Cap 15 🌹 Editado

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​— Você realmente acredita que ele fará algo? — O sussurro de Jess quebrou o silêncio denso da sala, carregado de uma incerteza que parecia espelhar o estado de todas ali.

​O xerife acabara de partir, deixando para trás apenas a promessa de reforços e o som metálico de viaturas sumindo na estrada de terra. Stella, entretanto, mal conseguia processar as palavras da amiga. O cansaço que a abatia era anômalo; não era uma simples estafa, mas um peso gravitacional que parecia converter seus ossos em chumbo. Um formigamento dormente subia por suas extremidades, roubando-lhe a energia de forma sistemática. Ela sentia como se sua força vital estivesse sendo drenada por um fio invisível conectado a Sage. Patética, repreendeu-se mentalmente, lutando contra a urgência de desabar.

​Incapaz de sustentar o próprio peso, ela se deixou cair no sofá, sentindo o estofado como a única coisa que impedia seu corpo de se estilhaçar.

​— Não tenho certeza se foi prudente contar tudo a ele — confessou Stella, a voz saindo mais fraca do que pretendia.

​Pelo canto do olho, viu o revirar de olhos nada sutil de Christie. A amiga emanava uma impaciência vibrante, claramente frustrada pela estagnação e pelas oportunidades perdidas de simplesmente fugir dali.

​— Deixe de ser covarde, Stella. Esta é a sua oportunidade de ouro — Christie disparou, o tom beirando a irritação. — Seria uma estupidez absoluta não aproveitar o peso da lei. Sua mãe não é onipotente; ela não pode enfrentar um contingente policial. O que você acha que ela faria? Atacaria uma delegacia?

​Christie não escondia o desdém pela vulnerabilidade de Stella. Para ela, as hesitações da amiga soavam como lamúrias constantes de alguém que se recusava a ser salvo.

​— Peço desculpas se parece fácil para você delegar sua segurança a estranhos — rebateu Stella, um lampejo de amargura surgindo em seu olhar. — Passei a vida inteira contando apenas com meus instintos, temendo a própria sombra. Vocês veem uma mulher instável; eu vejo uma ameaça que vocês sequer podem conceber. Minha mãe é perigosa de formas que eu não ousei revelar por completo.

​— Espere um pouco... tem mais? — O grito de Susie cortou o ar, súbito e estridente.

​O silêncio que se seguiu foi absoluto. Todas as cabeças se voltaram para Stella em uma sincronia quase teatral.

​— O que mais você está escondendo de nós? — Jess foi a primeira a verbalizar a pergunta que agora pairava, pesada, sobre o centro da sala. A expectativa no ambiente era quase sufocante.

​Stella suspirou, sentindo o cerco se fechar também dentro da cabana.

— Eu adoraria expor toda essa podridão, acreditem. Mas o perigo não termina em mim; eu não seria a única vítima se a verdade viesse à tona. O que posso dizer é que, quando fugimos, meu avô subtraiu uma quantia exorbitante de dinheiro dela. Ele usou cada centavo para comprar o terreno e a casa onde cresci. Ela nunca o perdoou por esse roubo... ou pelo que ele representava.

​— De onde veio esse dinheiro, Stella? — O tom de Jess agora era acusatório, os olhos estreitos em desconfiança. — Pelo que você nos descreveu da sua infância, sua mãe nunca foi abastada. Você omitiu a condição financeira dela também?

​— É exatamente esse o ponto que não posso tocar — Stella desviou o olhar, a garganta seca. — Tenho pavor de pensar no que ela fez para conseguir aquele montante, ou no que ela é capaz de fazer agora para recuperá-lo.

​A revelação lançou uma sombra definitiva sobre a conversa. Nenhuma persistência das amigas seria capaz de arrancar o restante do segredo; o silêncio de Stella era uma barricada de puro medo.

​Lá fora, o som de botas sobre o cascalho confirmava que a cabana agora era uma fortaleza — ou uma prisão. Guardas foram posicionados estrategicamente em todas as saídas. O recado do xerife, transmitido por um dos sentinelas, fora claro: Stella e suas amigas não poderiam deixar o perímetro por tempo indefinido.

​A incerteza sobre os passos de sua mãe, somada à incapacidade de prever o próximo movimento do inimigo, transformava cada minuto em uma eternidade. Presa entre a proteção da lei e a decadência de seu próprio corpo, Stella sabia que os dias que viriam seriam os mais longos de sua vida.

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