C a p í t u l o 5

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- O que quer que eu faça? - perguntou Selene, falando no telefone enquanto andava para lá e para cá em seu quarto.

- Não consegue simplesmente matá-lo? - retrucou o seu pai - Selene, você já foi melhor que isso.

- É, eu sei. Porém ele não é qualquer inimigo, preciso que você me mande reforços.

- Você terá reforços quando mostrar que é digna disso, você está cercada com cem soldados armados e treinado por quase vinte a trinta anos, Selene! - quase deu um berro do outro lado da linha.

Atraindo a atenção de Soap, que passava por ali com uma garrafa de whisky, seu olhar percorreu dentro do quarto, vasculhando o perímetro.

- Mas Pai... Eu não consigo derrotá-lo sozinha... - sua voz parecia mais um suplico.

- Você é recruta de uma equipe esplêndida, Selene. Faça com que eles atirem nos olhos dele, se necessário ainda, em algum familiar, em algum bicho doméstico, apenas o mate e me traga a cabeça dele! - nas últimas frases ele acabou por gritar, assustando a mulher que suspirou, desligando a chamada e então olhou para a brecha da porta, vendo Soap ali parado.

- O que você está fazendo aqui? Espionando? - caminhou até ele.

- Eu fui buscar whisky pro pessoal - mostrou as garrafas pra ela - Não foi minha intenção bisbilhotar.

Ele poderia saber mentir com as palavras, mas o seu olhar não demonstrava isso, mesmo que tentasse disfarçar sempre que possível, não conseguia.

Entretanto, Soap era um ótimo soldado que estava disposto a mentir para salvar seus amigos, irmãos e colegas.

- Não acredito em você - declarou a mulher, saindo de dentro do quarto, trancando a porta com chave - Não sou besta, Soap.

- Do que está falando? - ele se encostou na parede, tendo mais equilíbrio com suas garrafas.

- Ghost está fixado em saber sobre meu passado, não é? - cruzou os braços

Soap virou o rosto de lado - era a mais pura verdade, o tenente estava vidrado em saber mais sobre ela, parecia mais uma obsessão.

- Avise para ele, Soap, não quero ter que matá-lo - a mulher se aproximou de Soap, como se ele fosse um cachorro sem dono - A busca pelo meu passado será a sua ruína.

Soap encarou Selene, com os olhos um tanto arregalados, fez um beicinho antes de olhar fixamente para ela.

- Er... Caralho hein... - disse, olhando dos lados - Tá calor aqui né?

Selene inclinou a cabeça de lado, se aproximando ainda mais do rosto de Soap, inclinando seu corpo para frente enquanto ele se escorregava na parede.

Lá embaixo, Ghost andava para lá e para cá, impaciente, Soap já havia saído dali há trinta minutos. Onde raios ele se enfiou?

Alejandro o encarava de canto, o mesmo estava determinado a não deixar Ghost encostar um só dedo em Selene, caso contrário ele teria que tomar providências drásticas, não seria a morte, porém, Simon deveria ser afastado da equipe até a garota concluir sua missão para pagamento da dívida.

O que o deixava, de certa forma, pensativo, nunca havia passado por isso em sua vida, não que uma dívida fosse afunda-la aos poucos. Já havia se afundado a partir do momento que ele se envolveu com a mãe de Selene.

- O Soap ainda não voltou - comentou Simon, encarando Alejandro, que olhava atentamente para as câmeras - Será que ela fez algo com ele?

- Não seja emocionado, Simon - disse, suspirando - Selene não vai o machucar.

Simon Riley - 𝔇𝔢𝔳𝔦𝔩'𝔰 𝔈𝔶𝔢𝔰Onde histórias criam vida. Descubra agora