Quando cheguei em casa, minha mente ainda fervilhava com tudo o que havia acontecido, mas, aos poucos, as memórias começaram a se acalmar. Elas pareciam mais distantes agora, menos gritantes, como um eco que finalmente começava a se dissipar. Eu estava deitada na cama com o celular na mão, a luz fria da tela iluminando o quarto escuro. Era fácil me perder ali, rolando por feeds e mensagens, enquanto minha mente insistia em voltar à pergunta que eu tentava evitar: eu deveria ir ao encontro com Olive?
Cada possibilidade vinha com seu próprio peso. Uma parte de mim estava curiosa, intrigada com o que ela poderia querer. Mas outra parte sabia que aquilo era perigoso, que abrir aquela porta poderia trazer complicações que eu não estava pronta para lidar. Eu queria acreditar que poderia ignorar aquilo, fingir que nada havia acontecido, mas sabia que, cedo ou tarde, precisaria tomar uma decisão. E, como sempre, essa decisão não seria tão simples quanto parecia.
No entanto, acho que você já sabe a resposta, não é? Claro que eu fui. Como poderia não ir? Era como uma coceira que não podia ser ignorada, uma pergunta que precisava de resposta. Olive sabia como deixar as coisas no limite entre o incômodo e o irresistível. A verdade é que eu já tinha decidido desde o momento em que ela saiu do camarim, mas passei as horas seguintes fingindo que ainda estava indecisa, tentando convencer a mim mesma do contrário. Não era a escolha mais sábia, nem de longe a mais prudente, mas desde quando eu era conhecida por tomar decisões sensatas?
Então, naquela noite, enquanto Scarlett estava no sofá da sala, com os olhos fixos em algum filme que provavelmente nem prestava atenção, eu me levantei e fui para o banho. A água quente corria pelo meu corpo enquanto eu tentava, sem sucesso, lavar o peso da decisão que já havia tomado. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Sabia que cada movimento — o banho, a escolha cuidadosa de roupas, o deslizar do batom nos lábios — era uma preparação para algo que eu não deveria estar sequer considerando. Mesmo assim, continuei.
Porque era isso que eu fazia. Eu me jogava na confusão e fingia surpresa quando ela explodia na minha cara. E, honestamente? Parte de mim ansiava por isso. Por aquela tensão que fazia o sangue correr mais rápido, que deixava o ar pesado e as escolhas mais perigosas do que pareciam à primeira vista. Mesmo sabendo que isso poderia mudar tudo. Mesmo sabendo que estava caminhando diretamente para o tipo de confusão que eu fingia querer evitar.
Enquanto eu me olhava no espelho, puxando o tecido do vestido para baixo, tentando decidir se trocava ou não, batidas fortes e apressadas ecoaram na porta do meu quarto. Suspirei, relutante, e fui atender. Assim que a porta se abriu, lá estava Scarlett, de pé no corredor, com um olhar firme e escurecido, a mandíbula cerrada como se estivesse segurando alguma emoção intensa. Seus olhos encontraram os meus, mas eu resolvi ignorar aquele semblante tenso e disfarcei com um sorriso.
— Que bom que está aqui! O que você acha deste vestido? — perguntei, gesticulando para o tecido rodado que mal chegava ao meio das coxas.
Os olhos dela imediatamente percorreram minha figura, demorando-se em cada detalhe. Seu olhar parecia congelar por um momento enquanto ela me observava, incapaz de disfarçar o deslizar lento de sua atenção.
— É... lindo. Perfeito. — A voz dela saiu um pouco mais rouca do que de costume, mas controlada.
— Lindo? Não sei. Não tá meio curto e rodado demais? — Fingi desdém enquanto me virava de costas, puxando o vestido levemente para baixo novamente. — E olha só... minha lingerie tá aparecendo?
Eu me virei o suficiente para observar a reação dela pelo espelho, e foi ainda melhor do que eu esperava. Os olhos de Scarlett se arregalaram por um instante antes de ela disfarçar, movendo a cabeça um pouco para o lado, estudando minha figura com um cuidado que beirava a reverência.
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Sem Querer, Casadas
FanfictionPara que um casamento funcione, é essencial ter amor e convicção. No entanto, Scarlett Johansson e S/n Taylor não possuíam nenhuma dessas qualidades. Em vez disso, eram marcadas por uma aversão mútua. Seus encontros eram dominados por ressentimento...
