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Quantas coisas perdemos com medo de perder

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A

dor na minha cabeça latejava como se um sino estivesse tocando dentro do meu crânio. Tudo girava ao meu redor, uma luz forte preenchendo o espaço e o som de água corrente ecoando suavemente. O cheiro de chuva fresca preenchia o ar.

Eu já havia estado aqui antes.

— Ai... minha cabeça... — murmurei, levando a mão ao lado que doía, sentindo a pele sensível ao toque.

Olhei em volta e percebi que estava sentada... em uma nuvem? O chão branco e macio parecia fofo, mas, ao mesmo tempo, denso o suficiente para me segurar.

— Espera... já estive aqui antes... — sussurrei para mim mesma, sentindo uma sensação estranha de déjà vu.

Foi quando ouvi a voz.

— Olá, querida.

Virei-me rápido e vi Cristal. Ele estava encostado ao lado de uma pequena cachoeira que fluía calmamente, como se a água brotasse do nada pelas laterais. O rosto sereno e o sorriso leve me deram uma sensação de paz, mas eu ainda estava confusa.

— Meu Deus... eu morri? — perguntei, sentindo meu coração disparar.

Cristal sorriu, negando com a cabeça.

— Bom, você foi assassinada.

O impacto daquelas palavras me fez congelar.

— O quê?! — minha voz saiu fraca, confusa. — Eu... não achava que a Sun-hee fosse louca a esse ponto...

Cristal me olhou com calma, mas sua expressão se tornou mais séria.

— O que aconteceu? Por que ela faria isso?

Soltei um suspiro pesado, ainda tentando entender o que estava acontecendo.

— Ela gosta do Niki. E ele me beijou. Agora ela acha que eu seduzi ele ou sei lá...

Cristal coçou a barba, soltando uma risada silenciosa e balançando a cabeça.

— Ah... o Niki? — ele sorriu de lado. — Ele é mesmo um garoto e tanto... é uma boa pessoa.

Abaixei o olhar, sentindo o rosto esquentar.

— Eu sei... — murmurei, com um sorriso fraco.

Cristal inclinou a cabeça, me observando com curiosidade.

— Você gosta dele, certo?

O silêncio pairou entre nós por um instante. Meu peito apertou.

— Eu... não sei... talvez... — desviei o olhar, desconfortável.

— Talvez esteja na hora de assumir isso... — ele comentou, cruzando os braços. — Não tenha medo de ser sincera com seus sentimentos.

Respirei fundo, tentando processar aquelas palavras.

— Cristal...

— Sim?

O chão branco sob mim parecia frio, molhado de alguma forma. Pisei nele com cautela, ainda sentindo medo de cair em algum lugar desconhecido.

— Como... você morreu? — perguntei, quebrando o silêncio — Desculpa a pergunta, fiquei curiosa sobre isso desde a primeira vez que estive aqui

Cristal riu, balançando a cabeça.

The Vírus Of The Future Histórias para pegar e não largar. Descubra agora