Cap 13 🌹 Editado

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Stella segurou a sacola de compras com uma urgência quase infantil e mordeu o sanduíche de pasta de amendoim preparado por Jessi. O sabor era intenso, uma explosão de energia que, naquele momento, pareceu-lhe o mais puro néctar. Enquanto comia, observava Christie e Susie; ambas permaneciam pálidas, ainda processando o horror do que Tyler tentara fazer.

​Stella optara pela omissão. Não revelou os detalhes mais íntimos de sua fuga, nem a turbulência sensorial que sentira em relação ao homem-fera. Havia algo estranho em seu peito, um desejo latente que ela se recusava a batizar. Para ela, a atração física, por mais incandescente que fosse, não era justificativa para o que ele sugerira. O desconhecido queria um herdeiro, mas Stella não via sentido em ser o receptáculo de um estranho. Com aquele porte físico e magnetismo bruto, ele certamente encontraria mulheres dispostas a aceitar seus termos em qualquer esquina.

​Ela não pretendia abdicar de sua autonomia para viver conforme os costumes dele, mesmo que isso significasse um refúgio contra sua mãe abusiva. Não o conhecia. Ele poderia muito bem ser o tipo de homem que a magoaria, um adúltero inveterado que a deixaria isolada com um filho nos braços, forçando-a a perdoá-lo por pura falta de alternativas. A imagem daquela dependência amarga fez seu estômago revirar.

​— Você precisa descansar — murmurou Christie, interrompendo seus pensamentos após Stella terminar a refeição. — Tente recuperar as forças. Amanhã decidiremos o próximo passo.

​Stella assentiu em silêncio. Recolheu-se ao quarto onde acordara inicialmente, buscando no sono um hiato para seus problemas. Se a sorte estivesse ao seu lado, a manhã traria uma clareza que ela ainda não possuía.

​O entardecer já tingia o céu de tons violáceos quando Stella despertou. Ao sair do quarto, encontrou um silêncio opressor na sala. Jessi, Christie e Susie estavam sentadas de forma rígida, os olhos fixos na porta da frente como se aguardassem uma sentença. Grand estava ali, parado, observando o grupo com uma expressão impenetrável que se desfez em um vinco de preocupação ao notar a presença de Stella.

​— Precisamos conversar — disse ele, a voz grave e os lábios comprimidos em uma linha tensa.

​Stella apertou as bordas de sua blusa contra o peito, buscando um pouco de conforto térmico antes de segui-lo. Grand abriu a porta para que ela passasse, mantendo uma cortesia distante, mas a marca de tensão entre suas sobrancelhas denunciava que o assunto era grave. Ela tentou acalmar as batidas do coração, esperando o veredito.

​— Precisamos falar sobre Sage — ele começou, assim que se acomodaram no banco de balanço da varanda, mantendo uma distância respeitosa entre seus corpos.

​— O que aconteceu? — indagou ela, direta, querendo encerrar o suspense.

​Grand fixou o olhar no horizonte, como se buscasse as palavras certas para descrever o impossível.

​— Você sabe o que viu na floresta, Stella. Entende que não foi um surto ou uma peça da sua imaginação. Aquilo é a nossa realidade.

​Stella apenas assentiu com um aceno breve. Não havia como negar o que seus próprios olhos testemunharam.

​— Sage não está bem — continuou ele.

​A afirmação atingiu Stella com um impacto inesperado, deixando um gosto amargo em sua boca.

​— O que ele tem? — perguntou, a preocupação rompendo sua máscara de indiferença.

​Grand começou a tamborilar os dedos na madeira do banco, parecendo refletir sobre a gravidade da revelação.

​— Ele está adoecendo. Para nós, shifters, o vínculo com nossas companheiras é vital. Sem elas, nossa fisiologia entra em colapso; definhamos com rapidez ou caímos em um estado de degradação mental irreversível.

​Stella sentiu um mal-estar súbito ao ouvir a palavra "companheira". A ideia de que Sage pertencia a outra pessoa, de que havia uma mulher cujas mãos detinham o poder sobre a vida dele, trazia uma sensação de aperto em seu peito.

​— Shifters... é assim que vocês se chamam? — Ela tentou processar o termo, sentindo-se à beira de uma loucura clínica. — E onde está a companheira dele? Por que ela não está aqui para ajudá-lo?

​Ela não entendia por que ele estava compartilhando segredos de espécie com uma humana. Quem acreditaria nela, afinal? Seria internada em uma instituição psiquiátrica no momento em que mencionasse homens que se transformam em feras.

​Grand parou de tamborilar os dedos e virou-se para ela, sustentando o olhar com uma seriedade avassaladora. Stella sentiu que o chão estava prestes a sumir sob seus pés.

​— Você ainda não entendeu, Stella — disse ele, com uma voz baixa e definitiva. — Você é a companheira de Sage.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora