Mistura desuniforme

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Gumball chega no seu quarto já havia anoitecido a horas atrás, ele e Marshall ficaram assistindo o show até o fim, apenas curtindo a música e a companhia um do outro, Gumball se sentia bem mais leve com o peso em suas costas o deixando por algumas horas.


— E não é que o príncipe consegue se divertir no final das contas? — Gumball sorri de leve, nem ele sabia que podia fazer isso, tudo aquilo era incrivelmente novo e de certa forma interessante — Podíamos repetir isso outra vez, seria divertido quem sabe eu até consigo fazer você gostar de alguma banda que eu ouço e...


— Marshall... foi legal hoje, mas eu tenho que voltar a minha rotina agora... eu vou ter que trabalhar a noite inteira para compensar... — Gumball vê Marshall ficar desconcertado desviando o olhar, ele nunca ia admitir que ficou chateado e talvez um pouco culpado de fazer o príncipe trabalhar uma hora dessas — Eu estou falando serio sobre ter gostado... eu só tenho que voltar aos meus afazeres...


— Eu... só pensei... ah, esquece, não era importante. — Marshall se vira para sair, mas mantem as mãos encostadas na janela sem passar por ela, suas palavras saem antes que perceba que falou — É difícil entender você Gumball, eu nem sei o que é isso que a gente tem.


— E você acha que eu sei? Eu não entendo noventa por cento do que eu sinto, tudo é assustador e completamente fora da minha zona de conforto. — Gumball devia ficar calado, acabar a noite de um jeito feliz, mas não conseguia filtrar seus pensamentos quando o assunto era Marshall — Eu só quero entrar no meu laboratório e tentar entender o que está acontecendo, você já ocupa demais os meus pensamentos.


— Você quer se esconder no seu laboratório e fingir que não gosta de mim? — Marshall se vira desistindo de ir embora, ele iria passar aquela história a limpo, nem que acabasse a noite de uma forma péssima — Eu sou tão prejudicial assim para você? a cada momento parece que você quer me afastar ainda mais, negar tudo que tá acontecendo, eu só queria conversar sobre isso.


— ... Talvez eu queira, as coisas seriam mais fáceis. — Gumball se arrepende no momento que diz aquelas palavras, ele não queria ser mal com Marshall, não queria ver aquele olhar no rosto dele, a magoa surgindo — Eu não quis dizer isso, eu...


— Tudo bem, não precisa se explicar, nós somos diferentes demais, não vai funcionar. — Gumball fica divido, não sabia o que fazer, mas por enquanto sua melhor opção era manter Marshall ali para eles poderem conversar. — Eu devia ir, te deixar com suas coisas científica e problemas de gente responsável.


— Não Marshall, espera por favor. — Gumball segura o braço de Marshall ele não podia deixar as coisas acabarem assim, mesmo que não soubesse o que fazer — Eu gosto de você, de um jeito esquisito, mas gosto... tudo isso é loucura para mim e você sabe eu sou um cara racional, é difícil entender...


— Você não precisa entender para ser bom... — Gumball abaixa a cabeça, não era tão simples assim para ele, desligar seu cérebro era uma tarefa impossível — Você podia ser impulsivo só uma vez e fazer o que quiser, esquece tudo e só foca na gente por um momento.


— Marshall eu... — Gumball respira fundo, o que ele queria? O que Marshall significava em sua vida? As perguntas o deixam tonto e faz algo que nunca imaginou fazer — Eu... te acho um gato...


— Serio? Esse é o seu máximo de sinceridade? — Marshall sorri dissipando toda a tensão do momento, Gumball fica confuso tentando entender a mudança de humor — Por um momento eu achei que você ia me beijar, mas já é um avanço.


— Te... b-beijar!? — Gumball fica completamente vermelho imaginado a cena, ele nunca teria coragem de tomar a iniciativa para algo assim — Eu... não... eu... e...


— Você não quer? — Marshall pergunta, seu rosto sem sarcasmos ou raiva, era uma pergunta legítima e Gumball fica sem palavras para responder — Você me pararia se eu tentasse te beijar agora?


— ...N-Não... eu....


Marshall então segura o rosto de Gumball e aproxima os lábios do príncipe ao seu, a sensação era de formigamento, enquanto sua pele perdia a cor com o toque das presas de Marshall, Gumball sente seu corpo vacilar enquanto pela primeira vez em sua vida seu cérebro se desliga deixando ele apreciar a sensação indescritível que o vampiro o fazia sentir.


— Isso foi... muito bom. — Marshall se afasta ficando um pouco envergonhado, só conseguia pensar se não tinha ido rápido demais com Gumball — Me desculpa eu não devia ter feito assim tão repentino, você deve me odiar agora.


— ... Marshall... — Gumball tenta inutilmente verbalizar o que ele estava sentindo, ele respira fundo, Gumball fazia discursos para milhares de doces todos os dias, ele podia falar com Marshall... — Fica...


— Você quer que eu... durma aqui? — Gumball fica ainda mais vermelho, aquilo estava ficando cada vez mais complicado, então ele nota o sorriso sarcástico de Marshall, ele estava se divertindo com aquilo? — Bem isso é muito repentino, mas eu adoraria.


— Seu... eu quis dizer... fica... c-com...comigo. — Gumball abaixa a cabeça e se encosta em Marshall deveria ser mais fácil falar aquelas coisas sem olhar seu rosto — Eu quero que isso funcione, mesmo que eu não saiba como e mesmo que você me tire do sério inúmeras vezes e seja um...


— Okay é melhor parar por agora, eu também quero que isso funcione. — Gumball se afasta, havia percebido que era ainda pior ficar fitando o corpo de Marshall para acalmar seu nervosismo — Agora realmente é melhor eu ir... mas aquela oferta de ficar aqui... ainda está de pé se quiser algum dia.


Gumball fica corado enquanto vê Marshall se despedir e sair pela janela voando, Gumball se senta no pé da cama olhando para o teto processando tudo, aquilo era uma loucura completa, mas de alguma forma ele estava muito feliz, Gumball passa os dedos pelos lábios e sorri para si mesmo.


— Marshall, o que você fez comigo? Eu não consigo parar de pensar em você.

AgridoceOnde histórias criam vida. Descubra agora