𝕯𝖊́𝖈𝖎𝖒𝖔 𝖙𝖊𝖗𝖈𝖊𝖎𝖗𝖔 𝕮𝖆𝖕𝖎𝖙𝖚𝖑𝖔

28 8 3
                                    


But if the world was ending
You'd come over, right?

É óbvio que, diante dessa vida de desgraças e coisas ruins, as pessoas precisam ler algo mais fora do comum. Eu só percebi isso enquanto arrumava as primeiras prateleiras da livraria, colocando os livros que estavam em alta e percebendo que a maioria eram de fantasia ou romance.
Romance, tá aí uma coisa que eu precisava para ter uma fuga da minha realidade, então recolhi um livro que ficaria em exibição, como amostra e o levei até o balcão de caixa, sentando atrás dele para começar a ler. Naquele dia, uma terça-feira, não podíamos contar com tanto movimento, então eu não tinha muito o que fazer além de ler e tomar um café da máquina de café que tinha nos fundos da loja.
O sino da porta tocou, anunciando que alguém entrara, então abandonei o livro de lado e levantei, pronta para atender o primeiro cliente do dia.
Ele passeava pela loja, evitando me olhar e eu fiquei espantada com a cara de pau que ele tinha.
Ele recolheu um livro da estante dos fundos e o trouxe até o caixa, o colocou sobre o balcão e então finalmente me olhou.
"Como organizar finanças"
Suspirei, na tentativa de não rir de forma irônica e embalei o livro.
— Fica dezenove e setenta.
Holand suspirou e tirou a carteira do bolso, me entregando uma nota muito maior do que o valor do livro.
— Não preciso de troco — ele falou, rapidamente e eu joguei a nota dentro da gaveta, dando de ombros.
— Bailey... — ele hesitou em falar.
Eu estava no meu local de trabalho e não poderia me exaltar, então respirei fundo e cruzei os braços, encarando Holand.
Ele entendeu que aquele era um sinal para que ele finalmente pudesse falar comigo e então pigarreou, tentando controlar um sorriso que se formava em seu rosto.
— Me perdoe, por favor... eu... precisamos conversar melhor — ainda excitado, Holand falou, de forma pausada, olhando para os lados.
Eu concordava que aquele não era o melhor lugar para conversarmos, e então, com mais um suspiro, balancei a cabeça.
Os minutos que se seguiram passaram como em câmera lenta. Holand me lançou uma expressão de dor e seu corpo cedeu, enquanto ele caia de joelhos no chão. Corri, saindo da parte de trás do caixa, chegando a tempo e segurando a cabeça dele. Aquela manhã eu estava sozinha na loja, o que apenas me deixou ainda mais desesperada.
Holand puxava o ar com dificuldade, enquanto o corpo dele tremia.
— Espera, senhor Leroy. Não desiste, espera mais um pouco, por favor — falei, em agonia.
Voltei às pressas para o caixa e digitando o número da emergência, liguei, com rapidez, falando o quão urgente era.
Surpreendentemente a ambulância não demorou a chegar, então como Holand precisava que alguém o acompanhasse, liguei para Zaylla, explicando a situação e pedindo para que ela fosse até o hospital.
Fechei rapidamente toda a loja e parti, dentro da ambulância a caminho do hospital mais próximo. Holand agonizava e com urgência, segurou a minha mão, a apertando.

Enquanto os paramédicos levavam Leroy para um dos quartos, eu fui até a recepção, preparar a ficha dele. Por sorte, Leroy andava com todos os documentos juntos de si, facilitando todo o processo.
— Precisamos de alguém da família dele. Ele tem parentes? O que você é dele? — A enfermeira perguntou, enquanto olhava uma pasta grande.
— Eu sou... filha dele — respondi, relutante.
A enfermeira me encarou por alguns segundos e finalmente tornou a escrever algo na pasta, concordando — ele vai ficar bem? — perguntei, rapidamente, quando ela virou de costas, fazendo menção de sair.
— Você vai ter que esperar — foi o que ela respondeu, antes de repetir os gestos anteriores, porém desta vez, de fato saindo.

Zaylla demorou um pouco mais de meia hora para chegar, acompanhada por Daves e Hadan, que por um grande acaso do destino, segundo a minha melhor amiga, ele tinha ouvido quando ela contou para Daves.
Os dois me envolveram em um abraço, enquanto Hadan apenas observava de longe, com os braços cruzando-se e uma expressão assombrada.
— Já avisou para a sua mãe? — Zaylla perguntou. Eu me forcei apenas a balançar a cabeça, num gesto negativo e ela disse que ela mesma o faria. Agradeci, enquanto Daves a acompanhava e fui ao encontro de Hadan.
— Sinto muito — ele falou, de repente e pude sentir sua voz levemente embargada.
Meus braços envolveram o pescoço dele, num abraço, que logo foi retribuído e por algum grande bom motivo, me permiti chorar, assim como, surpreendentemente, Hadan também fez.

As horas não pareciam passar e cada minuto a mais me deixava ansiosa.
Minha mãe tinha ficado em estado de choque e Edgar, o marido dela, conversou comigo. Pela manhã ela, junto com meus irmãos, estariam aqui.
Hadan não havia saído do meu lado nem por um segundo e por mais que eu estivesse chateada com ele, eu não queria mesmo que saísse. Estava preocupada com Holand e também com um enorme sentimento de culpa dentro de mim.
Zaylla e Daves também não haviam me abandonado e logo que a tarde caiu, Josh apareceu, para também me dar apoio.
— Ele vai ficar bem — ele disse, enquanto me abraçava apertado.
Era bom ter amigos como eles por perto, do contrário, mesmo que nem um por cento do que havia me acontecido realmente acontecesse, eu não sabia como estaria sem eles.
— Quem de vocês é parente de... Holand Leroy? — um médico perguntou, entrando na sala de visitas.
Eu levantei quase que imediatamente.
Zaylla segurou a minha mão, enquanto, mesmo em pé, eu permanecia ao lado dela e de Hadan.
— Sinto muito, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas Holand não resistiu. Ele acabou de falecer — o médico completou, simplesmente.
Senti minhas pernas cederem e meu corpo deslizar pelo chão. Ouvi Zaylla gritar por ajuda, enquanto me segurava pelos ombros. Vi o rosto de Hadan pouco antes da minha vista ficar totalmente turva, para em seguida perdê-la totalmente e não conseguir mais ouvir nada.

𝐀 𝐇𝐞𝐫𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚 - sofia carson Onde histórias criam vida. Descubra agora