O dia seguinte naquela casa foi memorável para mim, principalmente porque acordei às oito da manhã com música clássica tocando suavemente pelo ambiente, o que, por algum motivo, me pareceu ainda mais irritante devido à hora.
Levantei da cama com um resmungo, e no caminho até o closet, acabei batendo o pé em uma caixa que estava no chão. A dor foi quase instantânea, e eu soltei um "droga!" baixinho, sentindo uma pontada no dedo. Olhei para dentro da caixa e percebi que eram alguns dos meus quadros, ainda desorganizados.
Minhas coisas haviam chegado na noite anterior, logo depois que eu também cheguei. Para minha surpresa, Scarlett, mesmo tendo dito que não ajudaria – ou ao menos deixado claro que não se importava –, organizou algumas das minhas coisas. Ela até colocou algumas roupas minhas no closet e espalhou alguns enfeites pelo quarto, mas o trabalho ainda estava longe de ser finalizado. Os livros ainda não tinham um lugar certo, e eu precisava pendurar os quadros na parede.
Saí do meu quarto, e parei em frente à porta de Scarlett. Comecei a bater nela repetidamente, um pouco mais impaciente a cada segundo. Ela demorou alguns segundos para responder, e então apareceu na porta com aquele sorriso típico de quem sabe exatamente o que está fazendo.
— Que barulho é esse? — perguntei, já irritada, a paciência esgotada.
— Você? — ela respondeu com uma ponta de sarcasmo na voz. — Isso não é "barulho", é música clássica.
— Música às oito da manhã? Como você ainda não foi expulsa daqui? — retruquei, cruzando os braços e tentando não explodir de frustração. Scarlett se apoiou na porta, com o ar de quem estava totalmente tranquila.
— "Barulhos" são permitidos depois das oito da manhã, e agora já são oito e quarenta. Bom dia. — Revirei os olhos, já sem paciência para esse tipo de conversa às primeiras horas do dia.
— Acho bom você parar de escutar isso! — falei, tentando manter a compostura.
— Ah, é? Senão o quê? — ela disse, dando um passo para trás e provocando, com aquele olhar travesso que eu já estava começando a conhecer bem.
Suspirei, exasperada, e então entrei no quarto dela sem hesitar. Fui direto até a fonte da música, um antigo toca-discos, e desliguei o aparelho com um movimento rápido. A música silenciou imediatamente.
— Isso é o que todos querem ouvir às oito e quarenta da manhã: silêncio! — falei, jogando uma olhada para ela, esperando que entendesse o quão incomum esse comportamento era para mim.
— Não pode fazer isso — ela disse, levantando uma sobrancelha, com um tom de quem não acreditava no que acabara de acontecer.
— Posso sim, se me incomodar — respondi, cruzando os braços e me sentindo vitoriosa por finalmente interromper aquele ciclo de música excessiva.
Ela me encarou por um momento, os olhos dela brilhando com uma mistura de desafio e diversão. Eu podia ver que ela não estava realmente brava, mas parecia mais uma questão de orgulho.
— Não é como se estivesse tentando acordar o mundo, você sabe.
— Pois é, só que você acordou a mim — falei, tentando manter o tom mais calmo, mas sem esconder a irritação.
— Não sou eu quem tem que se acostumar com isso — ela comentou, sem perder a pose. — E não acha que é um pouco exagero, não? — continuou. — A música estava tão baixa.
Eu respirei fundo, tentando manter a calma. Sabia que não ia adiantar muito discutir mais sobre o som da música clássica.
— Scarlett, você sabe que não consigo começar o dia assim, não é? — falei, tentando ser um pouco mais razoável, mesmo que o que eu realmente queria fosse sair dali o mais rápido possível. Ela deu de ombros e sentou na cama, visivelmente desinteressada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sem Querer, Casadas
FanfictionPara que um casamento funcione, é essencial ter amor e convicção. No entanto, Scarlett Johansson e S/n Taylor não possuíam nenhuma dessas qualidades. Em vez disso, eram marcadas por uma aversão mútua. Seus encontros eram dominados por ressentimento...
