Lembranças

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Acordei com o som do alarme, mas por alguns segundos fiquei parado, encarando o teto, tentando entender se tudo o que tinha acontecido com Luna era real.
A lembrança veio em ondas, o toque, os olhares, o jeito como ela pronunciou meu nome.
Meu peito apertou e uma sensação quente tomou conta de mim.
Era como se o mundo tivesse mudado, e eu ainda estivesse aprendendo a viver dentro dele.

Levantei devagar, ainda com o corpo leve, mas a mente cheia.
Cada movimento me trazia de volta aqueles momentos e ao quanto significou.
Não era só desejo. Era algo maior, mais profundo.
E, ao mesmo tempo, havia o medo.
O medo de que ela se arrependesse.
O medo de que eu tivesse ido longe demais.

Olhei meu reflexo no espelho e suspirei.
- O que você fez, Josh? - murmurei pra mim mesmo, meio rindo, meio nervoso. Mil pensamentos me invadiam naquele momento..

Será que ela também estava pensando em mim? Será que estava bem? ...

Peguei o celular e abri o chat. Nenhuma mensagem.
Escrevi um "bom dia" e apaguei antes de enviar.
Pensei mais um pouco e, enfim, mandei:

"Bom dia, Luna. Dormiu bem?"

O tempo até a resposta parecia uma eternidade.
Quando o celular vibrou, senti o coração disparar.

> Luna: "Bom dia, Josh. Dormi bem, sim... e você?"
Eu: "Tentei dormir, mas acho que fiquei pensando demais."
Luna: "Em quê?"
Eu: "Em nós."

Demorou um pouco, e a resposta dela veio curta, mas carregada de sentimento:

> Luna: "Eu também."

Sorri sozinho, sentindo o estômago revirar de um jeito bom.
Era como se a distância não existisse, como se ainda estivéssemos conectados pelo que aconteceu.

- Josh, vamos, você está atrasado!
Rebeca bateu na porta me interrompendo
- Já vou, respondi.

Teminei de falar com Luna e enquanto me arrumava pra escola, notei que sorria sem perceber.
A lembrança do toque dela, do jeito que me olhou antes de me despedir, me fazia arrepiar.
Mas junto vinha o medo.
E se ela tivesse se arrependido?
E se tudo aquilo tivesse sido um impulso?

Saí do quarto, Rebeca estava desconfiada, e logo me encheu de perguntas,

- Você chegou tarde ontem, estava com Luna?
Engoli em seco,
- Sim, tínhamos uns trabalhos para fazer... Respondi engolindo um gole de achocolatado.
- Sei... Ela respondeu - Olha Josh, cuidado para não magoar a Luna, por favor,
- Do que você está falando? Eu e ela somos só amigos, eu acho...Estamos nos conhecendo tá legal.
- Pois vocês não parecem só amigos,
- Okay Rebeca, não se preocupe, eu nunca a magoaria. Gosto dela, ela é muito especial pra mim.
- Certo... Eu espero que você saiba o que está fazendo. - Concordei com o olhar e peguei a mochila e saí de casa. O caminho parecia mais longo do que nunca. Cada passo era um misto de expectativa e insegurança.
Será que ela viria hoje?
Será que conseguiria me olhar da mesma forma?

Cheguei à praça.
E lá estava ela.

Luna, sentada no mesmo banco de sempre, o cabelo preso de qualquer jeito, como se tivesse saído correndo de casa. Mas o sorriso... aquele sorriso continuava o mesmo.
Quando nossos olhares se encontraram, senti o chão sumir sob meus pés.

- Oi, Josh. - disse ela, baixinho, com um tom de quem ainda estava tentando entender o que sentia.
- Oi, Luna. - respondi, e só de pronunciar o nome dela, algo dentro de mim se acalmou.

Nos aproximamos, e o silêncio entre nós foi mais intenso do que qualquer palavra. Eu queria abraçá-la, dizer que aquelas horas que passamos juntos, estavam gravada em mim.
Mas não sabia se ela queria o mesmo.
Ela abaixou o olhar, brincando com os dedos.
- Pensei muito em ontem... - disse, com a voz quase trêmula.
- Eu também. - respondi rápido demais, e ela riu, um riso tímido, mas sincero.

- Eu não sei explicar, Josh. - continuou. - É como se tudo tivesse mudado. Mas, ao mesmo tempo, tudo parece tão... certo.

Me aproximei um pouco mais.
- Não quero que você se sinta pressionada, Luna. Ontem... foi importante pra mim. Mas o que mais importa é você estar bem.
Ela ergueu o olhar e o que vi ali foi algo novo.
Tinha ternura, sim, mas também decisão.
- Eu estou bem. - respondeu. - E feliz.
Sorri, aliviado. O vento bagunçou o cabelo dela e, por instinto, estendi a mão para ajeitá-lo.
Ela não recuou. Apenas fechou os olhos por um segundo, como se aquele toque fosse uma continuação silenciosa da noite anterior.
Caminhamos juntos até a escola.
Os colegas falavam, riam, passavam correndo pelos corredores, mas pra mim era como se estivéssemos em outro mundo. Apenas nós dois.
...

Passei o dia inteiro com a cabeça longe, tentando estudar, mas tudo parecia fora de foco.
A lembrança dela me acompanhava em cada canto, o jeito que me olhou antes de se despedirmos, o calor do abraço, o silêncio que dizia tudo.

Não aguentei e mandei outra mensagem:

"Posso te ver mais tarde?"

Demorou alguns minutos até que ela respondesse:

> Luna: "Acho que sim. Mas... Josh, meus pais voltam amanhã. Não sei quanto tempo a gente vai ter."
Eu: "O tempo que tivermos é o suficiente."

Fiquei olhando pra tela por um tempo, deixando as palavras ecoarem dentro de mim.
O suficiente.
Talvez nada fosse suficiente pra expressar o que eu estava sentindo, mas, por enquanto, bastava.

Enquanto o sol se punha, me peguei pensando que algo dentro de mim tinha mudado pra sempre.
Não era só sobre o que vivemos, era sobre o que começava a nascer entre nós. Algo que nem eu sabia nomear, mas que, de algum modo, parecia verdadeiro.

E, naquele fim de tarde silencioso, decidi:
independente do que viesse depois, eu não deixaria Luna escapar da minha vida.

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