Véspera de aniversário

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Vai ter parte 2!! Desculpa pelo sumiço e boa leitura

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S/n pov

   Hoje completa cinco anos em que eu estudo no colégio interno do meu pai, cinco anos em que minha vida mudou completamente e cinco anos que me encontrei em um lugar e em pessoas, mas nem tudo é tão fácil assim.

   Agora são 06h10 e eu acabo de ser acordada por mais uma das músicas estranhas que meu pai escolhe como alarme todas as manhãs para tocar nos alto falantes dos dormitórios.

-Por que meu sogrão tinha que ser tão pontual assim, hein? - escuto minha namorada reclamar em meu pescoço e arregalo os olhos.

-Hailee! Se meu pai descobrir que você dormiu fora do seu dormitório em dia de semana... - ela me faz parar de falar com um selinho. - Que nojo, boca recém acordada.

-Ontem foi domingo, então tecnicamente eu não dormi em dia de semana - ela me dá um beijo na bochecha, pronta para se levantar.

-Tá, vamos se arrumar logo e descer por escadas diferentes pra ele não ver e vir dar esporro depois.

-Não é porque é minha filha que pode sair quebrando regras como um estudante rebelde - ela fala com uma voz grossa, imitando o jeito e fala do meu pai.

-Toda vez ele fala isso.

-E você nunca muda - ela brinca.

-Ah sim, e quem veio dormir fora do dormitório em plena segunda-feira, início de semestre? - retruco enquanto a assisto tirar a roupa para colocar o uniforme.

-É véspera do seu aniversário, ele nem vai ligar - ela joga sua camiseta de pijama no meu rosto, que eu tiro na hora. - E para de olhar pra onde não devia. Muito cedo pra isso.

-Eu não tava...

-Vai se arrumar.

-Insuportável.

-Também te amo, amor.


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-Muito bem, meninas! Vejo vocês quarta-feira - minha treinadora fala enquanto saio da piscina acompanhada de minhas colegas de natação.

-O que achou da minha virada? Estou sentindo minha perna esquerda vacilar, fiquei pra trás em todos os revezamentos - pergunto claramente chateada ao pegar a toalha que ela me oferecia.

-Não pegue tão pesado consigo mesma, querida. Está indo bem! - ela me dá o típico sorriso que só não veio acompanhado de um "tadinha" porque seria desconfortável.

    Meu colégio sempre foi conhecido por ter as melhores equipes de natação do país comparado a colégios internos, e eu, como a filha da figura mais importante de um desses, tinha quase que a obrigação de fazer parte da equipe titular.

   Sempre fui uma competidora ótima em todas as competições que participava, e não iria negar que era algo que me fazia extremamente bem, uma vez que minha autoestima e foco estavam apoiados nisso. Mas há aproximadamente 1 ano eu me envolvi em um acidente de carro que acabou prejudicando muito minha coluna e, consequentemente, alguns movimentos das pernas.

   Estou tentando voltar aos treinos por recomendação do meu fisioterapeuta, mas não tem sido uma tarefa fácil, principalmente vendo meu péssimo desempenho.

-Viu a Hailee? - ignoro o momento constrangedor e fito as arquibancadas em busca da minha namorada.

-Ela não esteve por aí hoje não - ela responde enquanto guarda os materiais para a higienização.

-Que estranho, ela sempre me assiste desde que eu comecei a voltar...

-S/a! - meu melhor amigo me grita da porta do ginásio. - Vem logo ou vai perder o horário da janta.

-Acabou de acabar o treino, Matteo.

-Mas você demora duas horas no banho - ele chega perto e tira minha touca de natação.

-Ai, dá um tempo - pego a touca de volta, pronta para dar meia volta rumo ao vestiário.

-Ei - ele segura meu braço, soltando no momento em que me viro para ele. - O que aconteceu?

-Nada? - desvio o olhar. Ele me conhece muito bem e isso me irrita às vezes.

-Como foi o treino?

-A gente pode bater papo depois.

-Não é bater papo - ele toca meu rosto com delicadeza, me fazendo olhá-lo nos olhos. - Hailee me falou que você estava de cabeça quente por causa dos treinos...

-Você sabe que eu odeio que essa merda de acidente afete meu rendimento.

-Eu sei, S/a... mas isso tudo é um processo que você vai ter que ter paciência - ele me abraça pelos ombros, mas se afasta rapidamente ao sentir sua roupa molhando por conta do meu maiô úmido, me fazendo explodir em uma risada. - Sua palhaça!

-Me abraçou porque quis - dou de ombros. - Não era pra você estar no basquete agora?

-Não fui hoje - dá de ombros.

-Tá doente? Você não falta um dia.

-Pois te apresento o "um dia".

-Ai, tá bom - dou risada, negando com a cabeça. - Me deixa ir tomar banho.

-Não tô te segurando - ele retruca.

   Entro no vestiário e fico apreensiva ao checar meu celular e ver que não tinha nenhuma mensagem da Hailee. Não tínhamos nos falado desde o momento em que nos despedimos de manhã, e eu não a vi em nenhuma troca de aulas e muito menos no almoço. Estranho, muito estranho.

   Ao terminar meu banho, coloco o maiô molhado na sacola e pego minha mochila de treino, saindo do vestiário.

-S/n! - levo um susto ao escutar meu pai me gritar no corredor.

-Pai? O que houve? - fico confusa ao vê-lo estender a mão direita pra mim, e mais ainda ao perceber que estava vestido de terno.

-Por pedido de uma norinha muito especial que eu tenho, movi alguns palitinhos para usar o terraço da escola para uma coisa que a namorada dela sonha desde pequena... - arregalo os olhos. - Já pensou passar a virada do seu aniversário em um baile de inverno estilo americano?

-Não acredito - isso saiu mais como um grito.







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