03 - Tortura E Um Furioso Sabnock

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Sabnock estava em sua casa, já havia perdido as contas de quantas vezes já havia tentado romper aqueles malditos selos. Não ia conseguir sem o uso da Espada do Seraphim, ou seja, sua espada, aquela que não via há séculos. A grande espada de fio prateado cheio de símbolos mágicos moldados pelo próprio Deus para o uso exclusivo de sua casta. Seu uso se devia ao seu conhecimento, muito preciso sobre os sete pecados que andavam pelo inferno. Ele não era o único dos caídos a estar andando sobre a terra, haviam mais dois além dele. Um suspiro deixou seus lábios finos, automaticamente fechando os olhos e abaixando o rosto, e ele se apoiou os braços na mesa de seu escritório soltando um suspiro para olhar uma foto em um porta retratos, na mesma Ângelo estava em seus braços e os dele rodeavam seu pescoço, lembrava-se o dia em que tiraram essa foto e por quem ela foi tirada. E ao olhar para o rosto dele naquela fotografia que boas lembranças vieram a mente, lembranças que não esperava ter com um humano e por tanto olhar aquela dita imagem teve uma ideia que estava bem longe do que ele normalmente costumaria fazer... 

[...]

Norfolk - Virginia;
Calabouços da Mansão de Asmodeus;

De volta às profundezas do abismo, naquela região que parecia um castelo por dentro, devido aos tijolos que pareciam pedras. Dava para ouvir os gritos de agonia das almas dos mals que estavam nas prisões daquele lugar. E tudo isso não passava de uma ilusão, para simular as profundezas do inferno. O Tenente-Sargento que estava ao comando da UAC nem ouvia direito, a essa altura, já não conseguia mais impedir as lágrimas de descerem pelo seu rosto, se misturando com o sangue já seco, ultrapassando alguns cortes que macularam o rosto angelical do mesmo, no entanto, ele não deu um grito de dor e aquilo só impressionava mais e mais Asmodeus.

— Fascinante! – proferiu segurando a faca totalmente banhada em sangue nas mãos. – Alguém como você vai ser um ótimo Príncipe do Inferno. – constatou mais para si do que para o humano mesmo.

— E-E quem te disse... Quem te disse... Que eu quero isso? – disse totalmente arrogante. A essa altura não estava mais se importando com nada.

Seu padrasto que é mais seu pai do que seu próprio pai e sua mãe, ele se importava, mas ele só queria morrer de uma vez agora. Embora sua mente mostrava imagens dele ao lado daquele homem sendo feliz... Não, não podia pensar nisso agora. Esses pensamentos ainda não eram o suficiente para mudar sua feição apática. O olhar de ódio daquele demonio não se desfez em nenhum momento.

Asmodeus parou de falar ao ser interrpido pelo jovem que o respondeu com atrevimento. Um tapa foi desferido fazendo com que virasse o rosto para o lado e algumas mechas cacheados caíssem sobre os olhos. O sorriso satisfeito ganhou o seus lábios daquele demônio e em fim ele deixou a faca na mesa.

— Você é mesmo fascinante humano. Talvez seja pelo seu histórico, mas ainda assim me fascina de um jeito que nada tenha feito antes. – disse encantado com aquele jovem atrevido de aparência frágil e delicada. Aparentemente não tinha nada disso.

A lança de prata com escritas em sua extensão. A arma do próprio Príncipe das Trevas. estava agora na mão do pecado da luxúria e esse seguiu andando calmamente até o garoto que tinha o pescoço pendido para frente olhando para o chão, arfando, pegou nos cabelos macios e cacheados o fazendo olhar para si, que retribuiu o olhar com o maxilar trincado. Um sorriso ladinho ganhou seus lábios e empurrou a lança em seu abdômen o fazendo ultrapassar e encostar sua ponta na parede. Já era a segunda vez que ele havia feito algo do tipo, mas essa ele torceu e a tirou em seguida e embora a cara feia que o garoto fez, nenhum grito foi dado. Seus olhos reviraram e a visão ficou turva.

A pergunta que se passou pela cabeça de Ângelo fora: Eu vou desmaiar ou vou morrer?

— Sabnock... – chamou pelo outro de forma inconsciente e vulnerável de seus lábios. Como se ânsiasse ser salvo pelo mais velho.

𝐂𝐈𝐂𝐋𝐎 𝐃𝐄 𝐑𝐄𝐄𝐍𝐂𝐀𝐑𝐍𝐀𝐂̧𝐀̃𝐎Histórias para pegar e não largar. Descubra agora