Era hoje. O casamento. Primeiro de abril havia chegado, e com ele a sensação de estar prestes a fazer algo irreversível, algo que não tinha volta.
Considerei fugir, por alguns segundos, por alguns minutos – não importava. A ideia de desaparecer, de sumir antes que os votos fossem ditos, me parecia tentadora. Talvez se eu corresse agora, ninguém perceberia. Talvez eu poderia começar de novo. Mas, antes de me deixar levar por esse impulso, sentei na cama e olhei para a carta que havia começado a escrever.
Comecei com o nome dela. Sempre começava com o nome dela. Scarlett. Como se, ao escrever, algo pudesse fazer sentido. Talvez as palavras dissessem o que eu não conseguia dizer de outra forma.
"Scarlett, eu sei que tudo isso não faz sentido, e sei que você está esperando algo de mim. Eu deveria ser a pessoa que você esperava que eu fosse, mas não sou. E não sei se algum dia serei."
Parei por um momento, observando o papel vazio à minha frente. As palavras não fluíam mais. Eu estava perdida, à beira de um precipício. Mas então, o som de passos do lado de fora me fez parar. Eu sabia quem era. Eu sabia o que estava por vir. E, em algum lugar profundo dentro de mim, eu sabia que não poderia fugir. Não mais.
Escondi a carta e respirei fundo. Talvez fosse tarde demais para voltar atrás. Talvez tivesse que enfrentar o que estava por vir, com todos os seus erros e consequências. Ela bateu na porta e entrou, sem esperar por resposta.
— Saímos em quinze minutos — disse ela, sem olhar diretamente para mim. Eu suspirei, sentindo a raiva e o cansaço se misturarem dentro de mim.
— Vão sem mim, eu vou depois. — Minha voz saiu mais fria do que eu queria, mas eu não me importava.
Ela parou de repente, seus olhos encontrando os meus. O cansaço e a preocupação estavam estampados no rosto dela, mas eu não queria lidar com isso agora.
— O quê? — Ela me olhou com uma expressão de confusão, a sobrancelha arqueada.
Eu não respondi de imediato. Fechei os olhos por um segundo, tentando controlar a bagunça dentro de mim. Quando finalmente falei, foi quase um sussurro, mas com uma determinação que eu não estava esperando.
— Eu vou depois — falei, minha voz baixa, mas firme.
Ela me olhou ainda mais desconcertada, como se não tivesse entendido direito o que eu queria dizer. Eu sabia que ela queria insistir, mas eu não estava pronta para enfrentar o que estava por vir. Não ainda.
— Por que depois? — ela perguntou, e, por um momento, eu vi algo como desespero nos olhos dela. Eu a encarei por um momento, tentando encontrar uma forma de expressar o turbilhão dentro de mim, mas não conseguia. Não conseguia explicar o que estava acontecendo, o que me impedia de seguir em frente.
— Porque não é o momento certo — respondi, tentando manter a voz firme, mas sabia que não estava convencendo nem a mim mesma.
Ela ficou em silêncio, observando-me com uma expressão que eu não podia ler. Quando ela falou, a voz dela tinha um tom mais suave, como se estivesse tentando entender.
— Você está fugindo de novo, Taylor. Fala pra mim o que realmente está acontecendo. Não é sobre a cerimônia, nem sobre o que todo mundo espera. Você está com medo. — Eu me virei para a janela, olhando para a cidade, tentando respirar mais profundamente, mas parecia que o ar estava se esvaindo de mim.
— Não é medo. É... eu não sei mais o que fazer com isso. Com você. Com tudo. — Minha voz se quebrou, e, por um momento, me senti vulnerável, como nunca havia me sentido antes. — Scarlett deu um passo à frente, mas não disse nada. Ela apenas ficou ali, como se estivesse esperando que eu me abrisse. Eu não sabia o que estava fazendo mais. Não sabia se deveria ir até ela ou continuar me afastando. A distância entre nós estava se tornando maior do que qualquer uma que eu tenha criado antes. E talvez, fosse isso que eu temia. — Eu vou depois, eu juro. Só... me deixe sozinha.
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Sem Querer, Casadas
FanfictionPara que um casamento funcione, é essencial ter amor e convicção. No entanto, Scarlett Johansson e S/n Taylor não possuíam nenhuma dessas qualidades. Em vez disso, eram marcadas por uma aversão mútua. Seus encontros eram dominados por ressentimento...
