Cap 10 🌹 Editado

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O despertar foi violento, como se o mundo tivesse sido estilhaçado em centenas de fragmentos cortantes dentro de sua cabeça. Sage abriu os olhos, mas a visão demorou a encontrar foco. As paredes de madeira rústica e o odor de resina e carvalho indicavam um ambiente novo; pelos sons do farfalhar das árvores e o isolamento acústico, percebeu que estava em uma cabana remota. Ao menos, não era a cela fria e estéril de onde viera.

​A porta foi aberta com um solavanco, e o hall de entrada emoldurou a figura imponente de Grand. O Alfa não parecia satisfeito. Seus olhos vasculharam o quarto com uma severidade que distorcia suas feições, as sobrancelhas unidas em uma carranca de pura desaprovação.

​— Como se sente? — Grand disparou, sem preâmbulos. — Ainda tento decifrar quais serão seus planos quando a loucura bater e você decidir caçar sua companheira. Antes que alimente essa ideia, saiba que é uma missão impossível. Ela está sob minha guarda, protegida por homens que sabem exatamente quem você é.

Companheira. A palavra ecoou no peito de Sage, trazendo consigo uma onda de dor abrasiva. Recordações amargas nublaram sua mente: Stella correndo dele, buscando o refúgio de braços estranhos em vez do calor do seu peito. A mágoa era um veneno lento. Ele desejava, com uma intensidade que beirava o desespero, explicar a ela o que eram. Queria convencê-la de que, sob sua proteção, ela conheceria uma felicidade absoluta e que, através de métodos muito mais instintivos, ele preencheria o ventre dela com seus filhos. Esse objetivo agora era o que mantinha seu coração batendo.

​Sage tentou se levantar, mas antes que pudesse firmar os pés no chão, uma pressão brusca o puxou de volta. O tilintar metálico preencheu o quarto. Ele ergueu os pulsos, estupefato; braceletes de ferro grosso brilhavam sob a luz fraca, prendendo-o à estrutura da cama. Prisioneiro. Novamente.

​— Isso é uma garantia — afirmou Grand, irredutível. — Você ficará aqui até que ela manifeste o desejo de vê-lo.

​— E se ela não vier? — A pergunta saiu amarga, arrastando-se por sua língua como cinzas.

​Grand soltou um suspiro pesado e apoiou as mãos na cintura, encarando Sage com uma mistura de pena e autoridade.

​— A escolha sempre será da fêmea, Sage. Independentemente do vínculo. Como eu disse antes: nós não impomos nossa natureza a elas.

​A raiva consumiu a mente de Sage, tingindo sua visão de vermelho. Se não estivesse acorrentado, ele mostraria àquele Alfa o quão perigoso era tentar conter um urso. Seus punhos ansiavam por encontrar a mandíbula de Grand.

​O Alfa limpou a garganta, como se pudesse ler o rastro de violência nos olhos do prisioneiro.

​— Posso sentir seu ódio, mas você me agradecerá depois. Não se esqueça de que, ao contrário de nós, os humanos não possuem a clareza da ligação instantânea. Eles lutam contra o vínculo. Eles o temem.

​Sage não conseguia processar aquela lógica. Por que ela lutaria? Ele cuidaria de cada necessidade dela, a faria feliz até seu último suspiro. Stella só precisava permitir. Bastava que ela se entregasse.

​Ele olhou para as correntes em seus pulsos. Como poderia convencê-la se não podia tocá-la? Ele mostraria a ela os benefícios de pertencer a um companheiro; começaria despindo sua resistência com carícias e adoração, até que ela estivesse tão envolta em sua essência que não encontraria forças — ou vontade — para negá-lo. Mas, preso ali, o vínculo era apenas uma promessa vazia.

​A frustração era uma tortura silenciosa.

​— Você deve estar faminto — Grand continuou. — Incumbi Tahir de trazer algo para você.

​Sage sentou-se no chão, as correntes permitindo o movimento limitado, e desviou o olhar.

​— Não sinto fome — mentiu. A verdade era que ele definhava há semanas, mas o orgulho falava mais alto.

​— Escute bem, homem — Grand deu um passo à frente, a voz baixando para um tom de advertência. — Alimente-se. Se não por você, faça pela sua fêmea. Você precisará de toda a sua força física para protegê-la. Pense: como espera defendê-la de outros perigos estando tão debilitado?

​Sage travou a mandíbula, as palavras de Grand atingindo o único ponto vulnerável que restava.

​— Traga a comida — rosnou, por fim.

​Grand assentiu e saiu, deixando Sage mergulhado em um silêncio cortante. Pela primeira vez na vida, ele se sentia verdadeiramente impotente. Stella estava longe, fora do alcance de seus sentidos e de sua proteção. Não importava o quão seguro fosse o esconderijo de Grand; para Sage, o único lugar seguro para ela era sob sua própria pele. Tudo o que podia fazer agora era suportar a espera, enquanto a fera dentro dele arranhava as grades de sua consciência, exigindo liberdade.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora