Stella encontrou uma vaga nos limites do estacionamento, em um setor mal iluminado e distante do burburinho do parque. A caminhada de volta seria longa, quilômetros de asfalto frio que agora pareciam uma barreira intransponível. Ela tateou o celular, a mão tremendo sobre a tela, desejando cancelar o encontro com Jess. Mas no fundo, ela sabia: Jess não atenderia. O silêncio da amiga agora ganhava um contorno sinistro.
Ao saltar do veículo e esticar o braço para pegar a bolsa, o mundo girou.
Um impacto violento a atingiu, lançando seu corpo contra a lateral metálica do carro. Stella cambaleou, as mãos buscando freneticamente um ponto de apoio na lataria enquanto a porta aberta rangia com o choque. Antes que pudesse se estabilizar, mãos fortes a agarraram pelos ombros e a giraram com uma força desproporcional, forçando-a a encarar seu agressor.
O primeiro pensamento de Stella foi Lilian. Ela me achou. Mas a lógica a atingiu como um soco: como Lilian saberia exatamente onde ela estaria? Apenas uma pessoa tinha essa informação. A traição de Jess ardeu em seu peito antes mesmo da primeira palavra ser dita.
— Onde você pensa que vai? Acha mesmo que pode simplesmente desaparecer assim?
A voz não era de Lilian.
Jene estava parada diante dela, a imagem da perfeição corrompida. Seus lábios estavam cerrados em uma linha rígida e seus olhos carregavam uma promessa de morte. Havia uma fúria vibrante emanando dela, algo visceral que Stella nunca imaginara encontrar naquela garota de outdoors.
Jene avançou. Antes que Stella pudesse reagir, seus pulsos foram capturados em um aperto de aço. Stella soltou um arquejo de dor; parecia que seus ossos seriam esmagados sob a pressão daquelas mãos finas, mas inexplicavelmente potentes.
— Jene, contenha-se — interrompeu Amely, surgindo das sombras logo atrás da amiga. — Não queremos a polícia farejando o festival por causa de uma imprudência sua.
Jene soltou os pulsos de Stella com um solavanco, dando um passo atrás, mas mantendo o olhar cortante fixo na presa.
— Peguem-na — ordenou Jene, sem desviar os olhos.
Stella tentou girar o corpo e correr para a escuridão da floresta, mas o esforço foi nulo. Um braço maciço envolveu sua cintura, tirando seus pés do chão com uma facilidade humilhante. Uma mão pesada e áspera selou sua boca, abafando qualquer grito de socorro. Ela se debateu, chutando o ar, mas o aperto era uma rocha.
— Lembra de mim, Stella? Faz muito tempo.
O nome ecoou em sua mente como um pesadelo esquecido: Tyler Black. O valentão da escola, o autor das humilhações que ela suportara em silêncio anos atrás para não preocupar o avô. Ela achava que ele a tinha deixado em paz. Estava redondamente enganada.
— Jogue-a no banco de trás — instruiu Jene, enquanto Tyler a carregava para um SUV escuro estacionado nas proximidades.
O corpo de Stella foi arremessado brutalmente contra o estofado cinza. Em um instinto de sobrevivência, ela se arrastou pelo banco, tentando alcançar a porta oposta, mas o estalo da trava a paralisou. Amely abriu a porta do outro lado, desferindo um chute certeiro contra o ombro de Stella, empurrando-a de volta para o centro do banco.
Jene e Amely entraram logo em seguida, flanqueando-a. Encurralada como um animal, Stella tentou se projetar para o espaço entre os bancos dianteiros, mas Tyler a puxou pelo colarinho da jaqueta. O impacto de um soco atingiu seu rosto, fazendo sua visão escurecer por um instante enquanto ela desabava de volta no assento.
— Tente mais uma gracinha e o próximo será pior — sibilou Jene.
O brilho metálico de um canivete surgiu entre os dedos de Jene. A lâmina cinza, afiada e pontiaguda, foi posicionada a centímetros da garganta de Stella. O frio do aço forçou Stella a uma imobilidade absoluta. O plano de fuga imediata morrera ali; agora, ela precisaria de algo mais do que instinto para sobreviver ao que quer que aquelas pessoas estivessem planejando.
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Sage
RomanceLivro 2 Onde o medo termina, o instinto começa. Stella passou a vida inteira fugindo. Criada sob a sombra de uma mãe abusiva e perigosa, ela aprendeu que a única pessoa em quem pode confiar é em si mesma. Mas quando uma fuga desesperada pela flore...
