15 - Um Dia Como Outro Qualquer.

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Kally estava no hospital novamente e dessa vez ao invés de levar jasmins, em seus braços trazia um buquê de lírios. Vestia um vestido florido com uma jaqueta de couro com capuz peludo que estava em sua cabeça, a meia calça era da mesma cor que o salto e a jaqueta, ou seja preto. A garota era a filha legítima do Deus da Morte, Thanatos e como tal alma sombria ela gostava de uma aparência gótica, porém ao visitar essa senhora, ela tentava se vestir um pouco mais elegante ao invés de como uma rebelde durona ou cantora de uma banda de Heavy Metal, embora tenha se vestido um pouco menos aterrorizante — como Mandy gostava de dizer — nesses últimos anos.

Andava a passos largos pelo corredor, normalmente depois de falar com a recepcionista ela apenas seguia uma enfermeira para o quarto daquela doce senhora e entraria direto, mas ao olhar para o quinto quarto na curva do corredor viu um homem de costas, um homem alto de cabelos curtos, jaleco branco, calças do uniforme preto de cirurgião combinavam com o Air Jordan em seus pés, mas por que um cirurgião chamaria a sua atenção se o que mais tinha naquele hospital eram médicos justamente por ser um hospital?

— Srta. Sinclaire. — chamou a enfermeira seu nome, a despertando de seus devaneios. — Então, hoje é o último dia dela. — avisou a mulher que também iria administrar alguns remédios para dor.

Ela sabia que restava pouco tempo para a senhora desde que saiu, mas não sabia que quando voltasse seriam horas. Na verdade ela sabia, só estava incorformada que por causa de Sabnock não pode ficar mais tempo com ela.

— Tudo bem, muito obrigada enfermeira Acier. — agradeceu e viu a mulher saindo da sala em seguida.

Permaneceu em pé ao lado da cama com o buquê em mãos. Olhava para os saquinhos de soro que pingava, cada máquina que apitava até chegar no rosto da mulher que permanecia acamada, não havendo dúvidas que não havia doença mais terrível que um câncer para os humanos. Sim, agora ela se referia assim, pois a muito deixou de ser humana. Um suspiro deixou seus lábios fechando os olhos, mas foi uma voz, que embora fraca, a fez olhar para ela.

Fia suncê veio me visitar no meu último? — perguntou com a voz baixa a senhora que se esforçava para manter seus olhos abertos.

— Claro. — sorriu. — Eu falei que era eu quem iria levá-la, não foi sra. Adimu? — perguntou sorrindo para ela.

— Um maidé bonito veio aqui esses dias. Um doutor. — A senhorinha deu um curto sorriso. — Ele parece ser um Calundu que nem suncê. — dizia tudo devagar e baixo.

Kallia continuava segurando o buquê de lírios mesmo que agora estivesse sentada ao lado da cama. Seus olhos estreitaram e ela os redirecionou para a porta e depois novamente para a senhora.

— Me trocando por um médico bonito? — sorriu agora ajeitando mais o buquê em seus braços.

Turrona como sempre. — repreendeu. — O homem de branco só quis ajudar. — ela continuou.

Apenas sorrindo ela ergueu as flores as deixando visíveis para ela vê-las.

— Hoje eu trouxe lírios. Um símbolo de pureza. — ela explicou o porquê de sua escolha.

— Vou sentir falta. Sempre que vem aqui traz flores diferentes. — respondeu a senhora em seguida.

A mulher deu um curto e fraco sorriso. Para ela, aquela entidade imponente era apenas uma boa menina que resolveu fazer companhia a uma velha moribunda como ela. Não tinha raiva dela por seus dias terem chegado ao fim. Ela viveu uma boa vida embora os altos e baixos.

— A senhora vale a pena. — disse Kally sorrindo. — E as dores?

Então um gato preto de olhos amarelos atravessa a porta soltando um miado e pula para a cama e feita sobre o peito da mulher, olhando em seu rosto. A garota estreita os olhos e ouve a mulher começando a falar.

𝐂𝐈𝐂𝐋𝐎 𝐃𝐄 𝐑𝐄𝐄𝐍𝐂𝐀𝐑𝐍𝐀𝐂̧𝐀̃𝐎Histórias para pegar e não largar. Descubra agora