- Não. - A recusa de Stella ecoou pela cabana, e aquela parecia ser a décima terceira vez que ela pronunciava a mesma palavra somente naquele dia.
Sage, contudo, ignorou a barreira verbal. Suas mãos massivas fecharam-se ao redor da cintura dela, içando seu corpo do chão com uma facilidade desconcertante para depositá-la em pé sobre o estofado do sofá. A mudança de altura a colocou ao nível de seus olhos, permitindo que ele se embriagasse com o aroma adocicado de pêssego que emanava da pele dela.
Para Sage, o toque era o canal definitivo de controle; bastava roçar os dedos por ela para que seus próprios instintos territoriais se acalmassem. No momento, o impasse residia nas vestes. Ele insistia para que Stella usasse suas roupas - peças impregnadas com seu rastro almiscarado e denso, o que selaria a propriedade dela perante qualquer outro macho e apaziguaria a fera em seu peito. Stella, no entanto, argumentava que a exigência era irracional e se recusava a ceder.
- É apenas por esta noite - Sage mentiu, a voz modulando para um tom macio.
Seria pelo resto de suas vidas, mas ele guardou a certeza para si. Stella estreitou o olhar, as pupilas castanhas faiscando em clara desconfiança.
- Não tenho certeza se posso acreditar em você... mas está bem. Vá buscar.
A concessão agiu como uma descarga de adrenalina no peito do shifter. Sage moveu-se em direção ao quarto com passos rápidos, revirando sua bolsa tática até encontrar o que desejava: uma camiseta de algodão escura que ele já havia usado e que carregava a assinatura de seu odor. Quando retornou à sala, encontrou Stella deitada no sofá, os olhos semiabertos pela exaustão. Antes que ela pudesse formular um protesto, ele a colheu nos braços. Um sobressalto escapou dos lábios dela enquanto era carregada até o quarto, onde ele a depositou delicadamente de pé ao lado do leito.
- Por que tudo isso? - Stella indagou, cruzando os braços. - É algum protocolo ritualístico dos shifters ou você está apenas exercendo sua possessividade?
Sage sustentou o olhar, a mandíbula rígida. Ele sequer sabia racionalizar se o impulso vinha de sua herança genética; a única verdade que compreendia era a necessidade absoluta de mantê-la envolta em sua presença, sob qualquer pretexto.
- Vista - ordenou, a voz grave vibrando no espaço confinado.
Stella apoiou as mãos nos quadris, uma postura de irritação desafiadora que Sage achou adorável, embora tenha se forçado a manter a seriedade. Sabia que sorrir naquele momento arruinaria a negociação.
- Você vai continuar parado aí ou vai me dar privacidade?
- Vista. Agora - ele insistiu, incisivo, dando um passo à frente.
Stella tateou a barra do pijama curto de forma hesitante. Seus movimentos pareceram congelar sob o escrutínio dele, o rubor subindo pelas bochechas.
- Eu não consigo... é íntimo demais.
Um rosnado de frustração arranhou a garganta de Sage. As memórias da floresta, do calor e da fricção primitiva de seus corpos na mata queimavam em sua memória. Ele a queria despida de defesas, e queria isso imediatamente.
- Não há motivos para se ocultar de mim, Stella. Sou eu - ele sussurrou, a voz caindo para um registro confessional. - Fui biologicamente moldado para venerar cada milímetro do seu corpo.
A declaração alterou a atmosfera do quarto. Stella vacilou, desvencilhando-se sutilmente do cerco dele. Sage permitiu o recuo, embora a perda imediata do contato físico tenha feito seus punhos se cerrarem involuntariamente. Ele controlou o impulso de avançar; a confiança dela era um território frágil que ele não ousaria violar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sage
RomanceLivro 2 Onde o medo termina, o instinto começa. Stella passou a vida inteira fugindo. Criada sob a sombra de uma mãe abusiva e perigosa, ela aprendeu que a única pessoa em quem pode confiar é em si mesma. Mas quando uma fuga desesperada pela flore...
