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[BangChan P.OV]

— Onde ela estava? — Minho perguntou para Seungmin e ele começou a explicar tudo de novo detalhadamente.

Eu estava abalado, pela primeira vez em muito tempo, senti medo e angústia em acabar perdendo alguém tão importante, só al consegui compreender o quão importante e amável ela era pra mim, e sentir que ela estava correndo perigo por que eu me descuidei era ainda pior, a culpa de tudo aquilo era minha, se eu tivesse ficado ao lado dela, se eu não tivesse ido trabalhar, se eu...

— Ei, acorda — Minho estalou o dedo na minha frente — Ficar no canto pensando em tudo não vai ajudar – ele estava certo, foi grosso, mas estava certo — Vamos, eu pedi ajuda de um amigo policial mas parece que só podemos decretar desaparecimento quando completa 24hrs então vamos atrás dela nós mesmos.

Estavam Minho, eu, Seungmin, Changbin, Hyunjin e Han. O restante dos meninos estavam no trabalho e apê de Sam, eram 8 no total e pra falar a verdade, parecíamos mais crianças perdidas do que adultos que iam salvar alguém.

— Espera — ditei tentando me lembrar de algo, atrás de Minho um garoto alto e loiro estava escondendo o rosto, eu lembrava dele, ele sumiu mas ele estava lá — Ali, aquele garoto, Soobin...

Minho se virou automaticamente, o olhar de Soobin encontrou o nosso e antes que ele pudesse dar alguns passos para dentro do beco onde se escondia eu já estava colado na gola de sua camisa o prensando contra a parede. Seu rosto estava machucado e ele levantou as mãos como se não quisesse nos machucar.

— Cadê ela? — indaguei irritado o empurrando mais e mais.

— Eu não sei!

— Fala sério... — Minho disse e logo deferiu um soco no estômago do rapaz o que o fez curvar o corpo e tossir um pouco de sangue no chão — Cadê ela, Soobin?!

— Você estava com a gente lá em cima, estava até derrubarem vinho nela, onde ela está?!

— Eu já disse que não sei! — ele levantou o rosto e só então pude ver o quão machucado estava — As meninas derrubaram vinho nela e desceram pra se limpar, elas demoraram muito tempo e eu estranhei então fui até o banheiro, quando cheguei vi Yeonjun.

Meu coração parou por um instante e meus olhos foram de encontro aos de Minho.

— Ele saiu pela boate tentando me ignorar e foi pros fundos, eu segui ele, sei que ele e a Sam estavam separados e estranhei. Quando saí da boate alguém me esmurrou no rosto, me jogou no chão e me bateu. Eu só consegui ver um carro vermelho com rodas douradas... — Ele me encarou e cuspiu mais um pouco de sangue no chão, agora eu estava me sentindo mal — Estava escondido por que estava pensando na melhor maneira de contar isso pra vocês mas vejo que encontraram um jeito mais fácil de vir até mim — ele encarou Minho que deu de ombros — Você nunca foi uma pessoa fácil de conversar mas me dar um soco no estômago sem ao menos me cumprimentar antes me surpreendeu.

— Desculpa... — ditou quase que inaudível.

— Eu conheço o Yeonjun a muito tempo e vou dizer a vocês, o Yeonjun que vi hoje a noite, não é o mesmo de meses atrás.

[...]

Uma hora havia se passado desde que ela tinha sumido, o sol já estava nascendo, eram cinco da manhã. Eu e Minho estávamos atrás do carro que Soobin disse, estávamos a uma hora no carro de Minho andando pelas redondezas, os meninos não acharam nenhuma pista, nada. Eu estava nervoso, a cada esquina que Minho virava eu comia um pedaço da minha unha, de cada dedo, já podia sentir o gosto metálico do sangue invadir meus lábios.

— Ei... — Minho me chamou, levantei o rosto e ele estava com um lenço na mão, peguei e comecei a limpar meus dedos q já começavam a ficar vermelho pelo sangue — se recomponha, ela não ia querer te ver assim.

O carro ficou em silêncio por um bom tempo, não tinha o que dizer a ele, Minho parecia irritado mas ainda sim mantinha a calma.

— Me desculpa — quebrei o silêncio — se eu tivesse prestado mais atenção...

— A culpa não foi sua, não foi minha, nem dela, nem de ninguém — ele respondeu ainda sério — a culpa é do Yeonjun que não sabe agir como uma pessoa normal, essa é a verdade. Sabe Chan, a Sam é minha amiga desde que me conheço por gente, já presenciei muita coisa e sei que seja lá onde ela esteja agora vai conseguir se proteger, ela é forte, inteligente...

— Sim...

— A família dela a largou na Coreia, disseram que ela ia ficar um ano no intercâmbio e não sei como mas conseguiram cidadania pra ela, hoje eles moram na Califórnia e ela ficou aqui, sozinha. — Era a primeira vez que estava ouvindo a história dela, me senti especial por um momento — Ela foi a primeira pessoa que eu contei que era gay, também foi a primeira que me defendeu quando sofri homofobia, ela deu um soco bem forte na cara de um marombeiro — Minho riu e eu pude sentir a tristeza em seu sorriso — Quando conheci Jisung me apaixonei automaticamente e ela foi quem me disse pra ir fundo nisso, hoje eu moro com meu namoradinho de infância e meus três gatinhos, ela, meus gatos e Han são minha família, a Sam sempre quis o meu bem...

Meu coração estava cada vez mais apertado mas tudo piorou quando Minho voltou a falar.

— Quando ela conheceu Yeonjun não fui com a cara dele, era egocêntrico, mimado, um moleque, mas aquela garota via o lado bom daquele pivete. No início ele a tratava como uma princesa, tudo começou a mudar quando ela conseguiu crescer no trabalho, eu a via com menos frequência, estava sempre quieta, pra baixo, e aguentava todo tipo de abuso e mal trato de Yeonjun. O amor cega as pessoas, Chan, ela não fazia ideia do que estava passando, porém, quando ela era mais nova tinha um brilho no olhar e eu só vi esse brilho de novo quando ela estava com você.

Deixei algumas lágrimas caírem e apertei o colar que carregava na mão, pedindo a todos os deuses ajuda para encontrá-la, agora Minho também estava chorando.

— E eu vejo esse brilho no seu olhar também quando está com ela, vocês fazem bem um pro outro, é bonito de ver. Então por favor, Bang Chan, não pense que a culpa é sua, não se afaste dela por isso, não perca a cabeça. Vocês dois estão se amando, aproveitem isso, quando acharmos ela, cuide, proteja, zele, beije, ame, aproveite a sua garota, faça ela saber como merece ser amada de verdade. Eu sei que você é bom nisso e sei que ela também vai te mostrar o quão bom e amado você pode ser.

Limpei as lágrimas com o lenço que ele havia me dado, era tudo verdade e agora, mais do que nunca, eu a queria por perto, queria abraçá-la e beijá-la o bastante para afastar toda a tristeza e maldade de seu caminho.

— Nem fodendo! — Minho disse e eu continuei secando o rosto — Chan, caralho!

— O que foi? Você fala essas coisas e espera que eu fique bem? Eu tenho sentimentos cara, não sou de pedra...

— O carro! — levantei o rosto e ele estava lá, o carro vermelho com rodas douradas, em um beco escuro ao lado de uma casinha pequena.

Minho parou o carro, descemos, ele com um taco de basebol na mão e eu com um soco inglês, não importa quem estivesse lá, íamos querer respostas.

Love By Chance [FINALIZADA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora