O dia na escola passou rápido, mas meu coração ainda pulsava acelerado cada vez que eu lembrava da conversa com Luna. Ao final das aulas, combinei com ela de nos encontrarmos em um lugar tranquilo antes de voltarmos para casa.
Ela me esperava em um pequeno parque próximo à praça central, sentada em um banco com os cabelos soltos e o olhar curioso. Quando me viu, sorriu levemente, e meu peito se aqueceu de imediato.
- Oi, Josh. - Disse, levantando-se para me cumprimentar.
- Oi, Luna. - Respondi, tentando parecer calmo, mas com o coração disparado.
Caminhamos juntos pelos caminhos arborizados, deixando o parque quase vazio nos cercar com tranquilidade. Conversamos sobre coisas simples no começo - o livro que ela estava lendo, um filme que queria assistir, pequenas histórias do dia a dia. Mas, aos poucos, a conversa se tornou mais profunda, mais próxima.
- Sabe, Josh... - ela começou, parando para olhar para o céu -, eu estava pensando sobre ontem, sobre nós.
- E? - Perguntei, ansioso.
- Eu... gosto de estar com você.- Ela olhou para mim, séria, mas com um leve sorriso no canto da boca.
Sorri de volta, tentando controlar a ansiedade.
- Eu também, Luna. Quero aproveitar cada momento com você, sem pressa.
Seguimos caminhando até um pequeno lago, cercado de árvores e flores silvestres. O lugar era tranquilo, e o reflexo da luz da tarde na água deixava tudo mais bonito. Sentamos na grama, lado a lado, e ela apoiou a cabeça em meu ombro, enquanto eu tentava disfarçar o quanto meu coração acelerava com sua proximidade.
- Josh... - disse baixinho -, você me faz sentir coisas estranhas.
- Eu também, Luna. - Respondi, com sinceridade. - Mas são boas coisas. Coisas que eu quero sentir mais vezes.
Ela sorriu, corando levemente, e nos entreolhamos por alguns segundos que pareceram eternos. Era como se tudo ao redor desaparecesse, deixando apenas nós dois naquele momento perfeito.
- Podemos ficar assim por um tempo? - Ela perguntou, a voz suave.
- Claro. - Concordei, sentindo uma paz estranha e boa ao seu lado.
Ficamos em silêncio, apenas aproveitando a presença um do outro, sentindo o vento passar entre nós e o cheiro da grama fresca. Aquele momento simples, sem pressa e sem expectativas, parecia mais importante do que qualquer coisa que já tinha vivido.
Quando o sol começou a se pôr, Luna se levantou, e eu a segui.
- Acho que é hora de voltar para casa. - Disse ela, pegando sua mochila.
- Sim. Mas podemos fazer isso de novo outro dia? - Perguntei, esperançoso.
- Podemos sim. - Ela sorriu, e meu coração quase saltou do peito.
Enquanto caminhávamos juntos para a saída do parque, senti que algo tinha mudado entre nós. Não era apenas amizade, nem apenas atração; havia uma conexão real se formando, e ambos sabíamos que aquilo era só o começo.
Quando nos despedimos, ela se virou para me olhar uma última vez.
- Até amanhã, Josh. - Disse, com um sorriso suave.
- Até amanhã, Luna. - Respondi, sentindo que cada palavra carregava mais do que podia dizer.
Enquanto caminhava para casa, meu coração estava leve e cheio de esperança. Pela primeira vez em muito tempo, senti que algo bom estava começando - algo que valeria a pena esperar, explorar e viver.
...
O dia seguinte começou de forma estranha. Mesmo com a rotina de sempre, acordar parecia mais difícil. Cada pensamento me levava de volta a Luna, e a mistura de ansiedade e expectativa se juntava a uma curiosidade que eu não sabia controlar.
No caminho para a escola, meu coração batia mais rápido a cada passo, não por pressa, mas pela antecipação de vê-la novamente. E, como se tivesse combinado com meus pensamentos, lá estava ela, sentada no mesmo banco da praça onde conversamos ontem de manhã.
- Bom dia, Josh! - disse ela, sorrindo timidamente.
- Bom dia, Luna. - Respondi, tentando soar casual, embora minhas mãos estivessem suando.
Caminhamos juntos até a escola, sem pressa. Cada palavra que trocávamos era trivial, mas cada olhar, cada sorriso, carregava uma tensão silenciosa. Nossos gestos diziam mais do que palavras poderiam expressar: o toque leve de mãos ao pegar uma folha caída ou o encostar de ombros ao caminhar.
- Então, você gosta de poesia, não é? - perguntei, tentando puxar assunto.
- Sim, eu adoro. Principalmente aquelas que falam de sentimentos complicados. - Ela sorriu de leve, olhando para mim. - Acho que você também gosta, né?
Sorri. - Talvez. Mas confesso que só comecei a me interessar depois que te conheci. - Fiz uma pausa, observando a reação dela. - É estranho, mas parece que você faz tudo parecer mais intenso.
Ela corou levemente e desviou o olhar, escondendo o sorriso. - Você também me deixa meio... sem palavras às vezes, Josh.
O corredor da escola parecia desaparecer ao redor de nós. O mundo se resumia àquelas pequenas interações, aos risos contidos, aos olhares que duravam mais do que deveriam.
Durante a aula, minha atenção era dividida entre o professor e Luna. Cada gesto dela, cada movimento de mão ao escrever, cada olhar rápido me prendia. Eu queria que chegasse o intervalo para poder falar com ela novamente, para sentir que tudo aquilo não era apenas um sonho.
No intervalo, nos encontramos novamente no pátio. Sentamos juntos em um banco sob a sombra de uma árvore. Ela trouxe um livro, e eu fiquei ali, observando-a folhear as páginas, encantado pela serenidade dela.
- Sabe, Josh... - começou, ainda focada no livro -, eu ainda estou tentando entender o que realmente sinto. Mas estar com você assim, conversando, faz tudo parecer mais leve.
Sorri, sentindo uma onda de alívio. - Eu também, Luna. Não quero pressionar nada. Só... estar perto de você já é suficiente para mim.
Ela olhou para mim, e naquele instante, nossas mãos se tocaram por acidente ao pegar o mesmo lado do banco. Ambos recuamos levemente, corando. Mas depois mantivemos os dedos próximos, quase se encostando novamente, sem nos afastar de propósito.
- É... isso é bom, sabia? - disse ela, com um sorriso tímido. - Sentir que podemos ser nós mesmos, sem pressa, sem regras.
- É. - Concordei, sentindo que o peso no peito diminuía. - E acho que é assim que as coisas boas começam. Aos poucos.
O sino tocou, chamando-nos de volta para a sala. Caminhamos lado a lado, sem soltar as mãos, deixando que a proximidade falasse por nós.
Enquanto a aula continuava, não conseguia parar de pensar em cada momento com Luna: o sorriso dela, a inclinação da cabeça ao pensar, o brilho nos olhos ao falar do que amava... tudo me deixava em estado de expectativa constante.
E naquele dia, percebi que o mais importante não era saber exatamente o que ela sentia ou quando as coisas mudariam. O que realmente importava era que alguém parecia me compreender de verdade. E que, talvez, essa fosse a base para algo que valeria a pena esperar.
Quando o dia terminou, nos despedimos com um abraço simples, mas carregado de significado.
- Até amanhã, Josh. - Ela murmurou, sorrindo.
- Até amanhã, Luna. - Respondi, com o coração leve e cheio de esperança.
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Luna
RomanceDuas vidas que se encontram e o improvável acontece Sinopse Josh, sem vontade própria, volta a morar com a mãe depois de muitos anos , após perder o pai em um grave acidente. Só não esperava que com sua volta, o destino te trouxesse Luna...
