Os fortes raios de sol atingiram em cheio a cama onde Maiara dormia, fazendo-a reclamar ainda sonolenta. Estava calor e não havia, de fato, um ar condicionado ou um ventilador. Como viu que não conseguiria dormir, ela se levantou e verificou as horas na mesinha de canto: Quase meio dia. Seus olhos se esbugalharam; como havia dormido tanto?
A garota se espreguiçou e vestiu sua calcinha que estava jogada no chão e a camiseta branca de Marília para então ir escovar seus dentes.
Onde Marília haveria ido e por que não a acordara? Já havia percebido que odiava acordar sozinha, ainda mais após uma noite inteira de sexo com sua namorada.
Assim que terminou sua higiene bucal ela migrou para a cozinha; queria tomar um banho e com certeza tomaria, mas antes comeria algo; sentia-se faminta.
— Bom dia, garotas! — Maiara disse, bocejando e abrindo a geladeira.
— Bom dia, Maiara! — Marasa cumprimentou. — Ouch, Lu. Isso dói — reclamou. Luísa fazia tranças em seu cabelo enquanto Lauana assistia.
— Bom dia, Mai — Luísa disse. — Não mexa a cabeça que não doerá — a loira replicou.
— Mai. Gozou bastante a noite? — Lauana perguntou rindo, fazendo Maiara
Ihe olhar confusa.
— Por que acha que Marília e eu transamos?
— Bem, a Marília é um pouco barulhenta e ontem a gente só ouvia as respirações ofegantes lá do meu quarto, ou seja, foi você que deu — Lauana disse rindo.
— Ficaram ouvindo na parede? — Maiara perguntou incrédula.
— Não, a cama batia na parede e a casa estava silenciosa, aí deu para ouvir bem — Maraisa disse rindo.
— E vocês duas foram até o quarto da Lauana para quê? — Maiara perguntou semicerrando os olhos.
— Assistir filme — Luísa respondeu prontamente. — Mas diz logo antes que a Marília volte, ela odeia falar dessas coisas.
— Dizer o quê? — Maiara perguntou, despejando cereal em um prato e logo em seguida o leite.
— Transaram muito?
— Muito. Muito mesmo! — Maiara disse, finalmente, rindo e mordendo os lábios. Lauana bateu palminhas animada e levou uma mão ao queixo, olhando para a ruiva..
— Não fez nada com ela nenhuma vez? — Maraisa zombou. — Estou chocada.
— Não zombe — Maiara disse. — Não temos isso de passiva ou ativa. Apenas... Deixamos fluir.
— Então só deu? — Maraisa insistiu ainda zombando.
— Também transamos no banheiro, ok? — Maiara deu-se por vencida.
— Sabia que aquela passiva tinha dado — Maraisa gritou rindo.
— Não vejo problema nenhum em dar. Não se põe rótulos nesse tipo de coisa — a voz solene de Marília se fez presente, fazendo o silêncio se instaurar.
A mulher trajava um short jeans desbotado curto, que desenhava sua curvas, uma camisa de botão xadrez, azul e preta, uma bota preta e o chapéu preto que havia comprado de Anne. Maiara suspirou embasbacada. Que pedaço de mulher!
— Onde esteve, Lila? — Maiara perguntou, se virando na cadeira para receber o beijo de bom dia de Marília.
— A peça do caminhão chegou mais cedo — ela disse dando um selinho em Maiara. — Em dois dias já poderemos partir.
— Até que enfim. Estou adorando estar por aqui, inclusive o sexo delicioso que estou tendo, mas já tenho saudades das minhas flores — Lauana disse, fazendo Camila lhe fitar.
— Flores?
— Sim, tenho uma floricultura, não te disse? — Maiara negou e Lauana assentiu. — Deixei nas mãos da minha funcionária, a Veronica, mas já sinto falta daquelas flores.
— Das flores ou da regadora? — Maraisa sugeriu rindo e Lauana franziu os olhos.
— Idiota! Eu e Veronica nunca transamos.
— E não está precisando de mais gente para trabalhar? — Maiara perguntou. — Sou multi-funcional, só preciso de uma chance.
— Na verdade estou, mas pensei que gostaria de trabalhar com a Marília — Lauana disse confusa e Marília coçou a nuca.
— Eu ainda não tinha falado com ela disso — Marília disse, fazendo Maiara lhe fitar.
— Hm... Então minha namorada tem algo a me dizer? — Maiara disse sorrindo e as três arregalaram os olhos. Maraisa engasgou.
— Namorada? — Perguntaram em uníssono.
Marília ajeitou seu chapéu na cabeça e Maiara sorriu.
— É. Meio que começamos a namorar ontem a noite — Marília disse, sabendo que o tão famoso falatório das garotas começaria.
Após responder a enxurrada de perguntas, Marília voltou-se para Maiara. A garota usava apenas sua camiseta branca da noite passada e a loira tinha certeza que usava apenas calcinha por debaixo dela.
— Então, eu sou péssima com contas — Marília disse, entrelaçando seus dedos com os de Maiara que ainda estava sentada, já havia terminado seu cereal, porém a loira continuou em pé ao seu lado. — E seria legal se você se encarregasse de checar a mercadoria e se o pedido está certo. O salário é bom e você nem precisa viajar comigo caso não queira — explicou. — Eu pago para pessoas aleatórias fazerem esse serviço a cada vez que viajo e se quiser o emprego é seu.
Maiara abriu a boca incrédula antes de sorrir.
— Jura?
— Sim — Marília replicou. — Eu sei o quanto fica desconfortável quando eu que pago tudo. Eu não me importaria com isso, mas percebi que se incomoda — suspirou e baixou o tom de voz. Queria apenas que Maiara a ouvisse. — Isso não tem nada a ver com a gente, Mai. Se um dia terminarmos, e eu realmente espero que isso nunca aconteça, mas se acontecer saiba que o emprego ainda será seu. Você pode alugar algo para você, pagar seus estudos se quiser estudar, qualquer coisa.
— Não ligaria se eu quisesse estudar? — Maiara perguntou.
— Claro que não. Eu morreria de saudades, mas não quero interferir em nada do que goste ou queira fazer — falou sinceramente. — Eu já disse, Mai, eu só quero o seu bem.
— Linda! — Maiara sussurrou, dando um selinho demorado em Marília.
— As viagens variam de cinco a vinte e cinco dias, isso depende para onde eu vá. Só precisa chegar à mercadoria no dia que eu partir.
— Obrigada, amor — Maiara murmurou, envolvendo seus braços ao redor de sua namorada e deitando sua cabeça em seu peito. — Mas vou preferir viajar com você por enquanto. A saudade não me deixa ficar longe — três suspiros ecoaram do outro lado do balcão e Marília revirou os olhos, mas ignorou.
Ignorou somente porque ela também suspirou. Maiara a havia chamado de "amor" e dessa vez não fora durante uma transa.
— Certo, mas se no futuro desejar fazer algo que goste não hesite em fazer.
— Prometo — Maiara sussurrou, sentindo Marília se inclinar e depositar mais um beijo em seus lábios.
Os três suspiros voltar a ecoar, fazendo Maiara não aguentar e rir.
A sensação de família estava lá de novo e se dependesse dela jamais deixaria isso se perder.
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Destino Incerto | Mailila
FanfictionMarília Dias Mendonça é uma caminhoneira; levava a sua vida na tranquilidade das estradas de todo o país. Aos seus vinte e sete anos não se via fazendo outra coisa senão dirigir, exatamente como seu pai a ensinara. A garota possui mais duas irmãs ad...
