As pessoas dizem que esse tipo de amor é pecado, que somos nojentos, que não se trata de amor e sim de promiscuidade. Mas, amor, se te amar for mesmo um erro, espero errar em todas as outras vidas por toda eternidade
— fragmentos de 22 histórias de amor mal rabiscadas
⚠️ O seguinte capítulo pode apresentar gatilhos, pois apresenta menções a violência e xenofobia. Se você for sensível a algum dos temas, POR FAVOR, não leia ⚠️
Tudo estava escuro.
Son tentava abrir os olhos e se debatia como se estivesse em uma luta corporal com alguém.
Uma voz conhecida por ele lhe chamava, o timbre era meio choroso e desesperado e lhe gritava por ajuda em meio ao vão da escuridão.
A voz era de Sam.
— Son me ajuda, por favor, me ajuda— a garotinha gritava pelo homem que ela via a sua frente, estendendo-lhe a mão a fim dele lhe puxar daquela confusão generalizada.
Tinha mais de 10 crianças, todas mais velhas que ela, lhe empurrando para um armário escuro enquanto lhe gritavam ofensas que se concentravam em atingir a nacionalidade da garota e sua cor
— chinesa imunda, volta para seu país — um garoto aleatório gritou a empurrando no armário e fazendo-a cair no chão de mal jeito
— e-eu sou tailandesa— ela respondeu em um fio de voz enquanto analisava o próprio cotovelo, evitando olhar para o grupo que lhe intimidava
— não importa, são todos iguais mesmo — o garoto sorriu em deboche— o fato é que não queremos correr o risco de ter esse vírus e a melhor forma para evitar isso é isolando você
— mas isso não é suficiente, tem muitas pessoas morrendo por causa de gente como ela— alguém na confusão acrescentou
— devemos nos vingar por eles — sugeriu outro
A menina foi fortemente atacada pelo grupo que lhe chutava por todos os lados. Son tentava ajudá-la, mas toda vez que tentava se aproximar sentia que seu peito iria explodir e sua respiração se descompensava o fazendo ficar tonto.
De Repente, a imagem dos olhos chorosos da garotinha lhe estendendo uma mão e lhe implorando por socorro sumiu enquanto ela ainda era chutada e recebia cuspidas dos outros envolvidos.
ele voltou a uma escuridão assustadora
Logo, uma luz fraca tomou sua íris, sendo também acompanhada por gotas de água incessantes, Son abriu a boca e pôs a língua para fora, sentindo um gosto de detergente preencher sua língua. Apesar do gosto incômodo, ele se sentia grato por pelo menos conseguir se hidratar de alguma forma no espaço pequeno e escuro que lhe provocava uma sensação de sufocamento.
Son ouviu risadas, o que lhe provocou uma tremedeira que ficou mais forte quando ele ouviu uma voz cortar o escuro e lhe atingir como uma faca no peito ou um tiro na cabeça
— animalzinho, você ainda está vivo?
O coreano entrou em desespero e começou a tossir, a risada da pessoa aumentando gradativamente à medida que sua tosse ficava mais agonizante
Ele tentou novamente abrir os olhos, se debatendo ainda mais, querendo fugir daquele pesadelo que lhe atormentava e lhe causava uma dor física insuportável
Então, após muito tentar, Son conseguiu abrir os olhos, olhos esses que prontamente encontraram a íris de um certo brasileiro.
Son sorriu ao notar que era Richarlison, o brasileiro havia voltado para lhe salvar do frio e da dor intensa que ele sentia perpassar por seus ossos
ele estava enganado
O olhar de Richarlison tinha algo que fez o coreano engolir em seco e desfazer seu sorriso, só então Son notou a mão do brasileiro torcendo a gola da sua camisa com força
— não faça isso — Son tentou falar, mas sua boca não se movia, então ele simplesmente fechou os olhos fortemente para não ver o sorriso de satisfação que Richarlison possuía ao vê-lo no chão.
Ele só se atreveu a abri-los quando sentiu seu corpo atingir o chão gelado e um pequeno, mas preocupante barulho ressoar em seus ouvidos sendo seguido por uma dor fina que percorreu seu corpo e se fez ainda mais insuportável na sua medula espinhal provocando-lhe uma sessão de espasmos dolorosos que só pararam quando o frio se apossou de seu corpo não lhe deixando sentir mais nada
e então Son olhou para frente e viu o carro de Richarlison desaparecer no fim da esquina, sua voz tentando chamar por ajuda não foi suficiente para despertar a atenção de ninguém
outra vez seu coração se descompensou e ele teve um descontrole na respiração
Son sabia que aquilo só poderia ser um sonho, então tentou desesperadamente abrir os olhos e encontrar o conforto da sua cama em mais um dia estupidamente frio na terra da rainha
Finalmente ele conseguiu, mas aquele não era o seu quarto.
Ele nem sequer tinha chegado a abrir os olhos totalmente, mas o teto branco com uma luz branca demais e pessoas falando de forma acelerada denunciavam que ele não estava em sua casa.
Ele tentou levantar um pouco o pescoço para ver onde estava, no entanto, o movimento não foi bem-sucedido, ele parecia estar com torcicolo, pois o mero pensamento de se mover lhe causava uma dor insuportável
— parada respiratória — uma mulher falava para o homem de jaleco que havia acabado de adentrar o quarto enquanto ela mexia em alguns equipamentos e passava mais informações que Son não entedia
[]
— o paciente está em estado de inconsciência, mas apresenta evolução e mostra respostas ao tratamento
— morte às 05:23 pelo horário de Londres — um dos médicos olhava para o relógio com uma tristeza que poderia atingir o peito de qualquer um
Son Heung-min havia morrido?
— eu morri — se perguntava Son sentindo seu corpo relaxar e ele, outra vez, se perder em uma escuridão solitária demais
Uma pequena atualização só porque não consigo dormir e também porque hoje mais tarde ( ou amanhã) postarei mais um capítulo que vai ser um pouco pesadinho e ai para não jogar duas bombas de vez eu prefiro repartir.
em pensar que isso era para ser uma au de natal fofinha dos 2 Son sendo pais de menina 😭
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Photograph (2SON)
FanfictionRicharlison e Son tem visões semelhantes do que é o amor, para ambos o amor é descomplicado, simples e perfeito mas, juntos em uma aventura, eles irão descobrir que, definitivamente, o amor não é nada simples e tampouco perfeito. Ou Richarlison...
