Luana 🧚🏼♀️
Era um ciclo cansativo, parecia que nada iria dar certo em momento algum, surreal.
Eu tomei café com as coisas que o menino trouxe e fiquei encarando o que eu sujei. Amarrei meu cabelo e fui lavar, achava engraçado que um dia eu nem precisava sair do meu quarto e no outro tava precisando me virar de todas as formas.
Mas por mais que doa, acho que estava na hora de começar a entender o mundo lá fora, de sair da minha bolha. Eu já havia entendido que todo mundo era filho da puta, só precisava me acostuma, precisava me virar, precisava fazer algo da vida.
Depois disso, tomei um banho vestindo a mesma roupa que eu vim ontem e fui até a lavanderia, não tinha nem uma máquina, mas eu pensei bem e mesmo se tivesse, eu não saberia usar.
Então peguei o sabão e fiz o que parecia óbvio, esfreguei na roupa junto com água, depois tirei o sabão e cheirei, estava cheirosa, mas nada comparado ao normal, porém estava limpa e eu podia usar depois.
Pendurei de melhor maneira que pude e quando tava entrando na casa alguém bateu na porta, caminhei lentamente e tive medo de abrir e ser alguém novo pra me atacar, porque parecia que tava na moda.
Mas abri, eram dois meninos que eu nunca havia visto antes e ambos estavam com várias sacolas em mãos, eu encarei em entender vendo algumas lojas de roupas e eles me olharam.
— Mandaram te entregar.- Falou levantando as sacolas e eu saí da frente, eles colocaram em cima do sofá tudo e eu apenas encarei vendo que realmente era muita coisa.
Luana: Você pode me dizer quem foi? - Falei vendo eles saindo.
— Menor Gaspar mandou entregar.- Eu encarei sem entender.
Luana: Obrigada.- Sorri fraco fechando a porta.
Fui mexer nas sacolas e abri maior olho tinham várias roupas, até vestidos. Havia algumas com sandálias e a que eu mais me assustei foi uma caixa de iphone, quase gritei de felicidade vendo que realmente era um celular e sorri contente.
Me sentei pra ajeitar o celular, mas fui terminar de ver as outras sacolas e vi que tinha coisas de comida, pelo que parecia arroz, feijão, macarrão e eu só soube rir nervosa.
Tava terminando de ajeitar o celular pra poder ter mínima noção de como fazer tudo e fui lá, procurei panela, pus água, fui fazendo tudo de acordo estava escrito ali, como era possível errar?
Olhei novamente as sacolas colocando tudo em cima da mesa e vi que tinha frango já cortado e pelo visto era a coisa mais simples de fazer. Então fui na fé e no final consegui, enquanto eu comemorava orgulhosa escutei alguém abrir a porta e encarei assustada.
Era um dos quatro mosqueteiros, como eu não sabia o nome apenas encarei ele, colocando as mãos na cintura.
Goiaba: Aí garota, tu é meio maluca da cabeça.- Falou me olhando.
Luana: Por que você tem a chave dessa casa? - Falei fazendo careta.
Goiaba: Porque tu não tá de férias e só tá aqui pra não fuder o esquema, então meio que tu tá presa mas de maneira dahora.- Falou olhando as sacolas.- Quem te deu?
Luana: O gaspar.- Murmurei.- Então eu não tô aqui por caridade, de bom coração vocês querendo me ajudar?
Goiaba: Tu cria um conto de fadas muito maneiro na tua cabeça.- Falou rindo.- O mano te fortaleceu legal.
Luana: Você é um chato.- Falei pegando um prato.- Todos vocês.
Goiaba: E aí, já descobriu alguma coisa? - Se sentou na mesa.
Luana: Não muito. Só descobri adjetivos legais pra vocês.- Falei colocando comida no prato.
Goiaba: Então manda aí a boa.
Luana: O Gaspar é arrogante, e faz parecer que o mundo todo é sobre ele.- Ele concordou.- O lá, que namora a Carina... Ele é o fofoqueiro.- Ele riu confirmando novamente.- Você, eu não conheço muito mas você parece o mais preguiçoso.
Goiaba: Ofendeu maneiro, eu sou o que mais se esforça ein, tá maluca? - Falou em tom de brincadeira, eu sentei na mesa olhando pra ele como se tivesse encaixado o quebra cabeça.
Luana: E o outro é o cabeça de todos vocês...- Sorri ao olhar pra ele.- O Coronel, o outro é chefe.
Goiaba: Pô, essa passou pouquinho longe, dá próxima vai que acerta o último.- Riu.
Luana: Eu não tô errada.- Falei convicta.- Todas as vezes, vocês sempre esperam ele falar algo pra saber como lidar. Como todas as vezes que a gente estava em cabo frio, ou até mesmo na casa de ontem, vocês esperam por ele.
Goiaba: Um papo reto pra tu.- Puxou o celular que o gaspar havia me dado, pegando pra si.- Tu tá aqui porque já tá envolvida demais nisso, se tu continuar querendo se meter aonde não te cabe, teu fim já é claro, né?
Luana: E você só confirmou que eu não estou errada.- Sorri calmamente pra ele que se levantou e foi saindo.
Goiaba: Eu não tô brincando, garota. Se tu continuar nessa de querer descobrir o mundo, não passa de uma semana.- Fechou a porta.
Eu soltei uma risada encaixando as peças que faltava no quebra cabeça e comecei a ter certeza daquilo. Cenas deles juntos e de como eles olhavam pro "Coronel" esperando uma ação, de como "Coronel" tinha mais postura que todos eles juntos, da forma que pouco se sabia sobre ele...
Eu com certeza não estava errada nisso.
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Lance criminoso
JugendliteraturO clichê mais bonito de ver, visões e mundos diferentes. Qual a chance disso dar certo, do encontro acontecer, ou melhor, do amor transparecer? É isso que faz tudo ser intenso, divertido e o que faz causar o frio na barriga. O amor nunca é tão fáci...
