O passeio até o salão de recepção proporcionou a Tally uma oportunidade muito necessária para processar suas emoções após o intenso desentendimento com Sarah. Desde o momento em que Tally saiu do escritório de Sarah, ela sentiu a presença de Sarah persistente em sua conexão, semelhante a alguém andando do lado de fora de uma porta, desejando entrar, mas respeitando a necessidade de espaço de Tally.
Tally estava inegavelmente chateada e, no momento, optou por não abrir a porta.
Sarah Alder permaneceu um enigma.
Ela possuía complexidade, e Tally mal havia arranhado a superfície para desvendar as complexidades que o tempo entrelaçou na alma de Sarah Alder.
Tally sabia que levaria um tempo considerável antes de compreender verdadeiramente o funcionamento interno daquela mulher. No entanto, mesmo nos estágios iniciais de compreensão de Sarah, uma coisa Tally tinha certeza absoluta: Sarah Alder era uma protetora.
Ela salvou a vida de Tally do flagelo malicioso, demonstrou um desejo feroz de prejudicar o cadete Porter por ferir Tally, protegeu-a no trem colocando-se no caminho de todos os ataques e agora tentava proteger Tally de si mesma.
Tally desprezava a natureza conflitante da proteção de Sarah — isso ao mesmo tempo a frustrava e a tornava querida. Essa mistura de emoções criou uma turbulência interna, fazendo com que Tally se sentisse despedaçada.
“Ei, Tal.”
A voz de Abigail rompeu os pensamentos tumultuados de Tally, e ela concentrou sua atenção em Abigail, que estava na frente da recepção, com uma expressão preocupada.
"Você está bem?" Abigail perguntou, dando um passo à frente e colocando as mãos nos braços de Tally.
Tally olhou para o céu escuro, desejando que as lágrimas diminuíssem. "Estou bem", respondeu ela, consciente de que faltava convicção em sua resposta.
Franzindo a testa, Abigail apertou ainda mais os braços de Tally. "Não, você não está. Você esteve chorando?"
Tally soltou uma risada abafada e balançou a cabeça. "Só um pouco. Mas eu juro, estou bem."
Recuando, Abigail cruzou os braços e olhou Tally com olhos intensos. "Foi o Amieiro?" ela perguntou, seu tom mordaz. "Eu sei que você foi vê-la e informou sobre a recepção. Ela não aceitou bem?"
Tally suspirou, novas lágrimas brotaram ao relembrar seu desentendimento com Sarah. "Ela ficou surpresa", respondeu Tally, com palavras carregadas de emoção. "Tivemos um pequeno desentendimento."
"Menor?" Os lábios de Abigail se estreitaram quando ela balançou a cabeça.
"Ela está preocupada por ter roubado meu futuro, que talvez eu ficasse melhor com outra pessoa."
A expressão de Abigail suavizou-se ao ouvir essas palavras.
"Bem, ela pode ter razão, Tal."
Tally recuou diante da declaração de Abigail.
Não estou dizendo que não posso ficar com ela, Abigail”, ela explicou rapidamente. “Eu entendo que existe alguma magia antiga de alma gêmea entre vocês. Mas Tally, ela é a porra da Sarah Alder. Ela tem 334 anos, um farol para todas as bruxas. Ela provavelmente só queria te dar uma folga porque estar com ela será complicado."
Tally zombou, sua raiva aumentando. "Eu não quero uma saída, Abigail!" ela exclamou, frustração evidente em suas mãos levantadas. "Eu só quero que ela pare de tentar me proteger. Sou um adulto e posso tomar minhas próprias decisões."
O fato de Tally ter batido o pé ao proclamar sua idade adulta não lhe passou despercebido, mas naquele momento ela estava exasperada demais para se importar.
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Soulbound
FanfictionNo segundo em que Sarah Alder fez de Tally Craven uma biddie, algo muito além da conexão padrão de biddie se manifestou.
