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Eu estava respirando fundo, como se me preparasse para algo monumental. Porque, de certa forma, era. Aceitar a oferta de paz de Scarlett não era só sobre encerrar brigas, mas sobre abrir um espaço que eu não sabia se estava pronta para explorar. Ainda assim, depois de um dia inteiro pensando nisso, conversei com Thomas.

"Se ela quer paz, Taylor, aceita", ele disse, enquanto mexia distraidamente no copo de whisky. "Olha, vocês duas estão presas uma à outra, como algemas. Ninguém vai a lugar nenhum sem que a outra vá junto. Então por que não faz as coisas ficarem mais leves?"

Eu ri sem humor, balançando a cabeça.

"Leves? Como se fosse fácil. Como se Scarlett quisesse mesmo deixar as coisas leves."

Thomas me olhou como quem sabia de algo que eu não estava disposta a admitir.

"Você sabe que ela está tentando. E, se for fingimento, é um fingimento convincente o suficiente para você aproveitar. Talvez seja isso que vocês duas precisem. Menos guerra, mais... convivência."

Ele estava certo. Claro que estava. Thomas tinha esse talento de colocar as coisas mais caóticas em ordem com meia dúzia de palavras. Mesmo assim, quando fiquei sozinha de novo, tudo parecia mais complexo. Aceitar a paz significava abaixar a guarda. Aceitar a paz significava abrir mão de ter algo contra Scarlett, e não ter algo contra Scarlett significava o quê? Aceitar a presença dela? Gostar dela? Talvez até mais do que gostar?

A ideia me fez estremecer. Mas, no fundo, eu sabia o que ia fazer. Porque, por mais difícil que fosse admitir, Thomas tinha razão. Eu e Scarlett éramos um pacote fechado. E talvez a paz fosse o que precisávamos para, pelo menos, sobreviver uma à outra.

Então ali estava eu, na porta do quarto dela, prestes a bater. Com o coração em guerra contra a mente, a hesitação pesando nos dedos que pairavam no ar. Olhei para a madeira como se pudesse encontrar respostas ali, como se a solução para aquele turbilhão de emoções estivesse escrita de forma invisível, bastando que eu decifrasse.

Eu não sabia o que queria ao certo. Desculpas? Explicações? Uma chance de me mostrar superior e sair vitoriosa em nossa dinâmica de provocação incessante? Ou, talvez, algo mais que eu ainda não tinha coragem de admitir nem para mim mesma?

Bater naquela porta era como atravessar uma linha tênue entre orgulho e vulnerabilidade. E o pior de tudo é que, por mais que tentasse me convencer de que era apenas para colocar um ponto final naquela confusão, no fundo, eu sabia que não era só isso. Eu queria entender por que ela fazia aquilo comigo. Por que me desestabilizava tanto.

E, talvez, só talvez, parte de mim esperasse que ela me desse uma razão para ficar. Para continuar jogando aquele jogo insano que nos prendia, mesmo quando eu sabia que estava perdendo. Respirei fundo, e antes que pudesse pensar demais, os nós dos meus dedos encontraram a superfície da porta.

Entre. — Veio a voz do outro lado, suave, casual.

Empurrei a porta devagar, e lá estava ela, sentada na poltrona perto da janela, usando a mesma camisola azul-marinho de sempre. O tecido caía de forma despreocupada sobre seu corpo, como se nem tivesse feito esforço para ficar tão bem nela.

— Eu aceito. — As palavras saíram antes mesmo de eu me dar conta. Scarlett ergueu o olhar, uma sobrancelha arqueada, e um pequeno sorriso brincou nos lábios dela.

— Não sabia que tinha te pedido em namoro. — O tom dela era provocador, como sempre, e, como sempre, fazia meu estômago revirar de irritação e... algo mais. Revirei os olhos, cruzando os braços, e me forcei a não cair na provocação.

— Estou falando da oferta de paz. Eu aceito.

Por um momento, ela ficou em silêncio, analisando minhas palavras, o rosto inexpressivo. Então, Scarlett riu baixo, aquele som que conseguia ser ao mesmo tempo irritante e hipnotizante. Ela cruzou as pernas e apoiou o queixo na mão, me observando como se estivesse tentando decifrar um quebra-cabeça complicado.

Sem Querer, CasadasOnde histórias criam vida. Descubra agora