CAPÍTULO 25

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"Um dia você está tomando sol e no dia seguinte o mar te lança contra as rochas. O que faz de você um homem é o que você faz quando a tempestade vem."
(O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas)

ERA UMA QUINTA-FEIRA À TARDE e Martina estava no escritório de seu pai, terminando de escrever o sétimo capítulo de sua história, quando ouviu a campainha. Ela se levantou para ir atender, mas lembrou que Maria Luíza estava de folga e deveria estar na sala. As duas eram as únicas em casa, já que Carlos Eduardo estava trabalhando na empresa de advocacia, Nicolas e Maria Júlia saíram para um encontro duplo com Camila e Joaquim e Maria Victória tinha ensaio das líderes de torcida com Jéssica e Natália.

Tini foi até a porta e abriu um pouco, escutando uma voz familiar. Era sua tia Mariana, mas as duas só haviam combinado de se vê daqui a dois dias, então... o que ela estaria fazendo aqui? Ela olhou para o computador e depois para o corredor, até tomar uma decisão. A adolescente salvou tudo que havia escrito naquele dia e saiu do escritório, fechando a porta sem fazer barulho. Andou na ponta dos pés e desceu alguns degraus, sentando em um que não desse para vê-la e começou a escutar a conversa.

Sei não é nada educado fazer isso..., mas se você estivesse no meu lugar, faria o mesmo! Nem adianta negar!

Pelo que Tini pode ver, Malu e Mari estavam sentadas lado a lado no sofá perto da porta e a dona da casa havia oferecido um café para a irmã mais velha. Vendo as duas assim próximas, dava para diferenciar. Malu tinha lábios um pouco mais grossos, o cabelo mais volumoso e mais magra. Já Mari tinha um pouco mais de corpo, parecia ter feito algum esporte no colégio e o rosto tinha menos linhas de expressão.

— Acho que precisamos ter uma conversa a sós de irmã para irmã — Mari foi a primeira a falar. — Vinha me culpando esses anos todos por ter afastando qualquer chance de aproximação sua e das nossas outras duas irmãs.

— Também deveria ter te procurado e insistindo mais — Malu disse. — Mas deixamos o medo e a insegurança nos afastar. Achamos que seria difícil e estranho depois do nosso envolvimento com o Will.

— Hoje eu vejo que tudo que falei sobre ser estranho e sobre não querer saber do nosso pai foi pura idiotice — Mari admitiu com lágrimas nos olhos. — Naquela época, eu precisava sim de qualquer apoio possível, mas não enxergava isso em você. Achava você uma ameaça por causa do Will.

— Nunca fui ameaça para você, Mari — Malu respondeu, tocando na mão dela. — O Will sempre te amou demais.

— Mas você foi o primeiro amor dele — Mari replicou. — E sabemos como primeiros amores são fortes e capazes de resistir por muito tempo.

— E são mesmo, por isso que eu e Cadu estamos juntos até hoje — Malu elaborou. — E por isso que você e o Will estão também.

— Mas eu não...

— É, sim, Mari — Malu interrompeu a irmã. — O que eu e Will sentimos um pelo outro foi paixão, não amor. Nunca cheguei perto de sentir por ele o que eu sinto pelo Cadu e tenho certeza absoluta que ele nunca chegou a sentir por mim o que sente por você.

— Parece que você sempre sabe o que dizer — Mari sorriu fraco, limpando uma lágrima com o dedo. — Isso deve ser um dom.

— Bom, eu tenho muitos filhos — Malu argumentou. — Tenho que saber o que dizer a cada segundo que se passa — Elas riram.

— Sei bem como é... — Mari concordou. — O Nate é mais fácil, mas a Isa é um pouco difícil.

— As duas são, vai por mim — Malu contou e Mari riu, enquanto Tini fez careta ao ouvir a mãe.

3. DESTINOS ENTRELAÇADOS: Martina & IsabelaOnde histórias criam vida. Descubra agora