Sabores em harmonia

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Gumball odiava profundamente aquela sensação, era um estranho incomodo no seu lóbulo frontal, revisando de forma cíclica sua falha na casa de Marshall, agora nem sabia em qual estado de relação os dois tinham e isso era insuportável.


— Príncipe? Aconteceu alguma coisa? — Mordomo menta comenta e Gumball demora um momento até responder à pergunta apenas assentindo levemente — O senhor parece Aéreo


— Menta, mesmo meu reino prosperando e minhas pesquisas indo bem eu me sinto... idiota. — Gumball não tinha palavra melhor para descrever, desde que começou a sentir coisas por Marshall sentia que cometia sempre um ato tolo sem explicação plausível — Estou fazendo coisas ilógicas, não consigo me concentrar e minha noite de sono foi péssima.


— Poderia ter relação com o vampiro que parece ser uma presença cotidiana aqui no castelo? — Gumball desvia o olhar deixando claro sua resposta, mordomo menta suspira preocupado com o garoto, mesmo sendo um príncipe ele era muito novo ainda — Não me leve a mal, mas esse garoto me parece um problema e desde que ele começou a aparecer você não parece o mesmo.


— Eu sei..., mas uma parte de mim não sabe se isso é uma coisa necessariamente ruim. — Gumball sempre quis aprender sobre todo e qualquer assunto, e seu lado cientista estava curioso para analisar as sensações que Marshall o causava — Além disso, ele não é tão mal assim.


— Ele é um vampiro, um ser sem alma do submundo.


— E você vendeu a sua e mesmo assim confio em você — Menta fica sem palavras e aquela discussão boba entre os dois deixa Gumball um pouco mais animado — Marshall me ajuda a entender uma parte de mim que eu não conheço..., mas isso não importa mais, eu estraguei tudo.


— Como disse não gosto tanto assim dele por isso eu sei que isso não vai acabar tão fácil assim. — Gumball se flagrou torcendo para aquilo ser verdade, querendo não ter estragado tudo — Seres como ele não param até conseguir o que querem, é completamente irritante.


— V-Você acha que ele me quer?! — Gumball fala completamente vermelho e um pouco hiperventilando — Oh... oh! Mas qual seria a probabilidade? Talvez se eu fizer...


— Eu recomendo que sua majestade descanse, se sentirá mais focado pela manhã. — Gumball para de falar, realmente um pouco de tempo privado devia o ajuda-lo a pensar melhor, mas não podia fazer, não podia deixar suas obrigações — Deixe que eu resolvo as coisas por aqui, só precisa ler alguns arquivos mesmo.


— Obrigado menta, você é o melhor.


O mordomo revira os olhos, mas com um sorriso gentil nos lábios, Gumball era uma pessoa muito ingênua em questão de sentimento, era óbvio com suas expressões que tinha se apaixonado por Marshall e não superaria tão facilmente, o que realmente o preocupava era se o garoto não ia se machucar por ser desse jeito, o mordomo suspira entendendo que não havia nada que pudesse fazer para impelido.


Gumball vai para os seus aposentos tomar um banho relaxante para tirar todas as preocupações do seu corpo e vestir seu pijama se sentindo bem melhor depois de todo esse processo, a noite cai e a temperatura era agradável, Gumball decidiu ficar na janela olhando todo o reino, ele nunca tinha duvidado do seu potencial, nunca tinha duvidado das regras que o mundo impôs para ele, mas depois de ver o que uma relação podia fazer com ele agora questionava o motivo de ser dada tanta responsabilidade para jovens que nem podiam ter a nomenclatura de rei, os outros tinha pais e mestres que os aconselhavam com os seus reinos, mas Gumball estava a deriva, sozinho no mundo e toda aquela responsabilidade o esgotava, não tinha abertura para errar ou seu reino pagaria o preço, mas mesmo assim parecia que errava sempre quando o assunto era Marshall.


Seus pensamentos divagam tanto que ele mal percebe o vampiro surgir na janela se jogando para trás de susto, Marshall olha para Gumball subindo seu olhar por todo o seu corpo ficando avermelhado ao perceber que realmente o garoto usava a camiseta de pijama.


— Quantas vezes você vai entrar no meu quarto assim, oh meu Glob, eu ainda terei um infarto! — Marshall sorri esticando a mão e ajudando o príncipe a se erguer, quando os dois ficam próximos ele logo se afasta envergonha — O que te traz aqui? Pensei que depois do fiasco na sua casa...


— Sim, eu hesitei em vir, por não saber como você ia reagir, mas eu estava com vontade de vir aqui. — Gumball engole em seco, não tinha planejado aquele reencontro, suas palavras não queriam sair, como se não se formassem corretamente na sua cabeça — Eu consigo ver na sua cara que você está pensando demais, só me diz o que aconteceu e talvez eu possa ajudar.


— ... Eu... fiquei inseguro quando você disse sobre... seus outros relacionamentos. — Marshall agora entendia o motivo do garoto ter se sentido assustado, era comum pessoas se sentirem assim — Eu sempre fui o melhor em tudo e... nisso... eu não sei absolutamente nada, como eu posso competir com outra pessoa?


— Você não está competindo com ninguém e mesmo se estivesse já teria ganhado, eu estou aqui... não com outro. — Gumball sorri, era assim que Marshall pensava? Ele tinha realmente escolhido Gumball entre todos os seus pretendentes? — Além disso, você é meu namorado, não é?


— Namorado... — Gumball aperta seu pulso torcendo a camisa levemente, seu coração parecia que ia explodir a qualquer momento, então realmente Marshall o considerava... — Eu... pensei em você o dia todo, na verdade.


— O mesmo aqui, e no fim pude te ver de pijama. — Gumball olha para baixo percebendo agora que estava vestido daquele jeito, a camisa de banda e shorts extremamente curtos, seu rosto fica ainda mais rosa — Ela fica bem em você, com certeza.


Marshall se aproxima na mesma medida que Gumball se afasta até que os dois não tivessem mais para aonde ir, O príncipe estava praticamente sentando na cama dele e o vampiro com seu corpo colado.


— Está tudo bem a gente continuar... o que estava acontecendo lá em casa?...


Gumball fica sem palavras apenas confirmando se sentindo um pouco mais a vontade com aquela investida, Marshall acaba com a distância entre os dois com um beijo, novamente eles chegam no ponto que não tinha como voltar atrás, mas agora nenhum deles impede sendo tarde demais, seus instintos tinham vencido e a noite apenas começando.

AgridoceOnde histórias criam vida. Descubra agora