XXI. Tudo o que me resta.

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- Annabeth Wood -
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Faziam alguns minutos desde que Jace tivera falecido e eu continuava a encarar o corpo dele ali, vendo rapidamente a pele quente por causa dos cobertores se esfriar.

Eu não conseguia parar de chorar e uma dor avassaladora atingia todo o âmago da minha alma, arrebatando meu coração completamente, quase como se aquela fosse a última pessoa da minha família na qual eu realmente confiava até mesmo o meu segredo mais profundo, se é que eu ainda não tinha contado aquilo para ele.

Me sentia perdida... mas... antes que eu pudesse descer e avisar a todos uma pessoa bateu na porta, e eu, obviamente corri para atender.

- Socorro o Ja- - mas antes que eu pudesse concluir a frase, me assustei com Vinnie parado na porta com um buquê de flores. Imediatamente a expressão carinhosa dele se mudou para preocupada.

- Gatinha? O que aconteceu? - ele adentrou o quarto e fechou a porta, quase como se não quisesse que mais ninguém entrasse ali com nós dois. Ele me conhecia o suficiente para saber que eu não iria falar nada para ninguém, exceto ele.

- O Jace ele... ele morreu. - choraminguei e apontei para a cama com o idoso virado de costas sem respirar.

- Puta que pariu... temos que chamar alguém! - ele se virou em direção à porta, mas antes que pudesse sair, eu contestei ao me lembrar...

- Não... não chama ninguém. Não ainda pelo menos. Ele não iria querer.

- Annabeth, esse homem tá morto! Quem é ele?

- É meu tio... ele... será que a gente só pode sair daqui..? Eu te explico tudo, mas confie em mim. Não precisamos chamar ninguém. Não agora.

Vinnie respirou fundo e logo os olhos arregalados se relaxaram. Ele concordou com a cabeça devagar e abriu a porta, me dando passagem e me guiando até o meu quarto.

Meu corpo inteiro ainda tremia, mas ao perceber aquilo, o garoto me abraçou, me acolhendo em seus braços. Era a sensação de solidão, mesmo com a minha família inteira conversando sobre política e rindo das fofocas da pequena cidade. Eu sabia que tinha amigos e que qualquer um deles iria me ajudar, mas mais do que nunca eu sabia que se todos eles fossem embora... eu ficaria sozinha com a minha mãe... a mulher que mesmo batalhadora não era a melhor mãe do mundo para se confiar.

Eu afastei o meu corpo do de Vinnie e caminhei até a cama, dando espaço para que ele se deitasse junto à mim como sempre fazia. Deixei apenas a minha mão de fora do cobertor e ele entrelaçou seus dedos aos meus, deixando um selar de seus lábios no topo da minha cabeça.

Me inclinei sobre o corpo dele e peguei o buquê de flores que estava em cima da cômoda, tocando a ponta dos meus dedos nas pétalas macias de uma rosa. Haviam rosas e tulipas, todas enroladas num pano branco.

- São para mim? - questionei em um sussurro fitando cada uma delas.

- Para quem mais elas seriam? - o garoto levou sua mão até a minha bochecha, acariciando-a com ternura. Eram tão macias e calmas...

Pousei o buquê sobre o outro lado da cama e me enterrei por entre o terno do loiro, sentindo seus braços rodearem a minha cintura como sempre. Ele realmente gostava dali.

𝗕𝗔𝗗 𝗪𝗔𝗬, Vinnie Hacker (HIATUS)Onde histórias criam vida. Descubra agora