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Na manhã seguinte, ao me levantar, suspirei ao lembrar da noite anterior. O peso do que aconteceu estava lá, mas de algum jeito, eu conseguia manter uma barreira, uma espécie de armadura. Eu não deixava que aquilo me consumisse completamente. Não era do tipo que ficava presa no passado, remoendo cada detalhe. Era uma forma de autopreservação, talvez. Parte de mim reconhecia a gravidade da situação, mas a outra parte insistia em seguir em frente, em bloquear qualquer emoção que pudesse me derrubar. Afinal, eu sempre fui boa em seguir em frente, em fingir que tudo estava bem, mesmo quando as rachaduras começavam a aparecer.

Enquanto me hidratava após o banho, ouvi batidas insistentes na porta. Suspirei, irritada com a interrupção, mas me dirigi até lá. No caminho, avistei a garrafa de vinho que Scarlett deixara sobre o móvel, outro lembrete do que acontecera na noite anterior. Quando abri a porta, me deparei com Tom. Sua expressão era um misto de preocupação e desapontamento, e eu sabia que ele não estava ali para um bate-papo descontraído.

— O que você fez? — ele questionou, a voz pesada com uma mistura de frustração e preocupação. Eu respirei fundo, tentando manter a calma.

— Bom dia, Tom — respondi, forçando um sorriso.

— Estou falando sério, Taylor. Carl me contou que foi embora com Scarlett de volta para Los Angeles. O que aconteceu? — Eu cruzei os braços, tentando me proteger daquela tempestade emocional.

— E eu vou saber? Scarlett tem os assuntos dela e eu tenho os meus. E adivinha? Não é da sua conta. — Tom cruzou os braços, me lançando um olhar que claramente não acreditava em mim.

— Taylor, poupe-me. Não sou estúpido. Ela estava animada pra caramba por vocês estarem juntas aqui em Nova York, e agora, de repente, resolve voltar para Los Angeles? E sem nem uma despedida? — Revirei os olhos, dando de ombros. — Carl só me contou isso depois de me perguntar o que tinha acontecido entre vocês duas ontem. Sabe o que isso quer dizer? Que alguma coisa séria rolou.

Suspirei, cruzando os braços e olhando para ele como quem não tinha nada a esconder, mesmo que por dentro eu soubesse exatamente o que ele queria ouvir.

— Nada de mais, Tom. Foi só... uma noite qualquer. E, pra ser honesta, Scarlett pareceu bem satisfeita em passar a noite fora, com o amigo dela. — Reforcei a última parte, mas Tom não parecia convencido.

— Isso aqui não é só sobre trabalho, Taylor, e você sabe disso. O que quer que tenha acontecido, você vai ter que lidar com isso. — Ele balançou a cabeça, como se lamentasse pela situação. — Porque dessa vez, você realmente passou dos limites.

— Você nem sabe o que aconteceu!

— Não, eu não sei, mas eu te conheço bem o suficiente pra saber quando fez alguma coisa pra irritar alguém — ele respondeu. — E olha, dessa vez, não é qualquer alguém. É a Scarlett. — Eu revirei os olhos novamente, fingindo uma indiferença que eu mesma não acreditava totalmente.

— Escuta, Thomas, nós somos duas pessoas adultas. As coisas não têm que ser esse drama todo. — Ele deu uma risada curta, sem humor, antes de responder:

— Então talvez seja hora de agir como uma adulta e admitir quando erra. Porque até onde eu sei, Scarlett não é do tipo que volta pra Los Angeles no meio de um evento por qualquer coisa.

— Que droga! Não aconteceu nada, tá bom? Eu não fiz nada de errado! — Minha voz ecoou, uma mistura de irritação e defesa. Ele balançou a cabeça, claramente frustrado.

— Tá bom. Mas vamos voltar para Los Angeles também.

— O quê? Por quê? — perguntei, minha voz agora mais firme, um fio de indignação na minha resposta.

Sem Querer, CasadasOnde histórias criam vida. Descubra agora