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Gaspar 🕊

Luana era toda chata e tava com maior preguiça de fazer os bagulhos, ela percebeu que eu tava sem paciência e começou a tentar fazer direito.

Tava treinando o básico com ela, pelo menos ela ter força nas mãos pra dar um soco e tentar de defender.

Quase seis da noite quando eu fiquei cansadão e liberei ela, ela se sentou no chão cheia de postura e pegou uma garrafa de água tomando, enquanto olhava pro nada.

Alguém bateu na porta antes de entrar e eu olhei, tava acendendo um verdinho que tinha achado perdido no meu bolso.

Tt: Polícia tá invadindo pela entrada dois.- Falou colocando a cabeça pra dentro.- Coronel mandou avisar pra desce tranquilo e prestando atenção.

Gaspar: Jae, valeu.- Balancei a cabeça pra ele que saiu, Lua me olhou e eu abri a portinha indo pra laje.

Ela veio atrás de mim e aí pude escutar melhor os tiros, mas era lá embaixo e aqui eles não iam arrumar nada. Lua pegou o cigarro da minha mão e se sentou na cadeira puxando, observei ela prender e peguei de volta.

Gaspar: Até que aprende os bagulhos rápido.- Falei encostando na parede da laje.

Luana: Pode parecer que não, mas eu presto atenção nas coisas.- Falou irônica.

Gaspar: Tu tá ficando muito debochada pra meu gosto, se liga garota!

Luana; Você é a pessoa que eu passo a maior parte do tempo, então advinha com quem eu aprendi? - Sorriu ao me olhar e eu neguei.

Gaspar: Mandadinha.- Falei baixo soltando a fumaça.

Luana: Acontece muito? - Parou do meu lado e eu entendi que ela tava falando da trocação de tiro.

Gaspar: Polícia sempre tá por aqui, ou quer pacificar, ou tá com algum mandato de traficante... Sempre tem um motivo pra matar gente inocente.

Luana: As balas saem dos dois lados, por que pra você só há um culpado? - Olhei pra ela.

Gaspar: A gente cuida dos nossos, faz de tudo pra não acertar morador. As vezes até erra no bagulho, mas eles não, eles não tão nem aí se é gente de bem ou bandido, só querem matar pra poder se dar bem lá fora.- Ela ficou calada.

Luana: A pacificação não é uma boa pros moradores? - Falou uns minutos depois, e os tiros só aumentavam.

Gaspar: Aí é fardado dando tapa na cara de mãe de família, tentando até estuprar adolescente que volta da escola.- Neguei.- Não é bom pra ninguém.

Luana: Assim como existem ruins deles, existem bandidos ruins também. Assim como existe bons homens deles, existem bons bandidos...- Olhei pra ela.- Nenhum lado é santo.

Gaspar: Aqui a gente cobra com a lei do tráfico, e lá? Policial pode ser preso mas é solto duas horas depois.

Luana: Já vi bandido ser solto por estupro em menos de um dois dias.- Me encarou.

Gaspar: E teu pai que soltou, não foi? - Ela concordou, olhando pra baixo.- Ele tem o peso da culpa por isso nas costas dele.

Lance criminosoOnde histórias criam vida. Descubra agora