No dia seguinte, fui visitar o apartamento de Scarlett, onde passaria a morar. A ideia de compartilhar o espaço com alguém que, até pouco tempo atrás, eu mal suportava parecia ridícula. Por que não poderíamos apenas oficializar o casamento para o mundo e continuar morando em casas separadas?
Estacionei no local de visitantes do condomínio e admirei os enormes prédios que se erguiam imponentes à minha frente. Era tudo tão luxuoso que quase me senti impressionada. O bloco A era o que eu tinha que escolher, e, ao me dirigir até lá, não consegui deixar de pensar na estranheza da situação. Subi no elevador, pressionando o botão do último andar. Enquanto as portas se abriam, meu coração disparou um pouco. Diante de mim, havia apenas a porta da casa dela e, no fim do corredor, a escada de emergência. Respirei fundo e segui em frente, indo até a porta que marcaria o início dessa nova fase da minha vida.
Apertei a campainha e ouvi o eco suave do toque. Um segundo depois, a porta se abriu lentamente, revelando Scarlett em um roupão de banho que deixava à mostra suas pernas tonificadas. Ela parecia tão relaxada, mas eu sabia que por trás daquela expressão tranquila, havia uma tempestade de emoções.
— Olá, S/n — ela disse, o tom dela entre um sorriso e um leve sarcasmo. — Bem-vinda ao seu novo lar.
A frase soou estranha para mim, quase surreal, e eu apenas sorri de volta, tentando esconder a confusão que sentia. Estava prestes a começar uma nova vida ao lado da mulher com quem me casei por acaso, e tudo o que conseguia pensar era: "O que diabos eu estou fazendo aqui?"
— Por que não está usando roupa? — perguntei, assim que entrei no local, tirando os óculos de sol para admirar o ambiente. Era luxuoso, com móveis elegantes e uma decoração que exalava classe. Tudo parecia ter sido cuidadosamente escolhido, desde as obras de arte nas paredes até as decorações. O cheiro de café fresco também pairava no ar, e uma música suave tocava ao fundo, criando uma atmosfera relaxante.
Scarlett arqueou uma sobrancelha, um sorriso divertido brincando em seus lábios.
— Eu estava esperando você chegar — ela respondeu, como se isso justificasse sua escolha de vestuário. — É o novo estilo de receber visitas, você não sabia?
— Ah, claro, vou anotar isso para as próximas vezes — retruquei, tentando não deixar transparecer o quanto estava desconcertada. O apartamento era tudo o que eu esperava: moderno, com grandes janelas que deixavam a luz entrar e uma vista deslumbrante da cidade.
— Sinta-se à vontade, é tudo seu também agora. — O tom dela era provocador, mas havia uma verdade subjacente nas palavras. Estar ali, naquele lugar e naquela situação, era uma realidade que eu precisava começar a aceitar.
— Legal, não sabia que agora eu tinha um apartamento chique — comentei, tentando injetar um pouco de humor na situação. Scarlett deu uma risada suave e passou pela sala, revelando a cozinha aberta ao fundo. — Você realmente não está vestindo nada? — continuei, incapaz de me conter.
— Não se preocupe, tenho certeza de que vou sobreviver a isso. — Ela sorriu de novo, como se a sua confiança fosse contagiante.
Eu não sabia se deveria ficar ofendida ou admirada com a audácia dela. Mas a verdade é que, apesar de toda a confusão que estava sentindo, havia algo emocionante nessa nova fase da vida. Algo que me fez sentir um frio na barriga.
— Mostre-me o lugar — ordenei. Ela ergue uma sobrancelha, um sorriso zombeteiro surgindo nos lábios enquanto me olhava.
— Sempre tão mandona... mas tudo bem. Então, me siga. Vou te dar um grande tour. — Ela começou a andar, me guiando pelo apartamento espaçoso. Primeiro, apontou para a sala de estar. — Sala de estar, obviamente. — Era enorme, com três sofás elegantemente dispostos, uma TV gigante, um tapete macio e uma mesa de centro impecável. O espaço tinha uma vibe moderna e acolhedora ao mesmo tempo. Ela então se virou e me guiou até a cozinha, com um toque de orgulho na voz. — E aqui, temos a cozinha.
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Sem Querer, Casadas
FanfikcePara que um casamento funcione, é essencial ter amor e convicção. No entanto, Scarlett Johansson e S/n Taylor não possuíam nenhuma dessas qualidades. Em vez disso, eram marcadas por uma aversão mútua. Seus encontros eram dominados por ressentimento...
