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E

u já quis desistir, mais algo em você me faz querer continuar.

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Cocei os olhos, soltando um bocejo baixinho. O amanhecer pintava o céu com tons alaranjados e rosados, tão bonito que parecia quase irreal.

— Que horas são? — perguntei, ainda sonolenta, a voz um pouco rouca.

Eu nunca fui de virar a madrugada. Sempre que tentava, parecia que o peso do sono me derrubava antes mesmo de ver o dia nascer. Talvez por estar acostumada a acordar cedo todos os dias.

— 06:39. — Niki respondeu, conferindo o celular.

— Já? O tempo passa voando quando a gente tá junto... — Suspirei, virando o rosto pra encará-lo melhor.

Ele sorriu de leve, mas o olhar parecia um pouco preocupado.

— Acho melhor a gente voltar pra casa. Tá ficando tarde e... você parece cansada.

— Mas tava tão bom aqui... — murmurei, fechando os olhos por um instante.

— S/n... seu nariz tá sangrando. — A voz de Niki soou tensa, como se ele não acreditasse no que via.

— O quê?

Levei a mão ao rosto, tocando de leve abaixo do nariz. Quando olhei a palma, uma mancha vermelho-escura tingia meus dedos.

— Vamos pra casa. Agora.

A expressão de Niki estava séria. Ele se levantou rápido e segurou meus braços, me ajudando a ficar de pé. O mundo girou por um momento e eu precisei me apoiar nele, o corpo tremendo de um jeito esquisito, como se eu estivesse submersa em água gelada.

— Eu... eu tô com frio... — sussurrei, sentindo a tontura aumentar.

— Por que você não pegou uma blusa mais grossa? — A voz dele parecia distante, abafada.

Niki não esperou minha resposta. Ele me abraçou com força, tentando me aquecer, mas o frio parecia vir de dentro. Mesmo com as roupas, mesmo com o calor do corpo dele tão próximo... Eu continuava sentindo aquele gelo, como se estivesse sendo drenada aos poucos.

Minha visão escureceu por alguns segundos. Eu ainda ouvia o som dos nossos passos apressados contra o chão de pedra, o barulho das folhas balançando ao vento... E então voltava. Tudo em preto e branco. Como se eu fosse um desenho incompleto, esperando alguém me pintar de novo.

Quando chegamos em casa, o som da porta se abrindo com força me fez voltar à realidade por um instante.

— JUNGWON, VEM AQUI! — A voz de Niki ecoou, trêmula de preocupação.

Eu mal precisava olhar pra saber o quanto ele estava assustado.

— Que foi agora, menino? Eu tava pensando num jeito de salvar a S/n. — A voz de Jungwon ecoou do andar de cima enquanto descia as escadas calmamente.

— A S/n piorou!

— O quê? Como assim?

Quando ele me viu apoiada em Niki, a expressão debochada desapareceu e ele acelerou o passo, os olhos estreitando em foco.

The Vírus Of The Future Histórias para pegar e não largar. Descubra agora