-08

683 71 34
                                        

──────────────────

quando estamos felizes aproveitamos a melodia, quando estamos tristes entendemos a letra
───────


Finalmente o dia do baile chegou, embora não tenha mudado nada na minha rotina.

Já fazia mais de cinco horas que eu estava trancada no quarto, estudando e refazendo contas que nem mesmo minha professora conseguiria acompanhar. Saía apenas para pegar algo para comer e voltava logo em seguida. Essa tinha sido minha única rotina durante a tarde inteira.

— FILHA, SUA IRMÃ JÁ SE VESTIU, SÓ FALTA A MAQUIAGEM! — Mamãe gritou da sala.

Suspirei, revirando os olhos. — Tinha que ser agora... Porcaria... JÁ TÔ INDO!

Peguei o celular e desci correndo as escadas. Sofia estava parada no meio da sala, usando um vestido cinza de ombros caídos, repleto de borboletas delicadas presas ao tecido, muito brilho e detalhes. A cara dela.

— Cadê a caixa de maquiagem?

— Aqui. — Ela me entregou uma maleta rosa com um cadeado em formato de coração. — Quero igual à de ontem, tá?

— Certo.

Abri a maleta e comecei a maquiar Sofia o mais rápido possível. O aplicativo no meu celular ainda estava rodando os cálculos, mas eu precisava voltar ao computador, onde conseguia trabalhar com mais clareza.

— Pra que essa pressa toda? — Ela estreitou os olhos, desconfiada.

— Nada não.

— Você vai ao baile, filha?

— Não, eu tô ocupada. — Lancei um olhar discreto ao celular. A tela exibia 50% concluído. Ainda ia demorar...

— Por que você tanto olha pra esse celular? Vai errar minha maquiagem desse jeito!

— Sofia, eu tô te maquiando, cala a boca.

Ela bufou, mas ficou quieta. Terminei de aplicar o iluminador e dei um passo para trás, conferindo o resultado. Estava perfeita, como sempre. Fechei e tranquei a maleta, conferindo se nada tinha ficado para fora, antes de devolver a ela.

— Pronto, tá linda.

— Obrigada!

Mamãe se aproximou, ajeitando os cachos de Sofia e borrifando spray fixador.

— Querida, vem aqui pra eu arrumar esse cabelo.

— Não vão precisar de mim, né? Então já tô indo. Bye bye. — Fiz um gesto vago com a mão e voltei correndo para o quarto.

Assim que entrei, parei no meio do caminho. Niki estava ali, ajustando o colarinho da camisa social no espelho, fechando o último botão antes de colocar o terno.

Engoli em seco. Ele realmente estava... muito bem.

— Uau... A mulher da loja tinha razão, esse terno combina com você.

Ele sorriu de lado, ajeitando a manga. — Valeu. Aliás... eu comprei uma coisa pra você.

— Pra mim? Eu tava brincando sobre aquele negócio de aluguel, tá?

— Eu sei. — Ele deu de ombros. — Mas comprei mesmo assim.

Ele pegou uma pequena sacola de papel e estendeu para mim, o canto da boca ainda curvado em um sorriso discreto.

— Ah... Obrigada então?

— De nada. Agora eu tenho que ir. — Ele piscou para mim antes de sair do quarto.

The Vírus Of The Future Histórias para pegar e não largar. Descubra agora