Eu já sabia que essa história terminaria em lágrimas
¶Richarlison
Os dias passavam lentamente na Inglaterra, e agora que eu morava na casa do coreano safado e traidor eles ousavam a passar mais rápido do que deveria, era um sentimento misto de felicidade e amargura.
Era feliz porque eu sempre era recebido por um abraço caloroso da minha princesa, era amargo porque junto disso vinha Son.
Eu chegava em casa e quem abria a porta era Sam, que pulava imediatamente em cima de mim, era adorável. Eu adorava. Mas, Son, o maldito Son, o traidor desgraçado, estava ali também, quase sempre com um sorriso contido nos lábios e os olhos comprimidos ao ponto de deixarem visível seus pés de galinha e sua testa enrugada.
Aquilo me dava um amargor tão grande na língua que mesmo tendo Sam, meu anjinho enroscado em meu pescoço, meu sorriso morria e morria porque eu era forçado a olhar para ele todos os dias, pondo os pratos majestosamente na mesa e evitando o sorriso nos lábios ao dizer
— venham jantar, hoje fiz uma nova receita
se não fosse por Sam me puxando pelo braço toda vez, nunca teria me prestado a comer da comida desse maldito.
— não está envenenada — o desgraçado tinha a coragem de sussurrar para mim enquanto encarava o próprio prato quase vazio, enquanto o meu estava intocado.
Ele nem tinha olhado meu prato, como inferno sabia que eu não havia tocado na comida?
O pior de tudo é quando ele saia da mesa com um ar quase dramático, logo após comer ou quando nem tinha terminado de comer e só reaparecia no próximo dia com o mesmo roteiro brega de sempre. Meu estômago embrulhava com o drama, ele me tinha enjoado.
A única vez que realmente me vi compreendendo suas atitudes calculadas foi quando levamos Sam para a escolinha no seu primeiro dia. Ela já havia ido para escola uma centena de vezes e, muito provavelmente, estava habituada ao ambiente escolar. Mas, nenhum de nós dois estávamos acostumados a deixar nossa menina em um lugar como aquele, por isso, quando vimos ela adentrar a pequena escola no bairro atrás do de Son, não me causou incômodo que ele apertasse minha mão e chorasse no meu ombro enquanto me abraçava.
Eu também estava com medo. Também estava chorando e, saber que não era o único, me trazia certo conforto.
No entanto, esse conforto não duraria muito. O homem que chorava soluçando por deixar a filha na escola ainda era Son. E a filha que ele deixou lá ainda era Sam.
Isso nunca iria mudar, eu nunca iria perdoá-lo.
¶Son
Não é difícil notar quando você não é bem-vindo, mas a sensação de não pertencimento na sua própria casa é um sentimento diferente, estranho, de uma forma quase palpável.
Eu passava a maior parte do meu tempo na fisioterapia, não tinha tempo para absolutamente nada, além disso. Sentia que estava negligenciando Sam e o papel como tutor, por isso, sempre que era liberado das sessões de fisioterapia, corria para fazer o jantar.
Sam sempre chega meia hora antes que Richarlison e meus compromissos com os médicos acabam uma hora e meia antes do brasileiro chegar em casa; sempre faço um lanchinho para Sam conseguir aguentar até Richarlison chegar e comermos juntos, sempre tento receitas novas para não os deixar entediados já que passo o dia com minha equipe de recuperação e eles no treino e escola respectivamente, tento criar certo vínculo entre nós já que passaremos algum tempo junto, esse clima tenso que paira no ar não vai fazer bem para ninguém.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Photograph (2SON)
FanficRicharlison e Son tem visões semelhantes do que é o amor, para ambos o amor é descomplicado, simples e perfeito mas, juntos em uma aventura, eles irão descobrir que, definitivamente, o amor não é nada simples e tampouco perfeito. Ou Richarlison...
