Cap 22🌹 Editado

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​- Não. - A recusa de Stella ecoou pela cabana, e aquela parecia ser a décima terceira vez que ela pronunciava a mesma palavra somente naquele dia.

​Sage, contudo, ignorou a barreira verbal. Suas mãos massivas fecharam-se ao redor da cintura dela, içando seu corpo do chão com uma facilidade desconcertante para depositá-la em pé sobre o estofado do sofá. A mudança de altura a colocou ao nível de seus olhos, permitindo que ele se embriagasse com o aroma adocicado de pêssego que emanava da pele dela.

​Para Sage, o toque era o canal definitivo de controle; bastava roçar os dedos por ela para que seus próprios instintos territoriais se acalmassem. No momento, o impasse residia nas vestes. Ele insistia para que Stella usasse suas roupas - peças impregnadas com seu rastro almiscarado e denso, o que selaria a propriedade dela perante qualquer outro macho e apaziguaria a fera em seu peito. Stella, no entanto, argumentava que a exigência era irracional e se recusava a ceder.

​- É apenas por esta noite - Sage mentiu, a voz modulando para um tom macio.

​Seria pelo resto de suas vidas, mas ele guardou a certeza para si. Stella estreitou o olhar, as pupilas castanhas faiscando em clara desconfiança.

​- Não tenho certeza se posso acreditar em você... mas está bem. Vá buscar.

​A concessão agiu como uma descarga de adrenalina no peito do shifter. Sage moveu-se em direção ao quarto com passos rápidos, revirando sua bolsa tática até encontrar o que desejava: uma camiseta de algodão escura que ele já havia usado e que carregava a assinatura de seu odor. Quando retornou à sala, encontrou Stella deitada no sofá, os olhos semiabertos pela exaustão. Antes que ela pudesse formular um protesto, ele a colheu nos braços. Um sobressalto escapou dos lábios dela enquanto era carregada até o quarto, onde ele a depositou delicadamente de pé ao lado do leito.

​- Por que tudo isso? - Stella indagou, cruzando os braços. - É algum protocolo ritualístico dos shifters ou você está apenas exercendo sua possessividade?

​Sage sustentou o olhar, a mandíbula rígida. Ele sequer sabia racionalizar se o impulso vinha de sua herança genética; a única verdade que compreendia era a necessidade absoluta de mantê-la envolta em sua presença, sob qualquer pretexto.

​- Vista - ordenou, a voz grave vibrando no espaço confinado.

​Stella apoiou as mãos nos quadris, uma postura de irritação desafiadora que Sage achou adorável, embora tenha se forçado a manter a seriedade. Sabia que sorrir naquele momento arruinaria a negociação.

​- Você vai continuar parado aí ou vai me dar privacidade?

​- Vista. Agora - ele insistiu, incisivo, dando um passo à frente.

​Stella tateou a barra do pijama curto de forma hesitante. Seus movimentos pareceram congelar sob o escrutínio dele, o rubor subindo pelas bochechas.

​- Eu não consigo... é íntimo demais.

​Um rosnado de frustração arranhou a garganta de Sage. As memórias da floresta, do calor e da fricção primitiva de seus corpos na mata queimavam em sua memória. Ele a queria despida de defesas, e queria isso imediatamente.

​- Não há motivos para se ocultar de mim, Stella. Sou eu - ele sussurrou, a voz caindo para um registro confessional. - Fui biologicamente moldado para venerar cada milímetro do seu corpo.

​A declaração alterou a atmosfera do quarto. Stella vacilou, desvencilhando-se sutilmente do cerco dele. Sage permitiu o recuo, embora a perda imediata do contato físico tenha feito seus punhos se cerrarem involuntariamente. Ele controlou o impulso de avançar; a confiança dela era um território frágil que ele não ousaria violar.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora