitou até agora, fico mais preocupado-

— Um droide… O que fez reparos no meu braço essa semana. — O hacker o interrompeu e Juyeon aguardou que prosseguisse, estava cada vez mais curioso. — Ele é diferente, Juyeon.

— Diferente?

— Tenho motivos para acreditar que ele atingiu autonomia. — Hyunjae falou numa voz baixa e então seu olhar se desviou para todas as direções, procurando em vão alguém que tenha o ouvido por acidente. Juyeon ficou em silêncio tentando acreditar no que o outro acabara de falar.

— Você tá falando em…?

— Sim.

— Inteligência artificial?

— Sim… Mas eu não gosto desse termo, faz parecer menos espontâneo. Jacob realmente reage como uma consciência livre… — O olhar de Hyunjae ancorou num ponto fixo enquanto ele falava e dessa vez era Juyeon quem tinha o estômago embrulhado.

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