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"Eu não podia acreditar". Essa frase ecoava na minha mente, ininterruptamente, como um disco quebrado. Lá estava eu, sentada no chão do meu quarto, com uma garrafa de vodka na mão e o gosto amargo da frustração nos lábios. Enquanto deslizava o dedo pela tela do celular, vendo as manchetes sobre nós duas, tentando ignorar as centenas de mensagens de conhecidos que queriam saber o que tinha acontecido. A verdade? Nem eu sabia. E, sinceramente, temia que nunca fosse descobrir.

"Eu não podia acreditar" também foi o que me veio à mente quando finalmente tomei coragem para mandar uma mensagem para Thomas, concordando com aquele plano maluco que me deixava enjoada só de pensar. Aceitar passar seis meses casada com Scarlett? Surreal. Mas no fundo eu sabia que, por pior que fosse, talvez fosse a única saída para evitar um desastre maior.

Agora, dirigindo em silêncio para o escritório de Carl, onde tínhamos marcado uma reunião para discutir os detalhes, essa mesma frase ainda rondava minha cabeça. Cada quilômetro que eu avançava me lembrava do quanto isso tudo parecia um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Quando estacionei em frente ao prédio, olhei para mim mesma no retrovisor, analisando o estrago no meu rosto. As olheiras escuras ao redor dos meus olhos me fizeram parecer um panda depois de dias sem dormir.

— Que merda... — resmunguei baixinho, frustrada com a minha aparência.

Revirei a bolsa, procurando meus óculos de sol e, assim que os encontrei, os coloquei, na esperança de que pelo menos isso escondesse um pouco o cansaço estampado no meu rosto. Isso não apagaria tudo o que estava acontecendo, mas pelo menos me protegeria um pouco das perguntas que viriam.

Passei mais um pouco de batom, tentando dar um mínimo de vida ao meu rosto cansado, e saí do carro. Caminhei em direção ao prédio, sentindo o peso de cada passo, enquanto me preparava mentalmente para o que estava por vir. A brisa leve tocava meu rosto, mas não era o suficiente para aliviar a tensão que crescia em mim. A cada passo, eu sentia que estava indo em direção a algo que eu mal conseguia acreditar que havia aceitado.

Passei pela recepção e fui direto para o elevador. Ao entrar, meus olhos caíram sobre um homem de terno, charmoso à sua maneira, com cabelos ondulados e óculos que realçavam seus olhos castanhos. Ele parecia concentrado, mas quando nossos olhares se encontraram, ele abriu um sorriso discreto. Respondi com outro, enquanto apertava o botão do vigésimo andar. O elevador começou a fechar, mas uma mão surgiu, impedindo a porta de se selar. Olhei para baixo e reconheci a tatuagem de pulseira e a pele delicada. Quando a porta se abriu por completo, lá estava Scarlett. Soltei um suspiro.

— Obrigada — ela disse, com um tom sarcasticamente afiado.

— Por nada.

— Estou sendo sarcástica! — ela respondeu enquanto entrava no elevador.

— Por quê?

— Porque você não segurou a porta para mim. — As portas se fecharam, e o elevador começou a subir.

— Eu não te vi — disse eu, monótona, olhando apenas para frente.

— Sério? Estávamos de frente uma para a outra enquanto eu tentava alcançar o elevador.

— Isso não me impede de não ter visto. — O silêncio que seguiu foi tenso, quase palpável. Eu sentia os olhos do homem ao meu lado, percorrendo o meu corpo com um interesse óbvio, embora disfarçado por trás das lentes dos óculos. Ele me olhava como se analisasse cada detalhe, do vestido preto justo à jaqueta que caía com precisão nos meus ombros. Não era invasivo, mas definitivamente notável. Eu podia sentir sua respiração se tornando mais presente, enquanto ele disfarçava com um gesto leve, ajustando o terno.

Scarlett, que nunca deixava nada passar, lançou um rápido olhar de canto para ele e, em seguida, para mim.

— Por que você está vestida assim?

Sem Querer, CasadasOnde histórias criam vida. Descubra agora