Stella sentia a própria pele entrar em combustão sob o olhar dele, que permanecia envolto em uma calma desconcertante. Ela travou uma batalha silenciosa contra o próprio corpo, recusando-se a admitir a fascinação que os músculos esculpidos e o abdômen trincado do desconhecido exerciam sobre ela. Era humilhante. Mesmo tentando desviar o foco, a visão periférica a traía, captando a potência bruta entre as coxas grossas e a postura animalesca que ele ostentava sem qualquer pudor.
Ele era o arquétipo do perigo: braços massivos e uma presença que prometia tanto proteção quanto ruína. Stella sempre temera homens assim — aqueles que detêm o poder de esmagar um coração com a mesma facilidade com que dominam uma sala. Ela os vira a vida toda, predadores sociais que orbitavam as garotas mais bonitas enquanto ela permanecia nas sombras, ouvindo relatos sobre mãos atrevidas e conversas vazias. Mas este homem... ele não era um "polvo" social. Ele era algo primitivo.
Um rosnado baixo vibrou no peito dele, e o som fez o sangue de Stella ferver de uma forma que a lógica não conseguia explicar. Suas bochechas ardiam; ela estava faminta pela visão daquela nudez selvagem, uma traição completa de sua própria determinação.
— Abra as pernas — ele ordenou. A voz era um trovão contido, áspero e absoluto.
O impacto daquelas palavras a atingiu como um golpe físico. Stella arregalou os olhos, sentindo uma umidade súbita e embaraçosa trair sua resistência. O pensamento de que ele a despiria e a tomaria ali mesmo, sobre a terra úmida, passou por sua mente como um relâmpago.
— O quê? — A pergunta escapou em um sopro, carregada de incredulidade.
— Acredite em mim — ele começou, e por um momento parecia lutar contra os próprios instintos —, eu não irei acasalar com você agora, por mais que cada fibra do meu ser exija isso. Mas preciso tirar seu corpo delicado deste chão, e esta é a única forma de carregá-la.
Ele parecia falar mais consigo mesmo do que com ela, uma tentativa desesperada de manter a fera sob controle. Stella engoliu em seco, a boca abrindo e fechando sem emitir som, sentindo-se pesada e vulnerável.
Ela cedeu. Permitiu que suas pernas envolvessem a cintura larga e trabalhada dele. O contato foi elétrico. Ao erguê-la, o quadril dele pressionou-se contra o dela, uma fricção deliberada que arrancou um gemido rouco das profundezas da garganta do homem. Stella olhou para baixo e viu, por entre os lábios dele, presas que despontavam, prontas para marcar. O mundo pareceu sair de órbita quando ele finalmente se pós de pé, mantendo-a presa ao seu corpo.
O vento parou. O tempo congelou.
— Você me faz sentir... — ele murmurou, a voz baixa e vibrante contra o pescoço dela — ...como se eu tivesse finalmente encontrado algo precioso demais para o mundo.
Stella não encontrou palavras. Estava perdida naqueles olhos selvagens que a despiam de todas as defesas.
— Diga-me seu nome — ele exigiu. — Quero saber o nome da mulher que carregará meus filhos.
— Stella!
O grito não veio dela. A voz de Jess rompeu o feitiço. Stella virou o rosto e viu a amiga, acompanhada por um homem armado com um rifle e Grand. A vergonha a inundou instantaneamente. Ela estava ali, enroscada em um homem nu e visivelmente excitado, em uma cena que desafiava qualquer explicação racional.
O homem rosnou, um som puramente territorial, e colocou Stella no chão com uma delicadeza possessiva. Ele se posicionou à frente dela, protegendo-a com o próprio corpo, como se o grupo de resgate fosse a verdadeira ameaça.
— Deixe-a ir, Sage — Grand disse, a voz firme e carregada de uma autoridade que Stella reconhecia dos tempos de colégio. — As amigas dela estão preocupadas. Seja racional, deixe-a voltar para casa.
— Ela já está em casa — Sage rebateu, os músculos das costas retesados. — Comigo.
— Qual é, Sage... pense — Grand insistiu. — Ela é humana. Não sobreviveria um dia neste ambiente, exposta a animais e a shifters que não possuem o seu código de honra.
Sage apertou os punhos, um rosnado vibrando no ar. O insulto de Grand à sua capacidade de prover pareceu atingi-lo profundamente.
— Eu sou o melhor caçador desta região — Sage declarou com uma convicção ferina. — Eu sou forte. Eu a protegeria de tudo. Ela é minha responsabilidade agora.
— E você perguntou o que ela quer? — Grand deu um passo à frente. — Ela não pertence a este mundo selvagem, longe de tudo o que conhece. Nós não forçamos nossas fêmeas, Sage. Você sabe disso.
Sage hesitou. Ele olhou para Stella, e por um breve segundo, a luz da razão brilhou em seus olhos escuros antes de ser obscurecida novamente pela determinação.
— Você tem razão. Não as forçamos — ele admitiu, voltando-se para Grand. — Mas as persuadimos. Ela me aceitará. Viveremos à minha maneira.
Stella sentiu o peso daquela declaração. Ele falava dela como uma propriedade, um "criadouro" para sua linhagem. O romantismo fantasioso que ela sempre cultivara — de abraços quentes e juras de amor eterno — colidia frontalmente com aquela realidade brutal. Ela gostava da selvageria dele, sim, mas não ao custo de sua liberdade e de sua alma.
— Ele tem razão — Stella disse, sua voz saindo mais firme do que esperava. — Eu não quero ir com você. Sinto muito.
Antes que ele pudesse processar a rejeição, Stella correu. Ela disparou em direção ao grupo, aproveitando o instante de choque de Sage. Foi o ato mais corajoso de sua vida, o oposto de tudo o que ela costumava ser. Jogou-se nos braços de Jess, deixando as lágrimas finalmente vencerem sua resistência.
Um urro de dor e fúria ecoou pela floresta, um som tão lúgubre que Stella sentiu vontade de tapar os ouvidos.
— Use o tranquilizante! — Grand ordenou.
O estalo do disparo foi seguido por um silêncio pesado. Sage lutou, seus instintos resistindo à droga química, até que o gigante finalmente sucumbiu e tombou sobre a terra.
— Acabou, Stella. Vamos — Jess disse, afastando as mechas de cabelo do rosto da amiga. — Você precisa sair daqui, tirar essa sujeira. Um banho quente vai ajudar a esquecer isso.
Stella permitiu ser guiada, mas enquanto se afastava, sentiu um vazio estranho no peito. O banho talvez limpasse a lama, mas ela suspeitava que o cheiro daquela fera jamais deixaria sua memória.
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Sage
RomanceLivro 2 Onde o medo termina, o instinto começa. Stella passou a vida inteira fugindo. Criada sob a sombra de uma mãe abusiva e perigosa, ela aprendeu que a única pessoa em quem pode confiar é em si mesma. Mas quando uma fuga desesperada pela flore...
