Os dias se passaram, e a confusão na minha cabeça foi se tornando cada vez mais tumultuada. Cada momento ao lado de Scarlett parecia aumentar o caos interno que eu tentava desesperadamente controlar. Ela estava em toda parte, não como uma presença invasiva, mas como uma constante que eu não podia ignorar. A cada manhã, eu a via andando pela casa com aquele pijama de cetim curto, os cachos dourados caindo com desleixo perfeito sobre seus ombros, os lábios vermelhos como se fossem feitos para serem tocados, seus olhos ainda sonolentos, mas já radiantes.
Era como se a realidade se tornasse mais distorcida a cada pequeno gesto dela: o jeito que ela mexia na cozinha, preparando café com uma destreza encantadora, ou o som doce de sua voz cantarolando sem perceber enquanto fazia suas tarefas. Eu a observava, fascinada, mas também apavorada. Eu começava a perceber que cada gesto, cada sorriso, era como uma faísca que incendiava algo dentro de mim.
E então tinha aquele hábito peculiar dela, que me fazia perder a noção do que eu estava fazendo: tirar a camiseta sem pressa alguma antes de entrar no quarto para se trocar. Como se a camiseta fosse um fardo a ser removido. Como se ela não se importasse de estar ali, na minha frente, nua de forma tão casual. Eu sentia meu coração bater mais rápido, mas tentava desviar o olhar, me forçando a não me perder em algo que não deveria nem começar.
Por que eu não me casei com alguém sem graça, sem atrativos? Por que não escolhi uma mulher que fosse fácil de lidar, alguém sem essa aura de sedução involuntária, sem essa presença que me consumia? Por que tinha que ser logo Scarlett Johansson? A mulher com quem eu mais tinha diferenças, tanto nas palavras quanto no olhar. Mas ao mesmo tempo, era exatamente ela quem me desconstruía. A mulher mais desafiadora que eu já conheci, a mais desconcertante.
Eu me sentia uma tola, uma jogadora de um jogo que eu nem sabia as regras. Estava presa em uma trama que, no fundo, eu sabia que nunca deveria ter iniciado. E ainda assim, ali estava eu, a cada dia, mais enredada na teia que Scarlett, sem querer, havia tecido ao meu redor.
E como eu fugia daqueles pensamentos? Simples: sexo casual. Um hotel afastado, um contatinho qualquer, um contrato de confidencialidade. Alguém com quem eu não precisasse me preocupar em olhar nos olhos ou me perder em sentimentos. Um corpo, uma necessidade. A solução para um problema que eu não sabia como lidar. Eu sabia o que estava fazendo e por que estava fazendo, mas isso não me impedia de me sentir vazia, como se estivesse tentando apagar um fogo com gasolina.
A cada novo rosto, a cada toque efêmero, eu tentava me convencer de que estava no controle. Mas no fundo, sabia que nada disso estava me fazendo escapar da verdade. As noites sem sono, os momentos de fraqueza, me lembravam de Scarlett, de sua presença insuportavelmente atraente. Não importava quantos homens ou mulheres eu tivesse, ou quantas situações fugazes eu me envolvesse. No final, era ela que estava começando a me dominar, e eu sabia disso. Mas o que mais poderia fazer? O vazio em mim só se preenchia por momentos, e eu precisava desesperadamente dessa fuga.
Então, em algum hotel distante, eu tentava esquecer. Tentava preencher o espaço que Scarlett ocupava na minha mente com algo que fosse temporário, algo que eu pudesse controlar. No entanto, sempre que a manhã chegava e o vazio retornava, eu sabia que nada disso tinha realmente funcionado.
O que estava acontecendo comigo? Por que eu não podia ficar saciada só com aquela noite, aquela noite em que transamos, drogadas e bêbadas, em que acabamos nos casando sem sentido, sem nem saber ao certo como chegamos até ali? Era como se fosse um pesadelo que eu não podia acordar. Como se a realidade se torcesse, se misturasse, e eu estivesse presa entre os altos e baixos de uma história que eu nunca planejei escrever.
Mas a verdade é que eu também não tornava as coisas fáceis para Scarlett. Estávamos discordando mais do que nunca, e eu sabia o que estava fazendo. Eu precisava me lembrar de como ela era insuportável, de como ela me irritava com cada olhar provocador, com cada comentário indelicado que parecia não ter fim. Eu precisava encontrar um jeito de afastar qualquer vestígio de sentimento, porque a atração já não estava mais me ajudando. Quando ela falava, quando ela sorria daquele jeito dela, tudo o que eu sentia era raiva, e isso me parecia mais fácil de lidar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sem Querer, Casadas
Fiksyen PeminatPara que um casamento funcione, é essencial ter amor e convicção. No entanto, Scarlett Johansson e S/n Taylor não possuíam nenhuma dessas qualidades. Em vez disso, eram marcadas por uma aversão mútua. Seus encontros eram dominados por ressentimento...
